A Senhora Maria Helena tem 51 anos, casada, cinco filhos, do lar e usa remédio para dormir. Diz que desde criança é muito sensível com as coisas, inquieta durante o seu dia-a-dia e PREOCUPADA com tudo. Todas as vezes que enfrenta um problema possui dificuldade de iniciar e manter o sono, tomando seu comprimido de diazepam. Atualmente os transtornos de ansiedade constituem um dos principais problemas de saúde mental, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. O Brasil destaca-se nesse cenário, ocupando o primeiro lugar entre os países com maior prevalência do uso de medicação ansiolítica, segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS. Esse dado revela uma demanda cada vez crescente por este tipo de estratégia terapêutica, sendo estes medicamentos, em especial os benzodiazepínicos, amplamente utilizados para o tratamento dos SINTOMAS. A popularização desses fármacos para ansiedade, contudo, não tem sido acompanhada por um uso racional e seguro, sendo comum a prescrição prolongada, muitas vezes sem acompanhamento por um especialista adequado, favorecendo quadros de dependência, tolerância e prejuízos cognitivos.
O uso prolongado e, em muitos casos, indiscriminado de ansiolíticos configura-se assim, como um problema de saúde pública. A facilidade de acesso, a automedicação produz ao médio e longo prazo o sofrimento integral e a fragilidade do indivíduo que contribuem para esse padrão de consumo. É uma prática epidemiológica, muito comum no manejo de estados emocionais e atuam como moduladores do sistema GABA, inibição neuronal dos receptores (down-regulation e uncoupling) e especialmente em circuitos hipocampais, promovendo efeito sedativos e anticonvulsivante, indicado para tratamentos de curta duração. No entanto, muitas pessoas ultrapassam períodos crónicos de dependência, aumentando os riscos de dependência química, perdas associadas aos processos cognitivos e psicossociais. Estudo realizados sócio-psicológicos observam que mulheres e idosos constituem os grupos mais vulneráveis para este quadro, lembrando que a cada segundo uma pessoa completa 60 anos no Brasil. O acesso fácil à medicação ansiolítica contribuem para a concentração irracional do uso, reforçando toda necessidade de vigilância farmacológica e uma reavaliação clínica, perante as reais CAUSAS diretamente associadas na utilização de psicotrópicos.
No Sistema Único de Saúde, houve uma crescimento de 20% na dispensação de benzodiazepínicos, especialmente clonazepam, diazepam e alprazolam. Esse aumento alerta para uma sociedade em euforia e com ausência de abordagens preventivas e mais integrativas, na oferta de estratégias interdisciplinares e políticas inclusivas de novos modelos que promovam ações mais eficientes. Como já mencionando em outros artigos, tratar apenas SINTOMAS não traduz uma clínica de resolutividade, mais de manutenção do paciente e o agravamento do sofrimento que atinge várias dimensões entre tantas familiar, profissional e social. Convivemos num contexto repleto de exigências, tanto intrapessoais e interpessoais recorrentes e cada vez mais se faz necessário o fortalecimento do SER HUMANO no enfretamento das demandas existenciais. O FOCO é essencialmente uma psicoeducação tanto individual e coletiva sobre “causas e sintomas”, sobre comportamentos repetitivos limitantes e neste ponto oriento para os estudos do Médico Psiquiatra Aaron Beck ( 1921-2021) e o “Método Cognitivo-comportamental”.
Uma visão resolutiva bastante utilizada nos países desenvolvidos são as “PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES - PICs”, reconhecidas por muitos conselhos federais e disponíveis nas Redes de Atenção Psicossocial. Como muitos exemplos terapêuticos, já deveriam ser mais utilizados por organizações públicas e privadas, sobre o fenômeno da proliferação acelerada do uso de ansiolíticos que afetam ao longo prazo a saúde emocional e física. A fragilidade dos métodos de cuidado e a baixa utilização de psicoterapias integrativas na atenção básica favorecem respostas centradas nos fármacos e intervenções estruturadas para descontinuidade do modelo reducionista biológico. A tendência ascendente do consumo no Brasil, com inclinação mais acentuada é evidente. Nos países norte-americanos e da Europa também crescem, porém com ações e contextos distintos. No Brasil, o aumento é vinculado à ampliação da dispensação no SUS, à automedicação e à insuficiência de cuidado integrativo, diferente em outros países onde as práticas terapêuticas são moderadas em “processos grupais de acolhimento e humanização, defendendo uma reorientação para ações de atenção participativa, estudo de etiologias genéticas e psicossociais, assim como intervenções que minimizam o uso abusivo diário do medicamento ansiolítico” (ALMEIDA, 2024). Embora os benzodiazepínicos possa ser introduzido no inicio do tratamento, na clinica psiquiátrica existem outros tipos de medicamentos (amitriptilina e nortriptilina) com bons resultados e menos riscos para cardiopatias incidentes.
Uma vida saudável emocionalmente é fundamental no presente e futuro! Pensando nisso vale umas dicas: Coloque em PRÁTICA seu auto-conhecimento e sua auto-estima admirando seus valores, deixando uns minutos para si mesmo, compreendendo mais suas emoções e seus relacionamentos para viver melhor; Tenha uma PSICOLOGIA POSITIVA e preserve uma mentalidade favorável ao seu bem-estar mental e físico, lembrando que plantar é colher; Se permita ter momentos de LAZER com familiares e amigos, isso ajuda a relaxar e ficar “off line”, afastando em pequenas doses as sobrecargas que rodeiam seu viver; Cultive ROTINAS de um vida equilibrada (alimentação, atividade física e organização profissional), promovendo uma sensação de tudo estar bem, seus objetivos alcançados e a missão cumprida para o sono tranquilo!
*Doutor em Saúde Humana e Terapias Integrativas - UniEnsino/PR e
Especialista em Psiquiatria e Saúde Mental - FAMART/MG