Um avião da Latam saiu da pista durante o pouso no Aeroporto Regional do Oeste - Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel, na manhã desta segunda-feira (31). A ocorrência aconteceu em um terminal que, apesar dos investimentos e da crescente movimentação de passageiros, enfrenta historicamente impactos operacionais quando as condições meteorológicas se deterioram.
A aeronave havia partido de Guarulhos (SP) e pousou em Cascavel por volta das 9h47. Chovia no momento da chegada. Após sair da pista, o avião ficou imobilizado em uma área não pavimentada ao lado da pista.
Passageiros relataram à imprensa regional que ninguém ficou ferido. As circunstâncias da ocorrência ainda precisam ser oficialmente apuradas e, portanto, não é possível atribuir à chuva, ao vento ou às condições da pista a causa da saída da aeronave.
A instabilidade meteorológica é um desafio conhecido nas operações do aeroporto. Em 26 de maio deste ano, forte neblina e baixa visibilidade fizeram voos da Latam e da Azul alternarem para Foz do Iguaçu, enquanto uma operação da Gol sofreu atraso. Os pousos e decolagens foram normalizados depois da melhora das condições.
Pouco mais de duas semanas depois, em 11 de junho, novas condições meteorológicas adversas voltaram a afetar o terminal. Pelo menos dois voos destinados a Cascavel precisaram seguir para Foz do Iguaçu. Uma aeronave da Latam chegou a permanecer em espera na região antes da decisão de alternar o pouso.
Em julho, outro episódio demonstrou a variabilidade do tempo no aeroporto. Boletim meteorológico aeronáutico chegou a registrar trovoadas, chuva, nuvens de tempestade e redução da visibilidade para 2,5 quilômetros. Naquela ocasião, apesar das condições adversas, os voos previstos continuaram operando.
O vento é outro componente importante nas operações em Cascavel. Um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), referente a uma ocorrência de 2012 com um ATR, registrou que a tripulação havia sido alertada para operação cautelosa no aeroporto em razão do vento. Na aproximação, foram informados ventos de 25 a 28 nós e forte componente de través em relação à pista utilizada naquele episódio.
Isso não significa que o aeroporto seja inseguro ou que todo vento represente impedimento à operação. Limites dependem da direção e intensidade do vento, da pista utilizada, do tipo de aeronave, dos procedimentos da companhia e de outras condições meteorológicas. Quando os parâmetros de segurança não são atendidos, a tripulação pode aguardar melhora, realizar uma arremetida ou seguir para um aeroporto alternativo.
O aeroporto opera com uma única pista, designada 15/33, com 1.771 metros de comprimento e 45 metros de largura. Há procedimentos de aproximação por instrumentos RNP para as duas cabeceiras.
Ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios meteorológicos característicos da operação aérea, Cascavel vem ampliando a infraestrutura aeroportuária. Em maio, foram anunciados cerca de R$ 11,7 milhões em investimentos para modernização do balizamento, sinalização vertical e ampliação da taxiway.
O aeroporto também dispõe do sistema PAPI, auxílio visual que indica aos pilotos a trajetória de aproximação para pouso. O equipamento passou por inspeção e calibração da Força Aérea Brasileira em janeiro deste ano.
A estrutura tornou-se cada vez mais relevante para o Oeste do Paraná. Em 2025, o aeroporto atingiu o recorde de 469.296 passageiros, quase 15% acima do movimento registrado no ano anterior.
No caso desta segunda-feira, o fato de chover durante o pouso é uma informação relevante, mas isoladamente não permite estabelecer a causa da saída de pista. Condições meteorológicas, estado e aderência da pista, velocidade e direção do vento, procedimentos adotados pela tripulação e aspectos técnicos da aeronave estão entre os elementos que podem ser analisados pelas autoridades competentes.
A Latam e a administração aeroportuária deverão fornecer informações sobre a retirada da aeronave, a situação dos passageiros e eventuais reflexos sobre a programação de voos.
A ocorrência volta a colocar em evidência a importância das condições meteorológicas para a operação do Aeroporto de Cascavel, especialmente diante do crescimento do número de passageiros e da relevância cada vez maior do terminal para as conexões aéreas do Oeste do Paraná.