A economia brasileira continuou crescendo no segundo trimestre de 2026, mas em ritmo menor. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% entre abril e junho na comparação com os três primeiros meses do ano, quando havia registrado expansão de 1,1%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado confirma uma desaceleração da atividade econômica, embora tenha ficado ligeiramente acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava crescimento de 0,4%. Entre os grandes setores, a agropecuária apresentou o melhor desempenho, com alta de 2,8%, enquanto serviços cresceram 0,2% e a indústria, apenas 0,1%.
Pela ótica da demanda, um dos principais sinais de perda de fôlego veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% em relação ao primeiro trimestre. Em contrapartida, a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador relacionado aos investimentos na economia, avançou 1,2%, e o consumo do governo cresceu 0,4%.
Em valores correntes, o PIB brasileiro totalizou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre. Desse montante, R$ 2,9 trilhões corresponderam ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 487,9 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.
A taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% registrados no segundo trimestre de 2025. Já a taxa de poupança alcançou 16,6%, ligeiramente acima dos 16,5% observados no mesmo período do ano passado.
No setor externo, houve movimentos em direções opostas na comparação com o primeiro trimestre. As exportações de bens e serviços recuaram 0,8%, enquanto as importações cresceram 1,8%.
O crescimento de 2,8% da agropecuária no trimestre ganhou importância diante do desempenho praticamente estável da indústria e dos serviços.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o resultado do campo é ainda mais expressivo: alta de 6,8%. Segundo o IBGE, além do bom desempenho da pecuária, contribuíram culturas com produção significativa no período e perspectivas de aumento da produção anual e da produtividade.
Entre os destaques está a soja, cuja estimativa de produção apresenta crescimento de 5,3%, além do café, com avanço de 15,1%. Em sentido contrário aparecem arroz, com queda de 11,3%, e algodão, com retração de 6,7%. Para o milho, a estimativa indica estabilidade.
O desempenho agropecuário tem relevância especial para estados com forte participação do agronegócio, como o Paraná, justamente no momento em que começa um novo ciclo produtivo com a abertura, nesta terça-feira, da janela de plantio da soja 2026/27 no Oeste e em outras regiões paranaenses.
A indústria apresentou expansão de 0,1% em relação ao primeiro trimestre. O resultado positivo foi sustentado principalmente pelas indústrias extrativas, que cresceram 3,4%.
Outros segmentos industriais recuaram. Eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos tiveram queda de 1,1%. A indústria de transformação recuou 0,4%, mesma variação negativa registrada pela construção.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, a indústria como um todo cresceu 1,5%. As atividades extrativas avançaram 12%, impulsionadas pelo aumento da extração de petróleo e gás, enquanto a construção cresceu 1%.
Os serviços, setor de maior peso na economia brasileira, cresceram 0,2% no trimestre.
Informação e comunicação tiveram o melhor desempenho, com avanço de 2,1%, seguidos por transporte, armazenagem e correio, com 1,1%, e atividades imobiliárias, com 0,2%.
O comércio ficou estável, assim como o grupo de outras atividades de serviços. Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social recuaram 0,4%, enquanto atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram queda de 0,3%.
O consumo das famílias apresentou variação negativa de 0,4% frente aos três primeiros meses de 2026. O resultado contrasta com o crescimento de 1,2% dos investimentos e de 0,4% do consumo do governo.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, entretanto, o consumo das famílias ainda registra crescimento de 0,5%. O consumo do governo aumentou 3,1% e os investimentos avançaram 1,4%.
A perda de força do consumo ocorre em um cenário no qual os juros permanecem elevados. A Selic, embora tenha recuado de 15% ao ano em março para 14% em agosto, continua em dois dígitos, encarecendo o crédito destinado às famílias e empresas.
Quando a comparação é feita com o segundo trimestre de 2025, a economia brasileira apresenta crescimento de 2%.
Nesse intervalo, os três grandes setores avançaram: agropecuária, 6,8%; indústria, 1,5%; e serviços, 1,5%.
No primeiro semestre de 2026, o PIB acumula crescimento de 1,9% frente aos seis primeiros meses do ano passado. A agropecuária avançou 3,6%, a indústria, 1,6%, e os serviços, 1,8%.
Já no acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, a expansão também é de 1,9%. Nesse recorte, a agropecuária novamente apresenta o maior crescimento, com 6,2%, seguida pelos serviços, com 1,7%, e pela indústria, com 1,4%.
Os números mostram uma economia que permanece em expansão, mas que chegou à metade de 2026 em velocidade inferior à observada no início do ano. O comportamento do consumo, dos investimentos e dos juros, além do desempenho da agropecuária, estará entre os componentes determinantes para o ritmo da atividade econômica no segundo semestre.