O prazer do elogio não é orgulho. A criança que recebe um tapinha nas costas por fazer bem o dever de casa, a mulher cuja beleza é elogiada pelo marido, a alma salva para quem Cristo diz "Muito bem": todos ficam contentes, e têm todo o direito de ficar.
Em cada uma dessas situações, as pessoas não se comprazem naquilo que são, mas no fato de terem agradado a alguém que (pelos motivos corretos) queriam agradar.
[...] É por isso que a vaidade, embora seja o tipo de orgulho mais visível no exterior, é também o menos grave e mais facilmente perdoável.
A pessoa vaidosa deseja demais o elogio, o aplauso, a admiração, e está sempre em busca dessas coisas. É uma distorção - mas é uma distorção quase infantil e (estranhamente) bastante modesta.
Demonstra que a pessoa não está inteiramente satisfeita com a admiração que nutre por si mesma. Levando em conta a opinião alheia, ela mostra que ainda valoriza um pouco as outras pessoas. Em resumo, ela ainda é humana.
O problema começa quando você deixa de pensar "Eu o agradei: tudo está bem", e substitui esse pensamento por outro: "Eu sou mesmo uma pessoa magnífica por ter feito isso."
[...] Quanto mais você se compraz em si mesmo e menos no elogio, pior você fica. Quando todo o seu deleite vem de você mesmo e você não se importa mais com o elogio, chegou ao fundo do poço.
(Adaptado por T. H. Vanderlinde da obra “Cristianismo puro de simples de C. S. Lewis (1898-1963). Lewis é autor da notável série literária “As crônicas de Nárnia”.
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