A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira, 11 de junho, a presença de condições de El Niño no Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno deve ganhar força gradualmente nos próximos meses, com ápice previsto entre a primavera e o verão 2026/2027 no Hemisfério Sul.
No Paraná, os possíveis impactos são monitorados 24 horas por dia pelo Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável.
Aquecimento do oceano muda o regime de chuvas
Segundo a NOAA, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e oriental já estão acima da média. O índice Niño 3.4, uma das principais referências para o acompanhamento do fenômeno, registrou anomalia de +0,7°C.
Também foram observadas temperaturas elevadas abaixo da superfície do oceano, além de alterações nos ventos e na circulação atmosférica, sinais associados ao início do El Niño.
“O oceano influencia a atmosfera, e a atmosfera influencia o oceano. O aquecimento das águas altera os ventos alísios e muda o regime de tempestades em várias regiões do planeta”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Impactos no Paraná podem começar em julho
De acordo com o Simepar, os efeitos diretos no Paraná ainda não devem ser sentidos de forma imediata, mas podem começar a aparecer a partir de julho. As previsões dos principais centros internacionais de monitoramento climático indicam maior probabilidade de chuvas acima da média mensal no Estado até dezembro.
A tendência é de volumes mais elevados principalmente durante a primavera, período em que o fenômeno deve estar mais intenso.
Há chance de El Niño muito forte
A NOAA aponta 63% de chance de formação de um El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso essa projeção se confirme, o evento poderá figurar entre os mais intensos da série histórica, iniciada em 1950.
A atualização mais recente do sistema europeu Copernicus, que reúne previsões de centros climáticos de países como Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá, também indica tendência de El Niño forte a muito forte.
Defesa Civil reforça preparação dos municípios
Diante do cenário, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil intensificou ações de prevenção e mitigação de desastres naturais no Paraná. O trabalho é realizado por meio dos Núcleos de Atuação Regional e inclui reuniões com coordenadores regionais, prefeitos e equipes municipais.
Entre as medidas prioritárias estão a atualização dos planos de contingência, o mapeamento de áreas de risco, a identificação de populações vulneráveis e a organização de abrigos para atendimento em situações de emergência.
Prevenção deve mirar temporais e alagamentos
A Defesa Civil também orienta os municípios a avançarem em ações preventivas, como desassoreamento de rios e córregos, revisão de cadastros de famílias em áreas de risco e criação de fundos municipais para facilitar repasses em casos de desastre.
A preocupação é reduzir os impactos de eventos associados ao aumento das chuvas, como temporais, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.
Em 2025 e 2026, foram destinados R$ 16 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras de prevenção, drenagem e reconstrução de pontes nos municípios de Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.