Mundo Diplomacia
Parlamento paraguaio reage a fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança
Declaração do presidente brasileiro durante visita a empresa de defesa em São Paulo provocou reação de deputados e senadores paraguaios, que acusam distorção histórica sobre o conflito
31/07/2026 08h56
Por: João Livi
Câmara de Deputados do Paraguai aprovou a elaboração de declaração oficial de repúdio a fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança. (Foto: Divulgação)

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança provocou forte reação política no Paraguai. Parlamentares paraguaios repudiaram a fala do presidente brasileiro, feita durante visita a uma empresa de defesa e aeroespacial em Jacareí (SP), no dia 24 de julho, quando Lula afirmou que, “um belo dia, o Paraguai resolveu invadir o Brasil”, em referência ao conflito de 1864 a 1870. 

A manifestação ganhou força no Congresso Nacional paraguaio e na Câmara dos Deputados do país. O presidente da Câmara de Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, afirmou que Lula tratou com “leviandade” o que classificou como a maior tragédia da história paraguaia e o maior genocídio do continente. 

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Durante sessão ordinária, a Câmara de Deputados do Paraguai aprovou a elaboração de uma declaração oficial de repúdio às expressões do presidente brasileiro sobre a Guerra da Tríplice Aliança. A medida formaliza a posição política dos parlamentares diante da fala de Lula e amplia o impacto diplomático do episódio. 

Reação no Paraguai

A crítica dos parlamentares paraguaios se concentra na interpretação apresentada por Lula sobre o início do conflito. Para lideranças do país vizinho, a declaração do presidente brasileiro reduz a complexidade histórica da guerra e ignora os efeitos devastadores sofridos pelo Paraguai.

Raúl Latorre afirmou que a Guerra da Tríplice Aliança teve início com a intervenção militar do Brasil no Uruguai e deixou o Paraguai devastado. Segundo reportagens paraguaias e portuguesas, parlamentares também citaram perdas populacionais severas durante o conflito

O presidente do Congresso Nacional do Paraguai, senador Basilio Núñez, também reagiu às declarações e pediu “respeito” e “sensibilidade” de Lula em relação à história paraguaia. A manifestação foi registrada após o presidente brasileiro defender investimentos militares durante visita a uma fábrica de munições em São Paulo. 

Nota de repúdio

A Câmara de Deputados paraguaia aprovou a redação de um projeto de declaração oficial para registrar repúdio às falas de Lula. O texto busca estabelecer uma posição institucional do Legislativo paraguaio sobre o episódio e reforçar a leitura do país vizinho sobre a memória histórica da guerra. 

A reação parlamentar também reacendeu discussões sobre símbolos ligados ao conflito. Entre os pontos levantados por legisladores paraguaios está a defesa da devolução de troféus de guerra que ainda estariam em poder do Brasil, incluindo referências ao canhão El Cristiano.

O episódio ocorre em meio a uma relação bilateral historicamente marcada por temas sensíveis ligados à memória da guerra, à cooperação regional e aos interesses comuns entre Brasil e Paraguai.

Fala ocorreu em contexto militar

A declaração de Lula ocorreu durante visita às instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí, quando o presidente defendia investimentos na área militar brasileira. Na ocasião, ele citou a Guerra da Tríplice Aliança para justificar a importância de o país manter capacidade de defesa. 

A frase provocou reação imediata de parlamentares paraguaios, que avaliaram a fala como tentativa de reescrever ou simplificar a história do conflito.

Com a aprovação da declaração de repúdio, o tema passa a ter registro formal no Legislativo paraguaio e mantém aberta uma tensão política em torno da memória da Guerra da Tríplice Aliança.