Agronegócio Safra 2026/2027
Plantio da soja começa no Oeste do Paraná com expectativa de safra recorde
Janela de semeadura foi aberta nesta terça-feira (1º) para uma das principais regiões produtoras do Estado; Deral projeta 22,6 milhões de toneladas de soja no Paraná, mas clima será decisivo para confirmar o potencial
01/09/2026 09h44
Por: João Livi
Produtores do Oeste do Paraná estão autorizados a iniciar nesta terça-feira (1º) o plantio da soja da safra 2026/27, após o encerramento do vazio sanitário. (Foto: Magnific)

Começou oficialmente nesta terça-feira (1º) o período de plantio da soja da safra de verão 2026/27 no Oeste do Paraná. A abertura da janela de semeadura coloca novamente em movimento uma das principais regiões agrícolas do Estado e marca o início de um ciclo para o qual a primeira projeção oficial aponta possibilidade de produção recorde no Paraná.

O calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divide o Paraná em três regiões. No Oeste, que integra a Região 2 juntamente com Norte, Noroeste e Centro-Oeste, o vazio sanitário terminou nesta segunda-feira (31). A partir de 1º de setembro, a presença de plântulas de soja está autorizada, e a janela de semeadura permanece aberta até 31 de dezembro.

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Para municípios do Oeste, como Marechal Cândido Rondon, Toledo, Cascavel, Palotina, Assis Chateaubriand, Guaíra e outras importantes áreas produtoras, a liberação não significa necessariamente que as máquinas entrarão imediatamente em todas as propriedades. A decisão de plantar depende, entre outros fatores, das condições de umidade do solo, da previsão meteorológica, da cultivar utilizada e do planejamento de cada propriedade.

Paraná projeta 22,6 milhões de toneladas

A safra começa cercada por uma expectativa elevada. A primeira estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgada no fim de agosto, projeta 22,6 milhões de toneladas de soja no Paraná, volume que, se confirmado, estabelecerá um novo recorde estadual.

A área prevista é de aproximadamente 5,76 milhões de hectares, com crescimento apenas marginal em relação ao ciclo anterior. Isso significa que a projeção de uma produção maior está fortemente relacionada ao desempenho esperado das lavouras. A produtividade média inicialmente calculada supera 3.900 quilos por hectare.

A soja permanece como a principal cultura da agricultura paranaense e ocupa parcela predominante das áreas destinadas aos grãos de verão. Na safra 2025/26, encerrada recentemente, o Paraná colheu aproximadamente 21,8 milhões de toneladas da oleaginosa.

Se a estimativa de 22,6 milhões de toneladas para 2026/27 for confirmada, o Estado acrescentará aproximadamente 800 mil toneladas à produção obtida no ciclo anterior.

Oeste tem peso estratégico

O início da semeadura ganha especial importância no Oeste pela concentração da produção agrícola e pela forte integração da soja com outras cadeias do agronegócio regional.

A região tem participação expressiva na produção estadual. No ciclo anterior, dados do Deral indicavam que o Oeste concentrava cerca de 18% dos 5,78 milhões de hectares de soja cultivados no Paraná, o que dimensiona a importância regional para o resultado estadual da oleaginosa.

Além da comercialização do grão, a soja produzida na região está diretamente ligada à estrutura agroindustrial do Oeste, especialmente pela utilização do farelo na fabricação de rações destinadas às cadeias de aves, suínos e outras atividades pecuárias.

A época em que a soja é implantada também influencia o planejamento da segunda safra de milho. Quanto mais adequadamente ocorrer a implantação e o desenvolvimento da oleaginosa, melhores tendem a ser as condições de calendário para a cultura que ocupará muitas dessas mesmas áreas posteriormente.

Vazio sanitário terminou em 31 de agosto

Antes da abertura da semeadura, os produtores do Oeste permaneceram três meses sob as regras do vazio sanitário. Na Região 2, o período foi estabelecido entre 2 de junho e 31 de agosto.

Durante esses 90 dias, não é permitido manter plantas vivas de soja nas áreas abrangidas. A medida busca interromper o ciclo da ferrugem asiática, provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, uma das principais doenças da cultura.

A  orienta que o controle também alcance plantas voluntárias, conhecidas como soja guaxa ou tiguera, que podem aparecer em áreas de culturas de inverno, propriedades rurais, margens de rodovias e estradas.

O calendário de semeadura complementa essa estratégia. A concentração do plantio dentro de uma janela definida contribui para reduzir o período de permanência de plantas de soja no campo e, consequentemente, a pressão da ferrugem asiática e o risco de resistência do fungo aos fungicidas.

Paraná tem três calendários

A liberação desta terça-feira não vale simultaneamente para todo o Paraná. O calendário foi regionalizado conforme características agrícolas e climáticas.

No Oeste, Norte, Noroeste e Centro-Oeste, a semeadura está autorizada de 1º de setembro a 31 de dezembro de 2026.

No Sudoeste, o vazio sanitário continua até 10 de setembro. O plantio poderá começar em 11 de setembro e seguir até 10 de janeiro de 2027.

Já no Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral, os produtores terão de esperar até 20 de setembro. Nessas regiões, a janela segue até 20 de janeiro de 2027.

Clima será determinante

Apesar da perspectiva de produção recorde, o próprio Deral ressalta que o potencial somente será confirmado se as condições meteorológicas forem favoráveis ao longo dos próximos meses.

O órgão estadual aponta que a safra 2026/27 começa sob influência do El Niño, fenômeno associado à tendência de maior frequência de chuvas no Sul do Brasil, principalmente durante a primavera.

Para setembro e outubro, justamente quando grande parte das lavouras estará sendo implantada e estabelecida, o excesso de precipitação pode diminuir as janelas disponíveis para as máquinas entrarem no campo. Chuvas persistentes também podem interferir no ritmo da semeadura.

Entre novembro e janeiro, quando boa parte das lavouras atravessará etapas importantes de desenvolvimento, floração e enchimento dos grãos, o equilíbrio hídrico continuará determinante. Tanto excesso de água quanto eventuais períodos de estiagem podem reduzir o potencial produtivo.

Mais adiante, precipitações excessivas em fevereiro e março também poderão interferir na colheita.

Produtor começa uma longa corrida

A abertura da janela desta terça-feira representa, portanto, apenas o primeiro passo de um ciclo que atravessará os próximos meses. No Oeste, a preparação das áreas, as condições de solo e o comportamento das chuvas deverão determinar a velocidade com que o plantio efetivamente avançará nas primeiras semanas de setembro.

O ponto de partida é favorável: o Paraná entra na safra 2026/27 com uma projeção inicial de 22,6 milhões de toneladas e produtividade superior a 3,9 toneladas por hectare. Transformar essa estimativa em produção efetiva dependerá, sobretudo, das condições encontradas pelos produtores desde a implantação das lavouras até a colheita.

Calendário da soja 2026/27 no Paraná: Região 1 - Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral: plantio de 20 de setembro a 20 de janeiro; Região 2 - Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste: plantio de 1º de setembro a 31 de dezembro; Região 3 - Sudoeste: plantio de 11 de setembro a 10 de janeiro.