As taxas de juros mais atrativas são o principal motivo para empresas industriais buscarem crédito nos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs). Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (15), mostra que 94% das indústrias que solicitaram recursos entre 2022 e 2025 apontaram os juros como o maior atrativo.
O dado chama atenção porque, no crédito tradicional, o custo do financiamento costuma aparecer como um dos maiores obstáculos para as empresas. Nos fundos constitucionais, a política pública parece aliviar esse gargalo, embora ainda existam entraves importantes no caminho até a contratação.
O que trava o acesso
A pesquisa indica que 38,1% das indústrias não conhecem os fundos. Entre as empresas que conhecem a política, mas não solicitaram crédito, 38,5% citaram a burocracia ou a demora do processo como principal barreira.
A falta de informação suficiente sobre os FCFs também aparece como obstáculo, empatada com a falta de necessidade de crédito no período, ambas com 28,2%.
Outro ponto sensível está nas garantias exigidas pelos bancos operadores. Para 56% das empresas que tentaram contratar crédito, as exigências foram razoáveis. Mas 38% consideraram que as instituições financeiras pediram garantias em excesso.
Investimento produtivo
O uso dos recursos mostra que a indústria tem buscado os fundos principalmente para investir. Entre as empresas que solicitaram crédito, 56% queriam comprar máquinas e equipamentos. Outros 22% buscavam construir, modernizar ou instalar planta, fábrica ou armazém.
Apenas 18% procuraram os fundos para capital de giro, usado no dia a dia da operação, como pagamento de salários, impostos e despesas correntes.
Para a CNI, esse perfil está alinhado ao objetivo da política pública, já que investimentos em máquinas, estrutura e tecnologia tendem a elevar produtividade e competitividade.
Resultado positivo
Entre as empresas que conseguiram crédito, 88,6% avaliaram o impacto dos recursos como positivo. Os principais efeitos citados foram a viabilização da compra de máquinas e equipamentos, expansão física da empresa e geração de empregos.
Mais da metade das empresas, 52%, conseguiu contratar o valor de que precisava. Outras 32% obtiveram crédito, mas em montante inferior ao necessário. Apenas 10% tentaram contratar e não conseguiram nenhuma operação.
Informação ainda é desafio
Mesmo com avaliação positiva entre quem acessou os recursos, o desconhecimento segue como gargalo. Entre as empresas que conhecem os fundos, 88,5% disseram que considerariam solicitar crédito no futuro. No total da amostra, porém, esse percentual cai para 52,4%, justamente porque muitas indústrias ainda não conhecem a política.
A pesquisa ouviu 147 empresas industriais nas áreas de abrangência dos fundos: Centro-Oeste, Norte, Nordeste e municípios elegíveis de Minas Gerais e Espírito Santo.