A transição para uma economia de baixo carbono deverá mudar profundamente o perfil dos profissionais demandados pela indústria brasileira nos próximos anos. Um estudo do Observatório Nacional da Indústria (ONI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), identificou 16 perfis profissionais que devem ganhar relevância até 2035 e apontou lacunas na formação atual.
O levantamento será apresentado pela CNI nesta segunda-feira, 3 de agosto, durante a São Paulo Climate Week, no High-Level Roundtable on Green Skills and Jobs, evento voltado à discussão sobre transição justa e qualificação profissional para a economia de baixo carbono.
O documento mostra que a transformação industrial não se limita à adoção de novas tecnologias. O avanço da descarbonização exige profissionais com conhecimentos técnicos atualizados, competências em inovação, gestão da sustentabilidade e capacidade de desenvolver soluções ligadas à economia circular, digitalização, adaptação às mudanças climáticas e transição energética.
Segundo Marcello Pio, especialista em Política e Indústria da CNI, o país avançou na oferta de cursos em áreas como energias renováveis e gestão ESG, mas ainda apresenta deficiências em segmentos considerados estratégicos para a economia verde.
“Embora a oferta de cursos no país tenha avançado em áreas como energias renováveis e gestão ESG, identificamos lacunas em áreas emergentes, mas fundamentais para a economia verde. Entre elas estão inteligência artificial aplicada à sustentabilidade, rastreabilidade ambiental, gestão de riscos climáticos, armazenamento de energia, hidrogênio de baixo carbono, mercados de carbono e economia circular”, explica.
O estudo aponta que a formação profissional precisará acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e produtivas, aproximando cursos, currículos e capacitações das necessidades reais da indústria.
Como resultado do levantamento, o ONI identificou 16 perfis profissionais alinhados às demandas da transição para uma economia de baixo carbono. O mapeamento deverá permitir ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) atualizar seu portfólio de cursos para atender às novas exigências do setor.
Entre os perfis listados estão gestor de descarbonização corporativa, especialista em economia circular e valorização de recursos, analista de dados para sustentabilidade, especialista em cadeias de suprimentos sustentáveis e gestor de riscos climáticos e resiliência.
Também aparecem especialistas em tecnologias para transição energética, hidrogênio verde e combustíveis de baixo carbono, inteligência artificial aplicada à sustentabilidade, rastreabilidade ambiental, finanças verdes, transformação verde organizacional, materiais sustentáveis, eficiência energética, armazenamento de energia, consultoria ESG e educação para cultura da sustentabilidade.
Para acompanhar esse movimento, o SENAI tem atualizado seus perfis profissionais com competências ligadas à transição verde.
A instituição também ampliou a oferta de formações e programas de capacitação em áreas como energia solar, eficiência energética, gestão ambiental, economia circular, hidrogênio de baixo carbono, ESG e manufatura sustentável.
A estratégia combina cursos modulares, microcredenciais e atualização permanente dos currículos. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de competências específicas e ampliar a capacidade das empresas de qualificar trabalhadores de acordo com as necessidades do setor produtivo.
A CNI participa da programação da São Paulo Climate Week entre os dias 3 e 5 de agosto, com debates sobre transição justa, mercado de carbono, combustíveis sustentáveis, descarbonização da indústria e preparação do setor privado para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia.
Segundo Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, a participação na semana climática integra a preparação da entidade para as discussões internacionais.
“A SP Climate Week é mais uma etapa da atuação da CNI na preparação para a COP31. Ao longo deste ano, participamos de agendas internacionais importantes, como as negociações de Bonn e a London Climate Action Week, fortalecendo o diálogo sobre temas centrais para a indústria, como energia, mercado de carbono e descarbonização. Esse é um processo contínuo de construção de propostas e articulação, que ganha força à medida que nos aproximamos da COP31”, afirma.
Nesta segunda-feira (3), além da apresentação do estudo, a CNI promove, à tarde, um encontro da Sustainable Business COP (SB COP), iniciativa coordenada pela entidade que reúne lideranças empresariais de mais de 60 países para fortalecer a contribuição do setor privado às negociações da COP31.
Na terça-feira (4), a CNI participa de evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) sobre os desafios para a implementação do mercado regulado de carbono no Brasil.
A programação será encerrada na quarta-feira (5), com participação em encontro promovido pelos High-Level Climate Champions, no Aya Hub, sobre a conexão entre o legado da COP30 e as prioridades da COP31. Na sequência, a CNI realiza mesas-redondas sobre aço de baixo carbono e estratégias para ampliar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis.