Saúde Riscos
Frio eleva risco de infarto e AVC e acende alerta para o coração
Cardiologista aponta que baixas temperaturas aumentam a pressão arterial e podem sobrecarregar o sistema cardiovascular, sobretudo em pessoas com fatores de risco
10/06/2026 13h18
Por: João Livi
Cardiologista alerta que as baixas temperaturas podem aumentar a pressão arterial e exigir maior esforço do coração. (Foto: Magnific)

A queda nas temperaturas exige atenção redobrada com a saúde cardiovascular. No período de frio, o organismo intensifica mecanismos para manter a temperatura corporal, o que pode aumentar a pressão arterial e elevar o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O alerta é especialmente importante para pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico de doenças cardíacas e outros fatores de risco. Nesses grupos, as alterações provocadas pelo frio podem agravar condições já existentes e favorecer eventos cardiovasculares.

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De acordo com o médico cardiologista e docente da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Marcos Vieira, o principal efeito ocorre nos vasos sanguíneos. "Quando a temperatura cai, o organismo promove uma contração dos vasos para preservar o calor corporal. Esse mecanismo, chamado vasoconstrição, eleva a pressão arterial e aumenta o esforço que o coração precisa fazer para bombear o sangue, o que pode desencadear eventos cardiovasculares em pessoas mais vulneráveis", explica.

Pressão arterial

Levantamentos de instituições de saúde indicam que os casos de infarto e AVC tendem a aumentar nos meses mais frios do ano. Além da elevação da pressão arterial, o sangue pode ficar mais propenso à formação de coágulos, ampliando o risco de obstruções nos vasos.

Outro ponto de atenção está na mudança de rotina durante o inverno. A redução da prática de exercícios, a menor ingestão de água e o aumento no consumo de alimentos mais calóricos podem contribuir para a piora dos indicadores de saúde.

"Muitas pessoas reduzem a prática de atividades físicas, ingerem menos água e passam a consumir alimentos mais calóricos. Quando esses comportamentos se somam aos efeitos do frio sobre o organismo, o risco cardiovascular pode aumentar significativamente", destaca o cardiologista.

Grupos de risco

Idosos e pacientes com doenças cardiovasculares pré-existentes devem manter acompanhamento mais rigoroso nesta época do ano. O uso correto das medicações e a continuidade dos cuidados preventivos são medidas consideradas essenciais.

O especialista orienta que a prática de exercícios não seja interrompida sem avaliação profissional. Também reforça a necessidade de procurar atendimento imediatamente diante de sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura ou perda repentina de força em um dos lados do corpo.

Para reduzir os riscos, a recomendação inclui alimentação equilibrada, hidratação adequada, uso de roupas apropriadas para proteção contra o frio e acompanhamento médico regular.

Prevenção contínua

Segundo Marcos Vieira, o frio não provoca diretamente um infarto ou AVC, mas pode funcionar como gatilho em pessoas que já apresentam fatores de risco. Por isso, os cuidados com a saúde cardiovascular devem ser mantidos durante todo o ano.

A atenção deve ser maior em períodos de queda acentuada de temperatura, quando o organismo passa a exigir mais do sistema circulatório. A prevenção, o controle de doenças crônicas e a busca rápida por atendimento diante de sinais de alerta são medidas decisivas para reduzir complicações.