Cidades Segurança
Moradores relatam avanço do tráfico e cobram resposta nos bairros Augusto I e II
Audiência pública na Câmara de Marechal Cândido Rondon reuniu comunidade, vereadores, forças de segurança e representantes da rede pública após queixas sobre furtos, arrombamentos, uso de drogas e prostituição
01/07/2026 12h50
Por: João Livi
Audiência pública na Câmara de Marechal Cândido Rondon reuniu moradores, vereadores e autoridades para discutir segurança nos bairros Augusto I e II. (Foto: Divulgação)

A Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon realizou, na noite de terça-feira, 30 de junho, uma audiência pública para discutir a situação de segurança nos bairros Augusto I e II e regiões próximas. Moradores relataram aumento de furtos, arrombamentos, tráfico de drogas, prostituição e ocupação de espaços públicos por usuários.

Os depoimentos indicaram preocupação crescente da comunidade com a circulação de pessoas em situação de dependência química e com a formação de pontos de consumo de drogas em locais como pista de bicicross, calçadas e pontos de ônibus. Durante a audiência, moradores afirmaram que passaram a restringir a própria rotina por medo da criminalidade.

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Um dos participantes comparou a situação local às cenas associadas à "cracolândia" de grandes centros urbanos. Outro relato, feito por uma mãe, expôs o impacto do problema sobre crianças e famílias que vivem no entorno das áreas mais afetadas.

Moradores pedem providências

A audiência foi proposta pelo Poder Legislativo e presidida pelo vereador Policial Fabio. Também participaram os vereadores Sargento Spohr, Coronel Welyngton, Carlinhos Silva, Iloir Padeiro, Juliano Oliveira, Marciane Specht, Marciel Escher, Rafael Heinrich, Tania Maion e Cristiano Metzner, o Suko, que reassumiu cadeira na Casa de Leis.

O encontro contou ainda com a presença do delegado da Polícia Civil, Anderson Santana; do comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, Paulo Rolon de Lima; do vice-prefeito Vanderlei Sauer; do secretário de Saúde, Leandro Dalamaria; do capitão Lucas Gabriel Schlogl, do Corpo de Bombeiros; do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Fernando de Oliveira; além de representantes do CAPS e do CREAS.

Para o vereador Coronel Welyngton, os relatos apresentados configuram um pedido de socorro da comunidade. Já o vereador Policial Fabio destacou a defasagem no efetivo da Polícia Militar, afirmando que o município, com cerca de 60 mil habitantes, conta com apenas quatro policiais militares de plantão para o patrulhamento.

Polícia cita reincidência

As autoridades de segurança informaram que as ações nos bairros serão intensificadas, mas apontaram limitações estruturais e legais para o enfrentamento do problema. A reincidência de furtos e a soltura de pessoas presas em flagrante foram citadas como obstáculos recorrentes.

O comandante da Polícia Militar, Paulo Rolon de Lima, afirmou que o trabalho policial muitas vezes se torna repetitivo diante da rápida volta de suspeitos às ruas. Ele mencionou o caso de uma pessoa conhecida por furtos frequentes que, segundo relatou, voltou a praticar crime logo após deixar a delegacia.

O delegado Anderson Santana também citou situações em que presos por tráfico foram liberados por decisão judicial no dia seguinte à prisão. Segundo ele, em um dos casos, um casal detido com 260 g de crack foi colocado em liberdade.

Ação integrada

Polícia Civil e Polícia Militar destacaram que o problema não se limita à atuação policial. A avaliação apresentada é de que a dependência química, a permanência de usuários em espaços públicos e a reincidência criminal exigem participação da saúde pública, assistência social, Judiciário, Ministério Público e comunidade.

As forças de segurança também informaram que a dinâmica dos pontos de consumo e tráfico é cíclica. Quando há atuação em determinada área, usuários e traficantes tendem a se deslocar para outros locais.

Ao final da audiência, os comandantes das Polícias Civil e Militar se comprometeram a reforçar as ações e pediram colaboração da população com denúncias. Os canais informados foram 190 para emergência, 181 para denúncia anônima, WhatsApp da Polícia Militar pelo número (41) 99952-21388 e telefone da Polícia Civil pelo número (45) 3284-8450.

A deliberação final foi pela elaboração de um relatório com as demandas e sugestões apresentadas. O documento será encaminhado pelo Poder Legislativo a autoridades municipais, ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.