Agronegócio Safra verão 26/27
Plantio da soja 2026/2027 começa no Oeste do Paraná
Produtores iniciam nova safra com atenção ao manejo, controle da buva, previsão de chuvas e planejamento para alcançar boa produtividade
04/09/2026 09h05 Atualizada há 14 horas
Por: João Livi
Engenheiro agrônomo Samuel Henrique Liebert, da Copagril, orienta produtores sobre manejo, clima, sementes e cuidados no início do plantio da soja 2026/2027.

Desde o dia 1º de setembro, agricultores do Oeste do Paraná estão autorizados a iniciar o plantio da soja para a safra de verão 2026/2027. A abertura da janela de semeadura marca o início de uma etapa decisiva para os produtores, que precisam alinhar manejo, escolha de sementes, controle de plantas daninhas, atenção ao clima e disponibilidade de insumos para buscar boa produtividade e rentabilidade.

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o engenheiro agrônomo Samuel Henrique Liebert, da Copagril, destacou que a safra começa com boas expectativas, mas também com desafios importantes. Segundo ele, a cooperativa está preparada para atender os associados com orientação técnica, sementes, insumos e acompanhamento durante todo o ciclo da cultura.

Continua após a publicidade

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o engenheiro agrônomo Samuel Henrique Liebert, da Copagril, destacou que a nova safra começa com boas expectativas, mas também com desafios importantes para os produtores.

Segundo ele, a preparação para o plantio começou ainda no inverno, período em que muitos agricultores precisaram lidar com o atraso na colheita do milho safrinha, provocado pelo alongamento do ciclo em razão das condições climáticas.

 

Manejo antes do plantio

De acordo com Samuel, o atraso na colheita do milho impactou as dessecações pré-plantio da soja. Com isso, houve aumento no fluxo de plantas daninhas, especialmente a buva, considerada hoje uma das principais dificuldades de controle nas lavouras da região.

O agrônomo explicou que a recomendação é iniciar o plantio apenas com a área limpa, sem interferência de plantas daninhas que possam prejudicar o estabelecimento da soja.

Para os produtores que ainda não realizaram o manejo, a orientação é fazer a dessecação adequada antes da semeadura, garantindo melhores condições para a germinação e o desenvolvimento inicial da cultura.

Palhada protege o solo

Samuel também destacou a importância da cobertura do solo, formada durante o inverno ou a partir da palhada deixada pela cultura anterior.

Segundo ele, alguns produtores utilizam braquiária em meio ao milho ou fazem aplicação de aveia e nabo por drone quando o milho já está em fase final de ciclo.

Essas plantas de cobertura, somadas à palhada do milho, ajudam a manter a umidade e a temperatura do solo, criando um ambiente mais favorável para a germinação e a manutenção da soja.

Fertilidade em foco

Outro ponto lembrado pelo agrônomo foi o aproveitamento do período anterior ao plantio para correção e melhoria do perfil do solo.

Muitos produtores realizaram calagem, gessagem e aplicação de esterco líquido suíno ou cama de aviário, já pensando na fertilidade da área e na busca por altas produtividades.

Para Samuel, esse planejamento é essencial para que a lavoura tenha melhores condições de responder ao manejo durante todo o ciclo.

Expectativa nacional

O engenheiro agrônomo afirmou que a expectativa é de que o Brasil plante em torno de 49 milhões de hectares de soja nesta safra.

A produção nacional, segundo ele, pode superar a do ciclo anterior, com incremento estimado entre 2% e 4%.

Com isso, a safra brasileira pode ficar na faixa de 180 milhões a 184 milhões de toneladas de soja.

Cultivares por região

Sobre a recomendação de sementes, Samuel explicou que a Copagril não trabalha com uma cultivar única para todos os produtores.

Segundo ele, cada região apresenta características próprias, e as cultivares são avaliadas ao longo dos anos conforme adaptação, grupo de maturação, desempenho e rentabilidade.

Samuel também ressaltou a importância dos dias de campo da Copagril, que permitem aos associados e agricultores conhecer os materiais disponíveis, comparar cultivares e observar, na prática, o desempenho das variedades na Estação Experimental.

Cuidados no ciclo

Após o plantio, o produtor deve manter atenção ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças.

Samuel explicou que, cerca de 30 dias depois da implantação da soja, costuma ser realizada uma primeira entrada para controle de plantas daninhas que possam surgir após a dessecação pré-plantio.

Além dos herbicidas, o manejo inclui aplicações de fungicidas. Em média, segundo ele, são feitas de três a quatro aplicações durante o ciclo da soja, número que pode aumentar conforme as condições climáticas e a pressão de doenças.

Ano exige atenção

Para a safra 2026/2027, a previsão de maior volume de chuvas exige atenção redobrada dos produtores.

Samuel destacou que um ano mais chuvoso favorece o aparecimento de doenças e pode encurtar as janelas de plantio e aplicação.

Segundo ele, a cultura deve demandar cuidado maior do que em anos anteriores, tanto nas aplicações de fungicidas quanto no controle de insetos e pragas como lagartas e percevejos.

Plantio e colheita

Com o plantio iniciado em setembro, alguns produtores poderão iniciar a colheita ainda em dezembro.

Samuel afirmou que, tradicionalmente, a colheita ocorre em janeiro, mas o adiantamento da semeadura pode antecipar parte dos trabalhos.

Ele ponderou, no entanto, que chuva em excesso não significa, necessariamente, super safra. Para alcançar altas produtividades, é preciso que as precipitações sejam bem distribuídas ao longo do ciclo e que haja também períodos de sol para a planta realizar fotossíntese e converter água e nutrientes em grãos.

Janela ideal

Historicamente, conforme explicou Samuel, a região registra melhores produtividades quando o plantio ocorre entre os dias 15 e 25 de setembro.

Plantar dentro dessa janela é considerado um passo importante, mas não suficiente por si só.

O resultado final depende também da realização correta dos manejos, da distribuição das chuvas, do controle de doenças e pragas e da capacidade do produtor de aproveitar as oportunidades durante o ciclo.

Máquinas e limpeza

Outro cuidado destacado pelo agrônomo envolve a circulação de máquinas agrícolas entre propriedades e regiões.

Com o início do plantio e, posteriormente, da colheita, plantadeiras e colheitadeiras circulam com frequência, inclusive entre estados. Segundo Samuel, a limpeza correta do maquinário é essencial para evitar a disseminação de plantas invasoras, sementes indesejadas ou doenças.

Ele lembrou que, em alguns casos, colheitadeiras que se deslocam para outros estados precisam de laudo emitido por engenheiro agrônomo para atravessar fronteiras.

Copagril preparada

Samuel afirmou que a Copagril está preparada para atender os associados durante o plantio e ao longo de toda a safra.

Segundo ele, a cooperativa conta com equipe técnica estruturada, insumos disponíveis em estoque e unidades preparadas para fornecer produtos e orientação aos produtores.

O objetivo, conforme destacou, é contribuir para que os cooperados alcancem produtividade e rentabilidade, fatores essenciais para o funcionamento de toda a cadeia do agronegócio.

Agro Show 2027

Durante a entrevista, Samuel também destacou a importância do Agro Show para o planejamento da safra.

Segundo ele, muitos produtores que estão plantando agora adquiriram sementes e insumos antecipadamente no evento realizado no início deste ano, o que permitiu melhores relações de troca e maior previsibilidade de custos.

O agrônomo explicou que, quando o produtor trava parte dos custos com base em contratos e relação de troca favorável, consegue reduzir riscos e proteger a rentabilidade.

Quatro dias de evento

A próxima edição do Agro Show está programada para ocorrer de 11 a 14 de janeiro de 2027, com quatro dias de atividades.

Samuel afirmou que a ampliação do evento busca atender melhor a demanda dos produtores, já que o novo modelo registrou grande movimento na edição anterior.

Segundo ele, o Agro Show é uma oportunidade importante para aquisição de sementes, híbridos, insumos e pacotes tecnológicos em condições diferenciadas.

Milho safrinha

Além da soja, Samuel também abordou a próxima safra de milho.

Ele explicou que o plantio do milho safrinha ocorre após a colheita da soja e que a orientação técnica é iniciar a semeadura, preferencialmente, a partir de 25 de janeiro.

Segundo o agrônomo, esse posicionamento ajuda a planta a enfrentar melhor períodos de veranico que historicamente podem ocorrer em março, fase sensível para o desenvolvimento do milho.

Perspectiva positiva

Samuel avaliou que o milho segue como uma renda importante para o produtor, especialmente diante das novas utilizações do grão no Brasil.

Além da alimentação animal e humana, o crescimento da cadeia do etanol de milho amplia a demanda e fortalece as perspectivas para a cultura.

Para ele, tanto a soja quanto o milho exigem planejamento, manejo adequado e atenção ao mercado, mas seguem como atividades fundamentais para a rentabilidade do produtor e para a força do agronegócio regional.