Agronegócio Agrociência
Embrapa entrega nova remessa de sementes brasileiras ao Banco de Svalbard
Amostras de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim passam a integrar a reserva global que protege a biodiversidade agrícola diante de ameaças climáticas, pragas e conflitos
11/06/2026 08h32
Por: João Livi Fonte: Embrapa
Presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou nova remessa de sementes brasileiras ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. (Foto: Divulgação/Embrapa)

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou nesta terça-feira, dia 10 de junho, uma nova remessa de sementes brasileiras ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. O envio inclui 24 acessos de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim, que passarão a integrar a maior reserva de segurança agrícola do planeta.

As novas amostras se somam aos 8.125 acessos já depositados pela Embrapa na estrutura norueguesa. A remessa é composta por dois acessos de caju, sete de fava, quatro de amendoim, três de mamona e oito de gergelim.

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O banco de Svalbard funciona como uma espécie de caixa-forte global de sementes, criada para proteger a biodiversidade agrícola diante de ameaças como guerras, mudanças climáticas, pragas e outros riscos capazes de comprometer a segurança alimentar.

Reserva mundial

Localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, o cofre conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios.

Os envios não são feitos diretamente por governos nacionais. As amostras chegam ao banco por meio de aproximadamente 120 instituições de pesquisa e bancos genéticos distribuídos em mais de 85 países.

Esses centros têm a função de reunir, conservar e proteger a diversidade agrícola de diferentes regiões do mundo, garantindo uma reserva estratégica para o futuro da produção de alimentos.

Compromisso brasileiro

Durante a agenda em Svalbard, Silvia Massruhá esteve acompanhada do coordenador do Labex Europa, Elcio Guimarães, que ficará responsável por dar continuidade às relações institucionais e às atividades definidas como potenciais parcerias com instituições visitadas e unidades de pesquisa da Embrapa.

Antes da visita ao depósito de sementes, a presidente da Embrapa se reuniu com o governador de Svalbard, Lars Fause. No silo global, foi recebida pelo coordenador Åsmund Asdal.

Para Silvia Massruhá, a presença de sementes brasileiras em Svalbard representa orgulho e responsabilidade com as futuras gerações.

“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao levarmos para Svalbard materiais desenvolvidos no Brasil, mostramos ao mundo a relevância da nossa pesquisa agropecuária e a contribuição da Embrapa para uma agricultura cada vez mais sustentável, resiliente e inovadora”, afirmou.

Sementes do Brasil

A Embrapa representa o Brasil no banco global desde 2012. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Juliano Pádua, a maior parte dos acessos brasileiros depositados em Svalbard é formada por arroz, feijão e milho.

São 4.850 acessos de arroz, 514 de feijão e 739 de milho. O acervo brasileiro também inclui forrageiras, como Andropogon, Stylosanthes e Paspalum; fruteiras, como caju e maracujá; hortaliças, como abóbora, melão, melancia, cebola e alface; além de pinus, soja e trigo.

“A presença maciça de feijão, arroz e milho reflete a base da nossa alimentação e atende a uma das recomendações do Banco de Svalbard quanto à relevância para a segurança alimentar e a agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no País há séculos e, por isso, apresentam características de rusticidade e adaptação às condições nacionais”, reforçou Pádua.

Origem das amostras

Os 24 acessos entregues nesta nova remessa são oriundos de diferentes unidades da Embrapa.

As amostras de caju são da Embrapa Agroindústria Tropical. As de fava têm origem na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Já os acessos de amendoim, mamona e gergelim são da Embrapa Algodão.

O envio amplia a presença brasileira na reserva global e reforça a importância da conservação de recursos genéticos para pesquisa, melhoramento, adaptação climática e desenvolvimento de novas soluções agrícolas.

Caixa-forte brasileira

Além do depósito em Svalbard, a Embrapa mantém o maior banco de sementes do Brasil e da América Latina, considerado também um dos maiores do mundo.

A estrutura reúne quase 126 mil amostras de 1.213 espécies e é mantida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF).

As sementes são conservadas a 18ºC abaixo de zero, em condições semelhantes às do banco norueguês, o que permite manter a viabilidade dos materiais por dezenas ou até centenas de anos.

Capacidade de conservação

O banco genético vegetal da Embrapa tem capacidade atual para conservar 600 mil amostras de sementes em quatro câmaras frias.

A estrutura ainda conta com área destinada à instalação de outras duas câmaras, o que poderá ampliar a capacidade de armazenamento para até 900 mil amostras.

Além das sementes, a Embrapa também investe na preservação de espécies animais e de microrganismos de importância para a pesquisa agropecuária brasileira.

Ciência e segurança alimentar

O acervo genético conservado pela Embrapa reúne materiais nativos e exóticos e está disponível à ciência brasileira para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.

Esses recursos podem apoiar soluções em áreas como bioinsumos, melhoramento genético, adaptação a mudanças climáticas, produtividade agrícola e segurança alimentar.

A conservação de sementes integra uma estratégia de longo prazo para proteger a biodiversidade, fortalecer a agricultura e preparar sistemas produtivos para desafios ambientais, econômicos e sanitários.

Agenda na Noruega

A agenda de Silvia Massruhá na Noruega começou no dia 8 de junho e segue até esta quarta-feira, dia 11, com compromissos institucionais voltados à cooperação científica e tecnológica.

No dia 8, a presidente da Embrapa participou de reuniões nos ministérios da Agricultura e do Clima e Meio Ambiente da Noruega. No primeiro encontro, foi recebida pela secretária-geral Anne Marie Glosli. No segundo, reuniu-se com Lívia Kramer, assessora sênior da Iniciativa Internacional da Noruega para Clima e Florestas.

As agendas trataram de oportunidades de parceria em pesquisa agropecuária, desenvolvimento sustentável, inovação, clima, florestas, sustentabilidade e segurança alimentar global.

Cooperação internacional

No dia 9 de junho, Silvia Massruhá e o diretor-geral do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO), Ivar Horneland Kristensen, assinaram uma carta de intenções para fortalecer a cooperação internacional.

O documento busca ampliar o diálogo institucional e identificar possibilidades de colaboração em áreas como nutrição animal, sanidade e bem-estar, agroindústria, segurança alimentar, processamento de alimentos, biotecnologia, bioeconomia, cadeias de valor, sustentabilidade, florestas, biomassa e uso eficiente de recursos naturais.

A cooperação poderá incluir intercâmbio de informações técnico-científicas, reuniões técnicas, fóruns institucionais, missões, visitas de especialistas, treinamentos presenciais e virtuais e elaboração conjunta de projetos.

Bioinsumos e sustentabilidade

Uma das áreas prioritárias de interesse da Embrapa é a de bioinsumos. O NIBIO atua na gestão de recursos biológicos e sanidade vegetal, o que pode abrir oportunidades de cooperação no desenvolvimento de biodefensivos e biofertilizantes.

Também foram identificadas possibilidades de aproximação em inteligência territorial, monitoramento de solos, erosão, conservação de serviços ecossistêmicos, madeira de engenharia, uso de recursos florestais, gestão hídrica e impactos da agricultura sobre ecossistemas aquáticos.

Ainda no dia 9, Massruhá visitou o Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos (Nofima), referência em alimentos e aquicultura, onde foi recebida por Finn A. Weltzien, diretor da Divisão de Aquicultura da instituição.

Alimentos e aquicultura

A Embrapa e o Nofima possuem áreas de convergência em temas como bioeconomia, aproveitamento de resíduos agroindustriais, aquicultura sustentável, biotecnologia, inovação em alimentos, rastreabilidade, segurança alimentar e sustentabilidade das cadeias produtivas.

Entre os projetos com potencial de diálogo está o Valorish, liderado pelo Nofima, voltado à valorização de resíduos e subprodutos da pesca.

A iniciativa se conecta ao interesse da Embrapa em economia circular, especialmente no aproveitamento de biomassas e resíduos agroindustriais para geração de novos bioprodutos e bioenergia.

Também foi citado o projeto OCCAM, voltado à adaptação da aquicultura às mudanças climáticas, tema relacionado à expansão da atividade no Brasil e ao desenvolvimento de sistemas aquáticos mais resilientes.

Pesquisas polares

Para encerrar a agenda na Noruega, no dia 11 de junho, estão previstas reuniões com representantes do Instituto Polar Norueguês (NPI), da Universidade de Svalbard (UNIS) e de estações de pesquisa localizadas em Spitsbergen.

Entre os participantes estão Geir Gotaas, líder do programa de Ny-Ålesund no NPI; Zdenek Dvorak, assessor especial do instituto; e Thomas Hansteen.