Agronegócio Zarc do milho
Novo Zarc do milho altera janelas de plantio e terá projeto-piloto no Paraná
Atualização considera seis classes de retenção de água no solo e dados climáticos mais recentes; manejo também poderá influenciar o seguro rural
15/07/2026 11h51
Por: João Livi Fonte: Assessoria
Atualização do Zarc do milho considera novas classes de retenção de água no solo e dados climáticos mais recentes. (Imagem: Embrapa Agricultura Digital)

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) do milho foi atualizado para refletir as mudanças observadas no clima e as diferenças entre os solos das regiões produtoras. As novas regras abrangem todos os estados e já foram publicadas no Diário Oficial da União.

O trabalho também inclui a revisão do zoneamento para o consórcio milho-braquiária. Para a safra 2026/2027, Paraná e Mato Grosso do Sul receberão ainda um projeto-piloto que relacionará o risco climático à qualidade do manejo adotado em cada propriedade.

Continua após a publicidade

Seis classes de solo

Uma das principais mudanças está na classificação dos solos. Até então, o Zarc trabalhava com três grupos: arenoso, médio e argiloso. Agora, serão utilizadas seis classes definidas pela quantidade de água disponível, variando de AD1, com menor retenção, a AD6, com maior capacidade de armazenamento.

A alteração permite avaliar com mais precisão a disponibilidade de água para as plantas. Um solo argiloso, por exemplo, não apresenta necessariamente alta retenção. A proporção entre areia, silte e argila também interfere nesse resultado.

Segundo o pesquisador Maurilio Fernandes de Oliveira, da Embrapa Milho e Sorgo, a maioria das áreas agrícolas brasileiras costuma ficar entre as classes AD3 e AD5, consideradas suficientes para o cultivo do milho.

Dados climáticos atualizados

A revisão incorporou nove anos adicionais de registros, aumentou o número de estações meteorológicas consultadas e aprimorou as informações sobre chuva e temperatura.

O cálculo do risco considera séries históricas de 30 anos com dados de temperaturas máxima, mínima e média, precipitação e evapotranspiração. Características da cultura e do solo completam a análise.

Para Balbino Evangelista, analista de geoprocessamento da Embrapa Cerrados, a combinação mais detalhada dessas informações aproxima o zoneamento das condições atuais enfrentadas pelos agricultores.

Mudanças no calendário

As novas análises alteraram algumas janelas recomendadas para a semeadura. Na primeira safra, determinadas regiões tiveram atraso de pelo menos dez dias no início do período indicado.

Na segunda safra, partes do Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste registraram redução da janela devido à distribuição irregular das chuvas, ao aumento das temperaturas e à maior perda de água por evapotranspiração.

No Sul, o movimento foi diferente em algumas áreas. Locais antes limitados pelo frio passaram a contar com períodos mais amplos para o plantio, diante da redução do risco de geadas e temperaturas muito baixas.

O Zarc orienta o produtor sobre as épocas de menor risco para cada município, tipo de solo e ciclo da cultivar. As informações também são utilizadas na contratação de crédito e seguro rural.

Milho com braquiária

O zoneamento do consórcio milho-braquiária foi publicado para estados que possuem tradição e condições adequadas ao sistema, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

As janelas são as mesmas estabelecidas para o milho cultivado sozinho. O cálculo parte do entendimento de que a semeadura simultânea das duas culturas, quando conduzida corretamente, não provoca competição por água capaz de reduzir a produtividade do milho.

A Embrapa recomenda escolher a espécie forrageira e o método de implantação conforme a finalidade do consórcio, utilizar sementes de braquiária com boa pureza e germinação e manter o controle de plantas daninhas antes e durante o cultivo.

A palhada ajuda a conservar a umidade, acrescenta matéria orgânica, favorece o aprofundamento das raízes e protege o solo. O manejo inadequado, por outro lado, pode criar competição entre o milho e a forrageira.

Manejo será testado no Paraná

A safra 2026/2027 marcará o primeiro teste do Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) para o milho. O projeto-piloto será aplicado na segunda safra do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

A avaliação observará seis indicadores, entre eles o tempo sem revolvimento do solo, o percentual de cobertura, a saturação por bases, o teor de cálcio, a saturação por alumínio e a diversidade de cultivos nos últimos três anos.

Com essas informações, cada talhão será enquadrado em uma escala de manejo de 1 a 4. No piloto, a subvenção do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural será de 40% para o nível NM1, 45% para o NM2 e 50% para os níveis NM3 e NM4.

A proposta é reconhecer, no cálculo do seguro, práticas que tornam o solo mais preparado para enfrentar períodos de estiagem ou excesso de chuva.