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Cuidar da saúde integral é viver melhor!
* Prof. Dr. Roberto de Oliveira
28/07/2026 07h11
Por: Roberto de Oliveira

     Toda pessoa tem uma vida passada e as memórias dos acontecimentos que ocorreram ao longo do tempo. Viveu, aprendeu e experimenta o presente, bem como o futuro  que deposita seus sonhos, expectativas e suas crenças que influenciam na realização pessoal e profissional. Muitas vezes, podem existir situações inesperadas que impactam seu bem-estar e a qualidade de vida em virtude de um problema de saúde. Cada indivíduo tem responsabilidades, papeis e identidades constituídas pelas conquistas no contexto familiar, profissional e social, definindo seus valores e dignidade no mundo. Também possui direitos e possibilidades de contribuir melhor como pai, mãe, filho, trabalhador, irmão, irmã, amigo, etc. A vivência de cada um envolve diferentes relações de possibilidades, de afeto e conexão emocional, podendo ser prejudicados pelo agravo e fragilidade psíquica e física. Todos trabalham para sustentabilidade e prosperidade que define suas motivações, seus desejos e planos que fazem ao longo da vida.

      Ao se deparar com um problema de saúde tudo modifica e tudo fica parado! As coisas que estão bem e seguindo cessam, as pessoas são privadas de qualquer uma ou de várias esferas de relação e, ao não compreender  isso, pode causar um sofrimento ainda maior. Quantos sabem e vivem está realidade! Todos tem um organismo físico e  estruturas mentais   compostas de sistemas complexos, genéticos e psicofisiológicos. Possuem hábitos, comportamentos regulares dos quais muitos são automatizados, não se dando conta daquilo que pode afetar diretamente o que representa para si e para os outros um sentido integrativo. Um estudo demonstra que 70% dos problemas que atingem o corpo provém de padrões emocionais e caraterísticas da personalidade. É interessante, bem como perceber que algumas crenças fazem as pessoas adoecer e seguirem as vezes um caminho da severidade. A psicologia compreende a personalidade por aquilo que “pensamos, sentimos e fazemos”, definindo cada fase da vida por estes tão importantes fatores e a perspectiva de cuidar mais de forma inteligente de sua autoestima e qualidade de vida.    

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        Pois bem, diante destes pressupostos, emerge um paradigma conceitual que envolve SAÚDE e DOENÇA. Assim, deixando os discursos de lado, vamos diretamente ao ponto para entender como tudo na sociedade acontece. A SAÚDE significa literalmente “bem-estar ou seja estar bem”. A pergunta maior: “ Eu sinto que estou bem mentalmente, fisicamente e socialmente?” Portanto, quando questionamos essa situação estamos tratando de  PREVENIR”  aquilo que podemos fazer para evitar o adoecimento, cuidando da educação alimentar, atividade físicas adaptativas, higiene do sono e estabilidade emocional, dai vivemos BEM. Um projeto de vida  inteligente que promova cuidados maiores e integrais ao longo do tempo segue na direção da longevidade. Saúde vêm ANTES e não DEPOIS, devendo ser essas a decisão  mais importante para cada pessoa, organizações e politicas sociais. Nos países desenvolvidos  são realizados investimentos expressivos de conscientização sobre como preservar o BEM-ESTAR e cuidar melhor  da mente e do corpo. Nas organizações representa maior produtividade, nas instituições públicas mais  economia e socialmente maior estabilidade. A saúde preventiva quando realizada no sentido efetivo de evitar, ao contrário da doença que é tratamento e custos, modifica muito o projeto assistencial predominante no contexto nacional. Cabe ressaltar que tudo é um processo histórico, com horizontes de longo prazo para ressignificação dos modelos existentes.

         Neste conjunto de saberes, a coesão com estes princípios muda tudo! Quando falamos de Atenção Básica deveríamos estar tratando de proteger indivíduos dos agravantes tanto em saúde mental, quanto física. E muitas contribuições podem ser feitas, possibilitando concepções positivas e participativas na construção de planejamentos de interesse e participação coletiva. No Brasil consumimos 6 bilhões de embalagem de medicamentos, superando 160 bilhões de reais por ano.  A automedicação já supera os 70% dos brasileiros e pesquisas no campo da epidemiologia apontam que quase metade da população adulta faz uso regular de algum tipo de medicamento. Temos um crescimento de 11,3% no consumo farmacológico anualmente, sendo todo este cenário uma expressão aguda do sistema atual. Estamos entre os 10 países que mais utilizam remédios no mundo, impulsionados por ser líder global em número de farmácias por habitante.

       Portanto, rever o futuro pressupõe práticas para reduzir os danos sociais e econômicos na valorização da vida e lidar com as “causas” do adoecimento, não apenas atender  consequências dos problemas e a  vulnerabilidade de indivíduos, famílias e organizações,  perante uma sociedade que necessita de reconfigurações urgentes. No campo da saúde mental devemos olhar a realidade pelo uso das medicações psicotrópicas  cada vez maior, conforme pesquisas específicas e coletivas dimensionando  grandes prevalências e incidências. São indicadores clínicos que demonstram as evidências dos riscos pelo qual devemos prescrever métodos e investimentos mais eficazes direcionados para as pessoas e o ambiente onde são inseridos. O Pacto com a saúde preventiva em dimensões abrangentes resume-se em aumentar toda acuidade para as diferentes formas de fortalecer o bem-estar de indivíduos e da responsabilidade social projetos realizados.

          Os esforços de humanizar o trabalho, serviços públicos  e sociedade continuam presentes.  Estamos num momento profundo de reflexão, olhar mais para o “interior” do que o exterior das pessoas e aprender diante das turbulências os melhores caminhos que levam para superação das complexidades, integrando juízos mais consistentes para qualidade de vida e protagonismos de transformação no âmbito de favorecer mais a SAÚDE como propósito primário das governanças sustentáveis. Por muito tempo capacitamos pessoas, potencializamos seu valores e transferimos conhecimentos para uma vida melhor, devemos continuar, com um perigo de modificar este esforços para promover ambientes e critérios que são consequentes do SER humano. A singularidade genética e a história individual, continuam sendo o GRANDE desafio das interações clinicas, evitando as generalizações. As pequenas mudanças nos modelos de desenvolvimento são significativas para as gerações futuras, promovendo SAÚDE INTEGRATIVA como antídoto de um mundo que necessita esperança e progresso!

 

*Especialista em Psiquiatria Clínica e Saúde Mental - FAMART/MG e Doutor em Saúde Humana - UniEnsino/PR

 

 As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial da Revista Especiais.