Blogs e Colunas Escutar
Escutar melhor
Tarcísio Vanderlinde
03/08/2026 12h02
Por: Tarcisio Vanderlinde
A escuta é o solo onde a identidade se organiza, a filiação amadurece e a comunhão se torna possível. (Foto: IA)

“Levamos 2 anos para falar e 60 para aprender a ficar calado”. Frase atribuída ao escritor Ernest Hemingway”.

A formação do eu pede escuta profunda: de si, do outro e de Deus. Instituições, porém, operam prioritariamente pela fala: ensino, pregação, instrução, orientação.

Continua após a publicidade

Fala-se muito sobre Deus, mas escuta-se pouco o que está acontecendo no interior das pessoas. Sem espaços seguros de escuta, a identidade não se forma; ela se adapta.

As pessoas aprendem a dizer o que é esperado, não o verdadeiro. Com o tempo, o indivíduo religioso se distancia de si mesmo para permanecer no sistema.

O apóstolo Tiago ensina o modo saudável da formação da identidade; afirma que devemos ser tardios para falar. Isso não nega a importância da palavra, mas recoloca-a no lugar correto.

A palavra que não nasce da escuta tende a ser defensiva, moralizante ou controladora. A palavra que nasce da escuta torna-se formativa, integradora e geradora de vida.

No caminho da maturidade cristã, aprender a escutar é aprender a discernir a voz do Supremo Pastor. Essa escuta não se desenvolve em ambientes de ruído constante, pressão ou medo, mas em espaços onde o ser pode ficar em silencio diante de Deus e dos outros sem perder pertencimento.

A escuta é o solo onde a identidade se organiza, a filiação amadurece e a comunhão se torna possível. Sem escuta, há religião. Com escuta, transformação.

“Entendam isso, meus amados irmãos: estejam todos prontos para ouvir, mas não se apressem em falar nem se irar” (Tiago 1:19 NVT).

 

(Adaptado por T. H. Vanderlinde do livro “Quando o coração se torna inteiro” de autoria de Paulo Isidoro. Impacto Publicações, 2026)