Brasil Golpes digitais
Brasil teve mais de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais em 2025
Relatório da Global Anti-Scam Alliance estima média de 201,6 tentativas por adulto e aponta que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro com fraudes
10/08/2026 09h11
Por: João Livi
Relatório da Global Anti-Scam Alliance estima mais de 34 bilhões de tentativas de golpes contra brasileiros ao longo de 2025. (Foto: Magnific)

O Brasil conviveu com uma dimensão inédita de golpes digitais ao longo de 2025. Segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, produzido pela Global Anti-Scam Alliance (GASA), cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de fraude entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

Com base nessa média, o estudo estima aproximadamente 34 bilhões de tentativas de golpes no país durante o período. O levantamento foi divulgado no dia 6 de agosto, durante o Brazil Anti-Scam Forum, em São Paulo, e integra uma pesquisa global realizada em mais de 40 países.

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A quarta edição do estudo também chama a atenção para a reincidência. Entre as pessoas que tiveram prejuízo, 34% perderam dinheiro mais de uma vez nos últimos 12 meses, indicando que parte das vítimas permanece exposta a novas abordagens criminosas.

Oito em cada dez adultos foram abordados

De acordo com a pesquisa, 81% dos adultos brasileiros tiveram contato com alguma tentativa de golpe, percentual igual ao registrado na edição anterior.

Entre os entrevistados, 39% chegaram a interagir com golpistas. Dentro desse grupo, uma em cada quatro pessoas perdeu dinheiro ou forneceu dados que posteriormente resultaram em prejuízo financeiro.

Outro dado mostra a velocidade das fraudes. Em 42% dos casos, os valores foram subtraídos em questão de minutos ou horas, reduzindo o tempo disponível para que a vítima perceba o golpe e tente interromper a operação.

Compras online lideram os golpes

Os golpes relacionados a compras online foram os mais frequentes entre as vítimas brasileiras, mencionados por 22% dos entrevistados.

Na sequência aparecem as fraudes envolvendo promessas de dinheiro inesperado, com 17%, e falsas vagas de emprego, também com 17%.

Telefone e aplicativos de mensagens instantâneas continuam sendo os principais canais utilizados pelos criminosos e concentram 71% das fraudes identificadas pelo estudo.

Entre as plataformas citadas pelas vítimas, o WhatsApp lidera, aparecendo em 64% dos casos. O Gmail foi mencionado por 32%, seguido pelo Instagram, com 22%. O YouTube, com 6%, apareceu entre os canais registrados nesta edição.

Dificuldade para reconhecer fraudes

A capacidade de identificar uma tentativa de golpe ainda representa um desafio significativo. O levantamento mostra que duas em cada cinco pessoas afirmam confiar na própria capacidade de reconhecer fraudes, enquanto 41% dizem não se sentir confiantes.

Mesmo depois de sofrerem prejuízo, muitas vítimas demoram para perceber o que aconteceu. Em 2026, 40% só identificaram o golpe após serem alertadas por outra pessoa ou instituição. Na edição anterior, esse percentual era de 34%.

A dificuldade amplia o risco de revitimização e aumenta a importância de ações preventivas, informação e mecanismos rápidos de bloqueio de transações suspeitas.

Recuperação do dinheiro ainda é baixa

O estudo também avaliou o papel de instituições no enfrentamento às fraudes. Bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas aparecem entre as organizações mais bem avaliadas pelos entrevistados em ações de prevenção e resolução.

A Febraban estima investimentos anuais de R$ 5 bilhões em segurança e prevenção a fraudes no sistema bancário.

Apesar disso, recuperar os valores perdidos continua sendo difícil. Somente 20% das pessoas que relataram perdas disseram ter recuperado total ou parcialmente o dinheiro por intermédio da organização à qual fizeram a denúncia.

Milhões não denunciam os golpes

No Brasil, 19% das vítimas não denunciaram o golpe sofrido. Na América Latina, metade das pessoas que deixou de registrar a ocorrência afirmou não saber a quem recorrer.

Outros fatores também contribuem para a baixa notificação, como a percepção de que denunciar não faria diferença, mencionada por 36%, e a avaliação de que o processo é complexo, citada por 28%.

Vergonha e receio de exposição também aparecem entre os motivos para que vítimas deixem de comunicar as fraudes às instituições responsáveis.

Impacto vai além do prejuízo financeiro

As consequências dos golpes digitais não se restringem às perdas econômicas. O estudo aponta que 76% das vítimas relataram impacto significativo ou moderado no bem-estar mental, contra 59% registrado na edição anterior.

O aumento reforça uma dimensão menos visível das fraudes, envolvendo ansiedade, insegurança e desconfiança após a experiência com criminosos.

Ao todo, a GASA estima que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro com golpes, acumulando prejuízo próximo de R$ 21,2 bilhões.

A perda média calculada pelo estudo foi de R$ 1.287 por pessoa. O valor é inferior aos R$ 99 bilhões estimados na edição anterior devido a mudanças metodológicas, incluindo maior validação das respostas, filtros para valores inconsistentes e confirmação adicional em casos de perdas mais elevadas.