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Saúde mental e práticas integrativas
*Prof. Dr. Roberto de Oliveira
25/08/2026 08h48
Por: Roberto de Oliveira

         A Organização Mundial de Saúde - OMS define a palavra “SAÚDE” como o “Bem-estar” ou “Estar  Bem“, contrariando o termo “DOENÇA” que significa “Mal-estar ou Estar Mal”. No Brasil, muitos profissionais ainda confundem essas expressões tanto no sentido das ações, quanto no sentido técnico das estratégias existentes que deveriam prescrever muito mais PREVENÇÃO, do que ASSISTÊNCIA. São custos  elevados com a DOENÇA e um sistema complexo de ideologias, fomentando prevalências e não evitando INCIDÊNCIAS. Os indicadores do consumo de medicamentos aumentam e cada vez mais, crescendo o número de serviços com os males psíquicos e físicos, somando investimentos altos e suplementares nas organizações e instituições, muitas vezes deixando claro historicamente  que o modelo vigente   não é o bastante para o atendimento das necessidades que a população realmente necessita. Projetos que deveriam visar uma epidemiologia que evitasse o surgimento de doenças em geral é uma realidade dos países mais saudáveis no mundo, com investimentos na  atenção primária ( preventiva ) e assim, portanto, ao longo do tempo diminuir a atenção secundária (assistencial). Contudo, invertemos este paradigma, pagando um preço muito caro, sendo muitas filas e opiniões que consideram mudar essa cultura uma utopia e um grande desafio político e social.

          Em meio dessa realidade o Ministério da Saúde apresenta no âmbito da politicas públicas nacional,  uma  grande estratégia de atenção básica, sendo mais de 3,5 milhões de atendimentos no Brasil por ano e uma rede que cresce cada dia. “As Práticas Integrativas e Complementares - PICs”, no entanto,  são abordagens terapêuticas que visam compreender o ser humano como um todo: Mental, Físico e Social. Em 2006  foram instituídas no Sistema Única de Saúde - SUS e ampliadas posterirormente incluindo novas possibilidades, consagrando a redução de prevalências e tendo como ações terapêuticas  mais utilizadas e aprovadas pelos principais conselhos federais como exemplo: a Fitoterapia, o Termalismo, a Arteterapia, a Biodança, a Meditação, a Hipnoterapia, a Musicoterapia, a Aromaterapia, a Bioenergética (Terapia Corporal) e a Terapia Comunitária Integrativa.  Atualmente representam um evolução na concepção de saúde, ganhando mais espaço nas Unidades Básicas de Saúde e Rede de Atenção Psicossocial,  tratando mais as causas dos adoecimento e indo além dos sintomas. Diferente do modelo tradicional, compreende o indivíduo no cuidado mais humano, preventivo e de intervenções que identificam um comprometimento  maior como o processo de promoção do bem-estar e a qualidade de vida.

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      A Organização Mundial da Saúde (OMS), há pelo menos cinquenta anos, tem incentivado que sejam consideradas  como recursos de cuidado pelos sistemas nacionais de saúde  e saberes como elemento para  minimização de gastos em virtude do baixo custo de sua realização, unindo competência terapêutica maior ou igual aos outros tipos de tratamento, com valor econômico acessível, fator importante para o sistema público de saúde. Em 2023, havia PICs em 15.470 estabelecimentos de saúde difundidos em 56% dos municípios brasileiros e nas UBS, sendo que um mesmo estabelecimento de saúde pode ofertar mais de uma prática. Com ênfase na escuta acolhedora, a construção de laços terapêuticos humanizados, desempenham um papel abrangente no SUS, em especial na Atenção Primária, onde existe um grande potencial de necessidades e atuação profissional. Hoje 9.239 estabelecimentos de Saúde ofertam atendimentos individuais e coletivos, estando presentes em 78% da  Unidade Básica de Saúde, na média complexidade 18% e na alta complexidade 5%. São 2,5 milhões de atendimentos no Brasil e fortalecem cada vez mais o trabalho no âmbito de profissionais e população. Por meio de ações interdisciplinares proporcionam resultados eficientes na direção de conhecimentos seguros, sendo o Brasil referência mundial e tratamento de muitas enfermidades.

          As políticas públicas de saúde deveriam prescrever  mais a prevenção de doenças e agravos significativos, incluindo a carga crescente de doenças crônicas, a falta de profissionais qualificados, a sobrecarga ocupacional nas Unidades Básicas de Saúde - UBS e as necessidades de abordagens mais abrangentes para enfrentar as complexidades das demandas, oferecendo alternativas valiosas para a promoção da saúde e o tratamento integral do ser humano. Como em muitos estados, já se observam os resultados progressivos das PICs, seu avanço e tantos benefícios que consolidam sua eficiência e por fim sua sustentabilidade!

 

                                                               *Especialista em Saúde Mental - ULBRA/RS

                                                                  Especialista em Psiquiatria - FAMART/MG

                                               Doutor em Saúde Humana Integrativa - UniEnsino/PR

                                                                                                                           @profrobertodeoliveira

 

 

.As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial da Revista Especiais.