A cadeia da proteína foi um dos temas abordados durante a reunião do POD, realizada na manhã desta terça-feira, dia 04 de agosto, na sede da Acimacar, em Marechal Cândido Rondon. O encontro reuniu lideranças para discutir estratégias de desenvolvimento regional, com foco no futuro econômico do Oeste do Paraná.
Em entrevista concedida à Revista Especiais - assista em nosso canal do YouTube -, o presidente da Copagril, Eloi Darci Podkova, destacou que a região possui vocação natural para a produção de alimentos, mas precisa avançar em inovação, modernização e agregação de valor.
Segundo ele, o Oeste tem uma base produtiva forte, formada por produtores que trabalham, enfrentam dificuldades e continuam buscando crescimento. Para transformar essa força em maior rentabilidade, a produção de grãos precisa ser integrada às cadeias de proteína animal.
Eloi explicou que milho e soja, principais matérias-primas produzidas na região, ganham maior valor quando são transformados em ração e, posteriormente, em proteína animal.
Esse processo sustenta cadeias como suinocultura, avicultura, leite, peixe e outras atividades pecuárias. A lógica, segundo ele, é transformar a produção agrícola em alimentos de maior valor agregado, como carne, leite e derivados destinados ao consumidor final.
Para o presidente da Copagril, a região já tem aptidão para esse modelo, mas precisa continuar inovando para atender mercados cada vez mais exigentes no Brasil e no exterior.
A Copagril participa de diferentes cadeias por meio da intercooperação. Entre os exemplos citados estão a parceria com a Lar na cadeia de frangos, com a Copacol na cadeia de peixes e a participação societária na Frimesa.
Eloi afirmou que os mercados mundiais exigem escala, e que nem sempre faz sentido cada cooperativa construir estruturas industriais separadas para fazer a mesma coisa.
Segundo ele, a união entre cooperativas permite ganhar força, ampliar a capacidade de produção, atender exigências internacionais e garantir melhores resultados aos associados.
Para Eloi, o principal objetivo da Copagril é assegurar que o associado tenha ganho dentro dessa relação produtiva. A cooperativa, conforme destacou, existe em função de seus cooperados.
A produção precisa gerar resultado positivo tanto para a Copagril, dentro das estruturas de intercooperação, quanto para os produtores que integram a base da cooperativa.
O presidente afirma que a visão estratégica da Copagril é produzir matéria-prima de qualidade, entregar para a indústria e contribuir para que essa indústria transforme o produto e o coloque nos mercados consumidores.
Questionado sobre a possibilidade de a Copagril voltar, no futuro, a atuar diretamente em escala industrial na produção de proteína, Eloi afirmou que o momento atual não aponta para essa decisão, mas que nenhuma possibilidade deve ser descartada de forma definitiva.
Segundo ele, a cooperativa está bem servida nas parcerias atuais, mas pode refletir sobre novos caminhos conforme o mercado, a economia, a tecnologia e as demandas dos consumidores evoluam.
Para o presidente, há muitas oportunidades em torno da cadeia da proteína, mesmo sem participação direta em uma nova indústria. A Copagril pode contribuir com inovação, modernização, estruturas de apoio e soluções que fortaleçam produtores e parceiros industriais.
Eloi destacou que a viabilidade econômica dos produtores passa pela inovação no campo e nas granjas. Segundo ele, propriedades rurais precisam produzir mais e melhor no mesmo espaço, com genética, sanidade, tecnologia e manejo eficiente.
A ideia é transformar cada vez mais as propriedades em estruturas altamente produtivas, com processos organizados e visão empresarial.
Para isso, a cooperativa busca estimular o uso de tecnologias que melhorem produtividade, qualidade, sanidade e eficiência, tanto na área agrícola quanto na pecuária.
Um dos desafios apontados por Eloi é a falta de mão de obra nas propriedades rurais. Segundo ele, o problema já é percebido na região e também ocorre em países como Estados Unidos e na Europa.
Diante dessa realidade, a automação deve ganhar cada vez mais espaço nas granjas e propriedades. O objetivo não é substituir pessoas, mas viabilizar a produção diante da escassez de trabalhadores disponíveis para determinadas atividades.
Equipamentos, sistemas de manejo e novas tecnologias devem facilitar a rotina dos produtores e permitir que menos pessoas consigam produzir mais, com maior controle e eficiência.
Ao comentar a integração com o Programa Oeste em Desenvolvimento, Eloi afirmou que o POD propõe uma visão estratégica até 2040, com o objetivo de tornar o Oeste líder na cadeia da proteína e também em inovação.
Segundo ele, muitas propriedades já possuem alto grau de automação, mas a conectividade ainda precisa melhorar para que a tecnologia possa ser plenamente utilizada no campo.
Além disso, a região precisa avançar em logística, enfrentar desafios tributários, acompanhar mudanças econômicas e lidar com fatores climáticos que interferem na produção.
Para o presidente da Copagril, o futuro parece distante, mas está “logo ali”. Por isso, a região precisa plantar agora ideias, projetos e estratégias que permitam chegar melhor preparada aos próximos anos.
Eloi defende que produtores, cooperativas, empresas, poder público, instituições e sociedade participem das discussões do POD. Segundo ele, o desenvolvimento regional é uma construção coletiva e depende de diferentes contribuições.
A Copagril, conforme afirmou, permanece aberta a debates, sugestões e iniciativas que ajudem a fortalecer a cadeia produtiva e a construir uma sociedade mais justa.
Ao final, Eloi ressaltou que o Oeste do Paraná tem papel importante em um mundo que precisa de alimentos. Para ele, a região sabe produzir, mas precisa estar atenta ao que o consumidor nacional e internacional deseja.
O presidente afirmou que é necessário ouvir pessoas interessadas em construir soluções, sem interesses pessoais de poder, mas com visão voltada ao avanço da sociedade.
A reunião do POD em Marechal Cândido Rondon teve como proposta discutir caminhos estratégicos para o desenvolvimento regional, integrando lideranças, entidades, cooperativas, empresas e instituições.