Geral Susto no aeroporto
Avião da Latam sai da pista e reacende atenção para operações sob mau tempo em Cascavel
Aeronave procedente de Guarulhos ficou imobilizada ao lado da pista durante pouso sob chuva; aeroporto já registrou desvios e interrupções em períodos de baixa visibilidade e condições meteorológicas adversas
31/08/2026 10h05
Por: João Livi
Aeronave da Latam ficou imobilizada fora da área pavimentada após sair da pista durante pouso no Aeroporto Regional de Cascavel nesta segunda-feira (31). Chovia no momento da ocorrência. (Foto: Reprodução/Catve)

Um avião da Latam saiu da pista durante o pouso no Aeroporto Regional do Oeste - Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel, na manhã desta segunda-feira (31). A ocorrência aconteceu em um terminal que, apesar dos investimentos e da crescente movimentação de passageiros, enfrenta historicamente impactos operacionais quando as condições meteorológicas se deterioram.

A aeronave havia partido de Guarulhos (SP) e pousou em Cascavel por volta das 9h47. Chovia no momento da chegada. Após sair da pista, o avião ficou imobilizado em uma área não pavimentada ao lado da pista.

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Passageiros relataram à imprensa regional que ninguém ficou ferido. As circunstâncias da ocorrência ainda precisam ser oficialmente apuradas e, portanto, não é possível atribuir à chuva, ao vento ou às condições da pista a causa da saída da aeronave.

Mau tempo já afetou operações neste ano

A instabilidade meteorológica é um desafio conhecido nas operações do aeroporto. Em 26 de maio deste ano, forte neblina e baixa visibilidade fizeram voos da Latam e da Azul alternarem para Foz do Iguaçu, enquanto uma operação da Gol sofreu atraso. Os pousos e decolagens foram normalizados depois da melhora das condições.

Pouco mais de duas semanas depois, em 11 de junho, novas condições meteorológicas adversas voltaram a afetar o terminal. Pelo menos dois voos destinados a Cascavel precisaram seguir para Foz do Iguaçu. Uma aeronave da Latam chegou a permanecer em espera na região antes da decisão de alternar o pouso.

Em julho, outro episódio demonstrou a variabilidade do tempo no aeroporto. Boletim meteorológico aeronáutico chegou a registrar trovoadas, chuva, nuvens de tempestade e redução da visibilidade para 2,5 quilômetros. Naquela ocasião, apesar das condições adversas, os voos previstos continuaram operando.

Vento também exige atenção

O vento é outro componente importante nas operações em Cascavel. Um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), referente a uma ocorrência de 2012 com um ATR, registrou que a tripulação havia sido alertada para operação cautelosa no aeroporto em razão do vento. Na aproximação, foram informados ventos de 25 a 28 nós e forte componente de través em relação à pista utilizada naquele episódio.

Isso não significa que o aeroporto seja inseguro ou que todo vento represente impedimento à operação. Limites dependem da direção e intensidade do vento, da pista utilizada, do tipo de aeronave, dos procedimentos da companhia e de outras condições meteorológicas. Quando os parâmetros de segurança não são atendidos, a tripulação pode aguardar melhora, realizar uma arremetida ou seguir para um aeroporto alternativo.

O aeroporto opera com uma única pista, designada 15/33, com 1.771 metros de comprimento e 45 metros de largura. Há procedimentos de aproximação por instrumentos RNP para as duas cabeceiras.

Aeroporto passa por novos investimentos

Ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios meteorológicos característicos da operação aérea, Cascavel vem ampliando a infraestrutura aeroportuária. Em maio, foram anunciados cerca de R$ 11,7 milhões em investimentos para modernização do balizamento, sinalização vertical e ampliação da taxiway.

O aeroporto também dispõe do sistema PAPI, auxílio visual que indica aos pilotos a trajetória de aproximação para pouso. O equipamento passou por inspeção e calibração da Força Aérea Brasileira em janeiro deste ano.

A estrutura tornou-se cada vez mais relevante para o Oeste do Paraná. Em 2025, o aeroporto atingiu o recorde de 469.296 passageiros, quase 15% acima do movimento registrado no ano anterior.

Investigação deverá esclarecer ocorrência

No caso desta segunda-feira, o fato de chover durante o pouso é uma informação relevante, mas isoladamente não permite estabelecer a causa da saída de pista. Condições meteorológicas, estado e aderência da pista, velocidade e direção do vento, procedimentos adotados pela tripulação e aspectos técnicos da aeronave estão entre os elementos que podem ser analisados pelas autoridades competentes.

A Latam e a administração aeroportuária deverão fornecer informações sobre a retirada da aeronave, a situação dos passageiros e eventuais reflexos sobre a programação de voos.

A ocorrência volta a colocar em evidência a importância das condições meteorológicas para a operação do Aeroporto de Cascavel, especialmente diante do crescimento do número de passageiros e da relevância cada vez maior do terminal para as conexões aéreas do Oeste do Paraná.