Empresários em Marechal Cândido Rondon e proprietários da Casa do Eletricista, Rudi Schmitz e Elenita encontraram no turismo sobre rodas uma nova forma de viver experiências, conhecer lugares e criar vínculos de amizade. Depois de anos dedicados à empresa, o casal decidiu realizar um antigo sonho, comprou o primeiro motorhome, depois adquiriu um segundo veículo maior e hoje percorre estradas do Paraná junto a outros caravanistas.
A história dos dois se conecta diretamente ao Circuito Caminhos do Paraná, projeto que busca passar pelos 399 municípios do Estado, incentivando o turismo, apresentando o universo dos motorhomes à população e aproximando viajantes das comunidades visitadas.
Em entrevista ao portal da Revista Especiais, Rudi e Elenita falaram sobre a origem da paixão pelos motorhomes, a adaptação a uma casa compacta, os custos da estrada, os cuidados com segurança e o valor das amizades construídas ao longo das viagens.
Rudi conta que o interesse por motorhomes já existia havia bastante tempo, mas a decisão ganhou força a partir de uma necessidade familiar. Uma das filhas participava de provas de três tambores em rodeios pela região, e a família precisava de uma estrutura que permitisse acompanhar os eventos com mais conforto.
O motorhome passou a oferecer a possibilidade de fazer refeições, tomar banho, descansar e manter uma rotina básica durante os deslocamentos. Para Rudi, a experiência representa uma casa fixa em estrutura, mas itinerante na prática.
A partir do primeiro veículo, o casal foi ampliando a vivência nas estradas. Com o tempo, veio o segundo motorhome, maior e mais confortável, adaptado às necessidades das viagens atuais.
Elenita afirma que a troca da casa ampla por uma casa sobre rodas não foi difícil. Segundo ela, mesmo em espaço reduzido, o motorhome reúne praticamente tudo o que existe em uma residência convencional, como cama, geladeira, micro-ondas, fogão, armários, televisão, cozinha interna e externa.
O veículo atual oferece ainda uma estrutura mais espaçosa do que o primeiro, com slide que amplia a sala, sofá separado e mesa. Para Elenita, a adaptação ocorreu de forma tranquila, especialmente pelo prazer de viajar, encontrar amigos e viver novas experiências.
“Eu achava que não ia conseguir me adaptar dentro desse espaço, mas, com o passar do tempo, você vai viajando, vai vendo os amigos, e se acostuma”, relatou.
A mudança de rotina não significou afastamento total da Casa do Eletricista. Rudi explica que a transição é parcial. O casal viaja, retorna, acompanha a empresa e continua monitorando as atividades.
Segundo ele, a equipe está preparada, conhece os processos e permite maior autonomia ao negócio. As filhas também foram inseridas na rotina administrativa ao longo dos anos, o que possibilitou ao casal delegar responsabilidades e aproveitar melhor as viagens.
A maior parte do tempo ainda é passada em Marechal Cândido Rondon, mas o envolvimento com o Circuito Caminhos do Paraná ampliou a presença do casal nas estradas.
Para Elenita, a vida na estrada se tornou uma experiência marcante. Ela relata que, quando passa muito tempo em casa, já começa a perguntar sobre a próxima viagem. A mala, segundo ela, costuma estar pronta para o próximo roteiro.
Um dos pontos mais valorizados é o convívio com outros viajantes. No circuito, o grupo cria uma rotina coletiva, com café da manhã comunitário, partilha de alimentos e ajuda mútua nas tarefas do dia a dia.
“É uma família enorme. A gente conhece gente de todo lugar. De manhã, cada um leva uma térmica de café, um pedaço de pão, queijo, o que tiver, e faz aquela mesa enorme”, contou Elenita.
Quando questionada sobre o maior luxo dentro do motorhome, Elenita apontou para fora do veículo. Para ela, o maior valor da experiência está nos amigos, na convivência e nas relações construídas pelo caminho.
O casal afirma que, nas viagens, todos se ajudam. Seja para montar uma mesa, puxar um fio, resolver um problema no pneu ou auxiliar em alguma instalação, o grupo atua de forma colaborativa.
Rudi também destaca que o espaço físico pode ser pequeno, mas é suficiente para viver bem. O essencial, segundo ele, é a liberdade de estar onde se quer, no tempo possível e com segurança.
Rudi afirma que uma das principais preocupações de quem viaja de motorhome é encontrar locais seguros para pernoitar. Nesse ponto, o Circuito Caminhos do Paraná tem papel importante, ao dialogar previamente com governos municipais para viabilizar pontos de apoio.
A proposta é que as cidades disponibilizem locais com energia, água e condições básicas para estacionamento temporário. O objetivo não é permanecer por longos períodos, mas criar pontos de passagem para quem viaja.
Segundo Rudi, alguns municípios já possuem estruturas prontas, embora nem sempre divulgadas. Ele cita também postos 24 horas e estacionamentos de redes comerciais como alternativas seguras para paradas durante deslocamentos.
Durante a passagem do Circuito Caminhos do Paraná por Marechal Cândido Rondon, o casal destacou a importância do ponto de apoio criado no município. A estrutura conta com cadastro por QR Code e permite permanência de até três dias.
Para Rudi, a iniciativa organiza o uso do espaço e oferece segurança para os viajantes. Ele também ressalta que o grupo tem cuidado com o local onde permanece e evita deixar qualquer tipo de sujeira ou rastro negativo.
“O nosso vestígio vai ficar na memória do povo rondonense, não no chão ou na grama”, afirmou.
Rudi e Elenita já passaram por cerca de 70 municípios paranaenses dentro do circuito e de outras viagens. O casal destaca que cada cidade reserva uma surpresa, seja pela recepção, pela cultura, pelos atrativos naturais ou pela forma como a comunidade acolhe os visitantes.
Entre os lugares citados como referência visual está Castrolândia, em Castro, pela organização, limpeza pública, história, arquitetura e preservação cultural. Prudentópolis também foi lembrada pelo vínculo com a cultura ucraniana e pelo grande número de cachoeiras.
A recepção em cidades menores, segundo o casal, costuma ser mais calorosa. Em alguns lugares, os caravanistas foram recebidos com fanfarra, coral e apresentações comunitárias.
Sobre os custos das viagens, Rudi explica que o combustível é o principal gasto. Em uma etapa recente, com roteiro de Foz do Iguaçu a Terra Roxa e retorno a Marechal Cândido Rondon, o consumo estimado foi de cerca de 80 litros de diesel, aproximadamente R$ 500,00, para dez dias de estrada.
As refeições, segundo ele, costumam ser simples e semelhantes às feitas em casa. O café da manhã é coletivo, os almoços variam conforme o roteiro e, em alguns municípios, o grupo recebe refeições oferecidas pela comunidade ou pela prefeitura.
Além do combustível, o pedágio também pesa no custo das viagens. Ainda assim, o casal afirma que a experiência compensa.
Para quem deseja entrar no universo do turismo sobre rodas, Rudi afirma que o mais importante é começar, independentemente do tipo de veículo. Pode ser barraca, kombi, van, micro-ônibus, ônibus ou motorhome.
Segundo ele, depois que a pessoa vivencia a rotina de um grupo de caravanistas, a experiência tende a se tornar permanente. “Depois que beber uma vez água num grupo de caravanistas, está feita a vacina. Não solta mais”, afirmou.
O casal pretende manter a vida sobre rodas enquanto tiver condições de viajar. Para eles, a estrada exige cuidado, direção preventiva, respeito à velocidade e atenção aos limites do corpo. Quando surge sono ou cansaço, a orientação é parar em local seguro e descansar antes de seguir.
Ao final da entrevista, Elenita reforçou que quem deseja viver essa experiência não deve deixar para depois. A recomendação é iniciar aos poucos, respeitando o próprio ritmo e as condições disponíveis.
Rudi completou a ideia com uma expressão que resume a vida sobre rodas. Em vez de um passo por vez, no universo dos viajantes, o caminho começa com um giro de roda por vez.
A entrevista completa com Rudi Schmitz e Elenita está disponível em vídeo no portal da Revista Especiais.