Cidades Calçada padronizada
Rafael Heinrich propõe novo padrão de calçadas para ampliar acessibilidade
Projeto apresentado em audiência pública busca adequar passeios públicos às normas técnicas, garantir faixa de circulação em concreto e reduzir obstáculos para pedestres, idosos, cadeirantes e pessoas com deficiência visual
11/08/2026 15h32
Por: João Livi
Vereador Rafael Heinrich apresentou em audiência pública proposta para padronizar calçadas e ampliar acessibilidade em Marechal Cândido Rondon.

O vereador Rafael Heinrich apresentou, na noite desta segunda-feira, em audiência pública realizada na Câmara Municipal, uma proposta para padronizar as calçadas de Marechal Cândido Rondon. O objetivo é ampliar a acessibilidade, melhorar a mobilidade urbana e adequar os passeios públicos às normas técnicas brasileiras.

Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, Rafael explicou que o projeto busca alinhar o município à NBR 16537, que trata da sinalização tátil no piso, e à NBR 9050, referência nacional em acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. A NBR 16537 estabelece diretrizes para elaboração de projetos e instalação de sinalização tátil no piso, com foco na orientação de pessoas com deficiência visual. citeturn295776search0

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Segundo o vereador, a proposta pretende criar um padrão para as novas calçadas, evitando buracos, desníveis, obstáculos e soluções que dificultem a circulação de cadeirantes, pessoas com deficiência visual, idosos, pessoas com deficiência física, pais com carrinhos de bebê e pedestres em geral.

Três faixas no passeio público

O projeto prevê a organização da calçada em três faixas. A primeira é a faixa de serviço, onde ficam árvores, postes e demais elementos urbanos. A segunda é a faixa de circulação, destinada ao deslocamento dos pedestres. A terceira é a faixa de acesso, que liga a faixa de circulação ao lote ou imóvel.

A faixa de circulação teria 1,5 metro de largura, com piso tátil no eixo central e 60 centímetros de concreto de cada lado. Conforme Rafael, essa área central precisa ser firme, regular, antiderrapante, não trepidante e não escorregadia.

As faixas laterais, de serviço e de acesso, poderiam continuar utilizando paver. A mudança principal ocorreria no espaço central destinado à circulação contínua e acessível.

Paver poderá continuar nas laterais

Rafael afirmou que o projeto não acaba com o uso do paver. Segundo ele, esse material poderá seguir sendo utilizado nas laterais da calçada, em pátios internos, áreas de empresas e outros espaços.

A alteração proposta é concentrada na faixa central de circulação, onde o concreto seria utilizado para garantir melhor deslocamento, especialmente para cadeiras de rodas, bengalas de rastreio, pessoas com mobilidade reduzida e pedestres.

O vereador explicou que a diferença pode ser percebida na prática ao comparar o deslocamento sobre paver, lajotas sextavadas ou outros materiais com o deslocamento sobre concreto liso e regular.

Calçadas existentes

De acordo com Rafael, calçadas em paver que já foram executadas conforme o padrão regulamentado anteriormente pelo município poderão permanecer como estão.

A exigência do novo padrão deverá alcançar principalmente calçadas novas, especialmente em terrenos baldios e áreas ainda sem passeio construído.

O vereador argumenta que, se o município continuar executando novas calçadas fora do padrão de acessibilidade, poderá haver necessidade de refazê-las no futuro, com mais custos para proprietários e para a coletividade.

Transição pode ser gradual

Durante a audiência pública, representantes do setor industrial de artefatos de concreto participaram de forma mais expressiva e manifestaram preocupação com os impactos da proposta sobre a produção e comercialização de pavers.

Rafael afirmou que a intenção não é prejudicar nenhum setor econômico. Segundo ele, a proposta pode prever um período de transição, inicialmente sugerido em cinco anos, mas ainda sujeito a ampliação para permitir adaptação do setor produtivo.

O vereador também apresentou alternativas para a indústria, como a possibilidade de produção de lajotas ou peças pré-moldadas maiores, de concreto, que atendam ao padrão de acessibilidade exigido.

Obras públicas já seguem novo padrão

Rafael destacou que obras com recursos públicos, especialmente em parceria com o Governo do Estado, já vêm sendo exigidas dentro de padrões de acessibilidade que incluem faixas de concreto.

Segundo ele, isso demonstra que a adequação é uma tendência consolidada em diferentes municípios e projetos públicos.

Na avaliação do vereador, Marechal Cândido Rondon precisa antecipar essa adaptação para evitar retrabalho e garantir que novas obras já sejam executadas de acordo com as normas técnicas.

Mobilidade e inclusão

O vereador afirmou que a implantação do novo padrão deve melhorar a trafegabilidade de pedestres e cadeirantes, principalmente no centro e em áreas de maior circulação.

Ele também ressaltou a importância do contraste e da regularidade do piso para pessoas com deficiência visual ou perda parcial da visão. A combinação entre piso tátil, superfície plana e concreto regular ajuda no uso da bengala de rastreio e na percepção do caminho pela sola do pé.

Para Rafael, a proposta coloca a mobilidade, a coletividade e a inclusão acima de interesses individuais, sem deixar de buscar diálogo com os setores produtivos envolvidos.

Debate segue aberto

A audiência pública foi uma etapa de apresentação e discussão da proposta. Rafael afirmou que segue à disposição da comunidade, de pessoas com deficiência, profissionais da construção civil, empresários do setor de artefatos e proprietários de imóveis para esclarecer dúvidas e receber contribuições.

A proposta ainda deverá passar por novas análises antes de eventual votação.

O objetivo, segundo o vereador, é avançar na acessibilidade de Marechal Cândido Rondon com planejamento, diálogo e respeito às normas brasileiras.