Empreender Indústria
Exportações da indústria têm primeira previsão de queda em 2026
Sondagem Industrial da CNI mostra recuo nas expectativas dos empresários após proposta de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros
24/06/2026 08h30
Por: João Livi Fonte: CNI
Sondagem Industrial da CNI mostra que empresários passaram a projetar queda nas exportações da indústria após proposta de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. (Foto: Divulgação/CNI)

Os empresários da indústria brasileira passaram a projetar queda nas exportações para os próximos seis meses, segundo a Sondagem Industrial divulgada nesta terça-feira, dia 23, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). É a primeira vez em 2026 que o indicador de expectativa para vendas externas fica abaixo da linha que separa alta de queda.

O movimento ocorre após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Mesmo sem confirmação da medida, a possibilidade de aumento da taxação já impactou a avaliação do setor industrial sobre o comportamento das exportações no segundo semestre.

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Em junho, o índice de expectativa de quantidade exportada caiu 1,5 ponto, passando de 51,2 pontos para 49,7 pontos. Pela metodologia da pesquisa, valores abaixo de 50 pontos indicam expectativa de queda.

Efeito das tarifas

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que a simples possibilidade de nova taxação pelos Estados Unidos foi suficiente para alterar o humor dos empresários industriais.

“Embora a taxação proposta ainda não esteja confirmada, a possibilidade de isso ocorrer mexe com as expectativas dos empresários em relação às exportações, uma vez que os Estados Unidos são o principal destino dos produtos industriais brasileiros”, avalia.

A queda do indicador interrompe uma sequência em que os empresários ainda esperavam crescimento das exportações, mesmo que em ritmo moderado.

A mudança de perspectiva reforça a sensibilidade da indústria brasileira a medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, mercado estratégico para os produtos manufaturados do país.

Demanda e insumos

Além das exportações, outros indicadores de expectativa também recuaram em junho.

O índice de expectativa de compra de insumos caiu 0,9 ponto, de 52,6 pontos para 51,7 pontos. Já o indicador de expectativa de demanda por produtos industriais diminuiu 0,7 ponto, passando de 53,4 pontos para 52,7 pontos.

Apesar das quedas, ambos permanecem acima da linha de 50 pontos, o que indica que os empresários ainda esperam aumento na compra de matérias-primas e na demanda por bens industriais nos próximos seis meses.

A leitura, no entanto, mostra que essa expectativa de crescimento perdeu força e ficou menos disseminada entre as empresas.

Emprego estável

A perspectiva para contratação de trabalhadores teve pouca variação no levantamento.

O índice de expectativa do número de empregados passou de 50,4 pontos para 50,5 pontos, mantendo um cenário de estabilidade moderada para os próximos meses.

O resultado indica que, apesar da piora em exportações, demanda e insumos, os empresários ainda não projetam uma mudança expressiva no quadro de pessoal.

Investimentos recuam

A queda nas expectativas também afetou a intenção de investir.

O índice que mede a disposição dos empresários para novos aportes caiu 1,3 ponto em junho, passando de 54,8 pontos para 53,5 pontos. O resultado reverte a alta de 1,1 ponto registrada em maio.

Mesmo com o recuo, o indicador permanece 0,9 ponto acima da média histórica, o que mostra que a intenção de investimento continua positiva, embora em ritmo menor.

Produção ainda em queda

A Sondagem Industrial também avaliou o desempenho recente da atividade.

Em maio, o índice de evolução da produção industrial subiu 2,2 pontos e chegou a 48,9 pontos. Apesar da melhora, o indicador continuou abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando queda da produção em relação a abril.

Nos cinco primeiros meses do ano, a produção industrial avançou apenas em março.

O índice de evolução do número de empregados caiu 0,3 ponto, para 48,4 pontos, indicando redução no total de trabalhadores do setor em relação ao mês anterior.

Capacidade instalada

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu 1,0 ponto percentual, passando de 68% para 69%.

O avanço acompanhou a melhora relativa da produção industrial, mas o patamar ainda ficou abaixo do observado em maio do ano passado.

A pesquisa também mostrou que os estoques das fábricas se aproximaram do nível planejado pelos empresários. O índice de estoque efetivo-planejado aumentou 0,5 ponto e chegou a 49,4 pontos.

Ainda abaixo da linha de 50 pontos, o indicador revela que os estoques permanecem menores que o desejado, embora mais próximos do planejamento das indústrias.

Pesquisa

A edição da Sondagem Industrial ouviu 1.383 empresas entre os dias 1º e 12 de junho de 2026.

Do total, 575 são pequenas, 474 médias e 334 grandes empresas.

O levantamento acompanha a percepção dos empresários sobre produção, emprego, estoques, utilização da capacidade instalada, investimentos e expectativas para os próximos meses.