Você se considera pobre, classe média ou rico? A resposta pode mudar quando a renda familiar é analisada pelo critério da renda domiciliar per capita, indicador usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a distribuição de renda no país.
Esse cálculo soma todos os rendimentos mensais dos moradores de uma residência e divide o total pelo número de pessoas que vivem naquele domicílio, incluindo crianças, idosos e pessoas sem renda própria.
Na prática, uma família com renda total de R$ 5.000 mensais e dois moradores tem renda per capita de R$ 2.500. Já uma família com a mesma renda, mas com cinco pessoas na casa, tem renda per capita de R$ 1.000.
A renda considerada inclui ganhos obtidos com trabalho e outras fontes, como aposentadorias, pensões, aluguel, arrendamento, pensão alimentícia, doações, mesadas, programas sociais e rendimentos de aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais e outras receitas.
A renda domiciliar per capita é considerada importante porque permite avaliar melhor as condições reais de vida das famílias. O mesmo salário pode representar situações muito diferentes dependendo do número de pessoas que dependem dele.
Por isso, o indicador ajuda a compreender melhor onde cada pessoa se encontra dentro da distribuição de renda brasileira.
De acordo com os dados do IBGE relativos a 2025, os 5% mais pobres da população brasileira viviam com renda de até R$ 299 por pessoa ao mês.
Quando considerada uma faixa mais ampla, os 30% mais pobres tinham rendimento mensal de até R$ 906 por pessoa.
A camada intermediária da população, situada acima dos 30% mais pobres e abaixo dos 20% mais ricos, apresentava renda domiciliar per capita entre mais de R$ 906 e até R$ 2.958 mensais.
Já os 20% mais ricos tinham renda superior a R$ 2.958 por pessoa ao mês. Esse valor pode parecer baixo para a ideia comum de riqueza, mas o grupo é bastante heterogêneo e inclui desde pessoas com renda um pouco acima da média até os estratos mais altos da sociedade.
Quando o recorte fica mais restrito, a diferença aumenta de forma significativa.
Entre os 10% mais ricos, a renda domiciliar per capita era superior a R$ 4.609 por mês. Já os 5% mais ricos tinham rendimento acima de R$ 6.900 por pessoa.
No topo da distribuição, o 1% mais rico do país tinha renda domiciliar per capita superior a R$ 15.214 mensais em 2025.
Esse distanciamento revela a forte concentração de renda existente no Brasil, especialmente quando se compara a base da pirâmide com o grupo de maior rendimento.
A pesquisa do IBGE também apontou que a desigualdade de renda, medida pelo índice de Gini, voltou a crescer em 2025, após ter alcançado o menor nível da série histórica em 2024.
Apesar da alta, o patamar de 2025 ainda foi o segundo menor desde o início da série, em 2012.
Segundo a análise dos dados, a renda cresceu tanto entre os mais pobres quanto entre os mais ricos. No entanto, o avanço foi mais intenso nas faixas de maior rendimento, o que contribuiu para ampliar novamente a distância entre os grupos.
Os dados têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, levantamento realizado pelo IBGE por meio de entrevistas com uma amostra representativa da população brasileira.
A pesquisa capta com boa precisão rendimentos como salários, aposentadorias, pensões e benefícios sociais. No entanto, pode ter maior dificuldade para medir rendimentos variáveis de capital, como dividendos, aplicações financeiras e ganhos de patrimônio, que têm peso maior entre os grupos mais ricos.
Por isso, especialistas também costumam analisar dados do Imposto de Renda para compreender com mais profundidade o topo da distribuição de renda no Brasil.
A divisão entre pobre, classe média e rico depende do critério utilizado. Quando a análise se baseia na renda domiciliar per capita, fica mais claro que a posição de uma pessoa na pirâmide social não depende apenas do quanto entra na casa, mas também de quantas pessoas vivem daquele rendimento.
Os dados mostram um país em que a renda média pode crescer, mas a desigualdade segue como um dos principais desafios nacionais.
Mais do que definir rótulos, a distribuição de renda ajuda a compreender as diferenças nas condições de vida, no acesso ao consumo, na segurança financeira e nas oportunidades disponíveis para cada parcela da população.