Emprego Maior remuneração
Trabalhador brasileiro prioriza salário maior e estabilidade, aponta pesquisa da CNI
Levantamento mostra que remuneração, segurança no emprego e perspectiva de crescimento superam home office, flexibilidade de horário e jornada reduzida na profissão desejada para os próximos cinco anos
05/06/2026 08h35
Por: João Livi Fonte: CNI

Salário, estabilidade e perspectiva de crescimento são os fatores mais valorizados pelos brasileiros na profissão que desejam exercer nos próximos cinco anos. É o que aponta a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: futuro profissional, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento mostra que 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial da ocupação desejada. A estabilidade no emprego aparece em segundo lugar, com 22,4%, seguida pela perspectiva de crescimento na carreira, mencionada por 20,1% dos participantes.

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Os dados indicam que fatores tradicionais da relação de trabalho continuam mais valorizados do que tendências associadas às novas modalidades profissionais, como flexibilidade de horário, home office e jornada reduzida.

Preferências do trabalhador

De acordo com a pesquisa, a flexibilidade do horário de trabalho foi citada por 19,3% dos entrevistados. A possibilidade de trabalhar de casa, em regime de home office, apareceu com 15,9%, enquanto a jornada de trabalho reduzida foi mencionada por 9,8%.

Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, os resultados demonstram que o emprego formal segue como referência importante para o trabalhador brasileiro.

“Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada. Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, avalia.

Obstáculos para alcançar a profissão desejada

A pesquisa também identificou os principais obstáculos apontados pelos trabalhadores para alcançar suas aspirações profissionais.

Para 22% dos entrevistados, o maior entrave é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições. A falta de experiência prática suficiente aparece em seguida, mencionada por 17,6%.

Outro ponto relevante é a falta de oferta de cursos de formação exigidos pelo mercado na região onde os entrevistados vivem, citada por 16,9%.

A lista de dificuldades também inclui a necessidade de cuidar de parentes, apontada por 16,1%; a falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado, com 12,7%; a falta de informação sobre vagas disponíveis, com 11,9%; e a discriminação por parte dos empregadores, mencionada por 8,3%.

Futuro profissional incerto

O levantamento revela ainda que uma parcela expressiva dos brasileiros não consegue projetar com clareza o próprio futuro profissional.

Cerca de 43% dos entrevistados não souberam responder em qual ocupação se veem daqui a cinco anos. A insegurança é maior entre trabalhadores mais velhos.

Segundo Claudia Perdigão, esse cenário tem relação com as transformações tecnológicas e com as dúvidas sobre a adaptação do trabalho às novas ferramentas.

“Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, afirma.

Entre os entrevistados que projetaram uma ocupação para os próximos cinco anos, 13,9% disseram desejar ter o próprio negócio, com destaque para atividades no comércio varejista e em serviços, como salões de beleza, bares e restaurantes.

CLT segue como preferência

A pesquisa encerra uma série de três levantamentos divulgados pela CNI desde abril, com o objetivo de compreender como a população avalia a situação profissional atual, a preparação para as mudanças do mercado de trabalho e as expectativas para o futuro.

Ao longo da série, os dados mostraram que mais de um terço das pessoas ocupadas que buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa consideraram o emprego formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como o tipo de oportunidade mais atrativa.

Entre os jovens de 25 a 34 anos que estavam trabalhando e procuraram uma nova oportunidade, essa preferência chegou a 41,4%.

O estudo também apontou que um em cada dez brasileiros ocupados que procurou emprego no mês anterior classificou como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de aplicativo. No entanto, apenas 30% dos interessados nessa modalidade veem esse tipo de trabalho como principal fonte de sustento.

Satisfação e habilidades digitais

Outro dado relevante é o nível de satisfação com o emprego atual. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com a ocupação que exercem, sendo 70% muito satisfeitos.

Em relação às habilidades digitais, o levantamento mostra que pouco mais de 54% da população apresenta domínio alto ou médio-alto. Quando o tema envolve habilidades digitais complexas, como uso de inteligência artificial, planilhas e configurações de computadores, aplicativos e programas, o percentual cai para 44,5%.

Para Claudia Perdigão, os resultados revelam um cenário de contrastes.

“Os resultados revelam um cenário marcado por contrastes: de um lado, trabalhadores satisfeitos com suas ocupações e pouco dispostos a mudar de emprego; de outro, um ambiente de rápidas mudanças tecnológicas que gera incertezas sobre os próximos passos da trajetória profissional”, conclui.

Sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada pela Nexus. Foram entrevistadas 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025.