Uma alternativa para a destinação de animais mortos nas granjas e o combate à coleta clandestina de carcaças entrou em debate na Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon. Representantes da Associação Regional dos Suinocultores do Oeste do Paraná (Assuinoeste) utilizaram a Tribuna Popular na sessão de segunda-feira (17) para apresentar um projeto piloto recém-implantado pela entidade.
O presidente da Assuinoeste, Delmar Briccius, e o gerente geral, Edson Pacheco, detalharam a proposta, que pretende modernizar a recolha legalizada de carcaças e oferecer uma alternativa para mais de 16 mil propriedades da região.
O tema ganha relevância em Marechal Cândido Rondon pela dimensão da atividade. Conforme apresentado durante a sessão, o município possui o terceiro maior plantel de suínos do Brasil.
“O suinocultor, hoje, precisa de um olhar diferenciado porque ele está bem desamparado”, afirmou Briccius ao defender a implantação da iniciativa e solicitar apoio do Legislativo.
O modelo apresentado modifica o procedimento realizado dentro das propriedades. Em vez da compostagem tradicional, que demanda manejo das carcaças, o produtor armazenaria os animais mortos em uma estrutura refrigerada até a chegada do caminhão responsável pela recolha.
Segundo Edson Pacheco, o projeto está fundamentado na Portaria 48 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e na Portaria 139 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), que permitem a destinação de animais mortos para processamento industrial.
Pacheco afirmou que a operação de recolha e processamento não terá custos para o produtor, município ou empresas integradoras. O serviço será custeado pela empresa processadora A&R Nutrição Animal, que utilizará as carcaças na produção de itens como biodiesel e adubo orgânico.
O investimento necessário ao suinocultor estaria concentrado na instalação da estrutura refrigerada dentro da propriedade. Segundo as informações apresentadas pela Assuinoeste, o custo estimado fica entre R$ 4 mil e R$ 8 mil.
Pacheco comparou esse investimento às despesas recorrentes com maravalha e mão de obra utilizadas na compostagem. Durante a apresentação, classificou o trabalho de esquartejamento dos animais destinados às composteiras como “penoso e insalubre”.
A entidade também aponta que a mudança pode reduzir riscos ambientais e passivos trabalhistas associados ao manejo realizado atualmente nas propriedades.
Outro objetivo apresentado é enfrentar a atuação dos chamados “carniceiros”, denominação utilizada para coletores clandestinos de carcaças. Segundo a Assuinoeste, essa prática representa riscos sanitários, ambientais e à saúde pública.
No sistema proposto, Pacheco explicou que seria utilizada a DETAN online, guia para o transporte de animais mortos que possibilita a rastreabilidade da operação. Os caminhões também seriam submetidos a procedimentos de limpeza e higienização.
A biosseguridade, porém, está entre os pontos que ainda geram preocupação. Conforme relatado na Câmara, empresas integradoras demonstram receio de que a circulação de caminhões entre diferentes propriedades possa favorecer a disseminação de doenças e zoonoses, especialmente diante da elevada concentração da produção suína no Oeste do Paraná.
Diante das preocupações apresentadas pelas integradoras, a Assuinoeste procurou o Legislativo rondonense para buscar apoio ao projeto piloto e ampliar o diálogo sobre a implantação do sistema.
Durante a Tribuna Popular, vereadores manifestaram disposição para contribuir na interlocução com as empresas integradoras e nas discussões relacionadas à destinação sanitária das carcaças.
A consolidação do modelo dependerá agora do avanço das tratativas envolvendo produtores, Assuinoeste, integradoras e demais setores relacionados à cadeia da suinocultura.