O preço internacional do petróleo caiu quase 6% nesta segunda-feira, dia 25, pressionado pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir gradualmente o estreito de Hormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
O barril Brent, referência global, recuou para a faixa abaixo de US$ 100 e chegou ao menor patamar em duas semanas, segundo a Reuters. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também registrou queda próxima de 6% durante a manhã.
A queda reflete a reação dos investidores à possibilidade de redução do risco geopolítico no Oriente Médio. O estreito de Hormuz é considerado estratégico para o mercado energético global, e qualquer sinal de normalização no tráfego de navios tende a aliviar a pressão sobre os preços internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã estão em andamento, mas condicionou o avanço a um acordo amplo. Segundo a Reuters, representantes americanos indicaram que há uma proposta para reabrir o estreito de Hormuz, embora divergências relevantes ainda permaneçam.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que existe possibilidade de anúncio em breve, mas autoridades iranianas adotaram tom mais cauteloso e evitaram confirmar que a assinatura de um acordo seja iminente.
Entre os pontos de tensão estão o controle do tráfego marítimo no estreito de Hormuz, a cobrança de taxas pelo Irã e discussões futuras sobre o programa nuclear iraniano.
O estreito de Hormuz voltou ao centro das atenções porque parte expressiva do petróleo e do gás comercializados no mundo passa pela região. A interrupção ou limitação do tráfego naval aumentou o temor de desabastecimento e ajudou a pressionar os preços nas últimas semanas.
De acordo com a Folha de S.Paulo, uma eventual normalização do trânsito de navios poderia ocorrer em até 30 dias, caso o acordo avance. A reportagem também informou que memorandos em discussão preveem suspensão gradual do bloqueio e liberação parcial de recursos iranianos congelados.
Mesmo assim, analistas alertam que a retomada plena dos fluxos pode levar meses, especialmente por causa de danos em estruturas e limitações operacionais provocadas pelo conflito.
A expectativa de acordo trouxe alívio imediato aos mercados. Além da queda do petróleo, bolsas internacionais reagiram positivamente e o dólar perdeu força em alguns mercados, segundo a Reuters.
Para investidores, a redução do risco no Oriente Médio pode diminuir pressões inflacionárias ligadas à energia, especialmente em países dependentes de importação de petróleo e derivados.
No entanto, o cenário ainda é considerado instável. A manutenção do petróleo abaixo de US$ 100 dependerá da evolução das negociações, da efetiva reabertura de Hormuz, da capacidade de recomposição dos fluxos e da posição dos principais produtores.
A queda do petróleo ocorre poucos dias após o governo brasileiro anunciar medidas para amortecer os impactos da alta internacional sobre os combustíveis. A volatilidade do barril tem efeito direto sobre economias que importam derivados ou que seguem referências internacionais para gasolina e diesel.
No Brasil, uma redução sustentada do preço internacional pode aliviar pressões sobre combustíveis, inflação e custos logísticos. Porém, esse efeito não é automático, pois depende de câmbio, política de preços, estoques, impostos, distribuição e comportamento do mercado interno.
Por isso, apesar do recuo expressivo desta segunda-feira, o impacto ao consumidor ainda dependerá da continuidade da queda e das decisões das empresas e do governo nas próximas semanas.
O recuo do petróleo mostra que o mercado vê possibilidade real de distensão no Oriente Médio, mas não elimina os riscos. As negociações ainda envolvem interesses estratégicos complexos, divergências políticas e questões militares.
Enquanto não houver acordo formal, certificado e implementado, os preços devem continuar sensíveis a declarações de autoridades, movimentação de navios, estoques internacionais e sinais de produção nos principais polos petrolíferos.