Agronegócio Piscicultura
Adapar inicia projeto pioneiro de biosseguridade na produção de tilápia no Paraná
Ação em cooperação com o Instituto Veterinário Norueguês vai avaliar práticas sanitárias em propriedades e fortalecer a segurança da cadeia aquícola paranaense
22/05/2026 14h54
Por: João Livi Fonte: Adapar
Projeto da Adapar em cooperação com instituto norueguês avalia práticas de biosseguridade em propriedades produtoras de tilápia no Paraná. (Foto: Adapar)

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), por meio da Divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos, iniciou nesta semana um projeto pioneiro voltado à biosseguridade na produção de tilápia. A iniciativa é desenvolvida em cooperação com o Instituto Veterinário Norueguês - Norwegian Veterinary Institute (NVI) - e busca caracterizar as práticas adotadas em fazendas de piscicultura no Estado.

A primeira etapa consiste na aplicação de um questionário técnico em propriedades produtoras de tilápia, com previsão de conclusão entre o fim de julho e o início de agosto. O trabalho pretende levantar informações sobre fatores de risco, práticas de manejo, controle sanitário e medidas adotadas para prevenir enfermidades na produção aquícola.

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O questionário foi desenvolvido com base em diretrizes internacionais de produção e está alinhado ao Manual de Animais Aquáticos da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A equipe técnica é formada por médicos veterinários da Adapar, responsáveis pelas visitas de campo, aplicação do instrumento e organização dos dados coletados junto aos produtores.

Diagnóstico sanitário

O chefe da Divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Adapar, Cláudio Sobezak, destaca que a biosseguridade na piscicultura já vinha sendo discutida no Estado e se tornou uma necessidade diante da importância econômica da tilápia.

“A Adapar está fazendo um levantamento para ter uma noção de como está se comportando a biosseguridade em diversos níveis de propriedade, principalmente da tilápia, que é o principal peixe de cultivo no estado. Pretendemos ao final, apresentar à iniciativa privada e também ao Ministério da Agricultura e pensar em normativas que possam melhorar e dar um segurança ao produtor”, explica o médico veterinário.

A ferramenta busca identificar tanto fatores externos ao estabelecimento quanto práticas internas de produção. O objetivo é construir um diagnóstico mais detalhado da realidade da piscicultura paranaense no que se refere à proteção sanitária dos plantéis.

Propriedades avaliadas

Na fase inicial, o projeto prevê a seleção de aproximadamente 50 propriedades distribuídas em diferentes regiões do Paraná. A aplicação do questionário começou em Nova Aurora, município do Oeste reconhecido como capital nacional da tilápia pela relevância na cadeia produtiva.

Ao final da coleta e análise dos dados, a expectativa é identificar pontos críticos, reconhecer boas práticas já utilizadas pelos produtores e subsidiar recomendações técnicas para fortalecer a sanidade aquícola no Estado.

A iniciativa também deve oferecer elementos para futuras discussões sobre normas e orientações voltadas à segurança na produção, reduzindo riscos sanitários e contribuindo para a sustentabilidade da atividade.

Cooperação internacional

A ideia do projeto surgiu após a participação de uma servidora da Adapar em um curso internacional realizado no Japão, por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). A capacitação, intitulada Sustainable Small-scale Fisheries for a Fisheries Centered Blue Economy, abordou estratégias para o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura.

A médica veterinária da Adapar, Luiza Coutinho, participou do treinamento e desenvolveu um projeto final voltado à biosseguridade na cadeia aquícola, com foco no Paraná. A partir dessa experiência, foi estabelecida a cooperação técnica com o Instituto Veterinário Norueguês, referência internacional em saúde de animais aquáticos.

“Após participar do curso sobre pesca em pequena escala, aquicultura e economia azul no Japão, o meu projeto final foi relacionado à biosseguridade na cadeia aquícola, voltado especificamente para o caso do estado do Paraná. Conseguimos contato com o instituto norueguês, que já aplicava o questionário de biosseguridade nas fazendas de salmão, além de ter sido utilizado na Colômbia. Foi daí que surgiu a proposta de aplicar nas produções de tilápia aqui do estado do Paraná”, relata.

Segurança da cadeia produtiva

A biosseguridade é considerada essencial para prevenir enfermidades, reduzir perdas, proteger a produtividade e garantir maior sustentabilidade aos sistemas de produção. Com a expansão da tilapicultura e a intensificação das propriedades, práticas sanitárias mais estruturadas se tornam cada vez mais importantes.

O projeto representa um avanço para políticas públicas voltadas à aquicultura, especialmente em um setor estratégico para a economia paranaense e nacional. O levantamento permitirá compreender melhor as condições de produção e orientar medidas capazes de aumentar a segurança dos produtores e da cadeia produtiva.

Além de proteger os animais aquáticos, a iniciativa contribui para fortalecer a competitividade da piscicultura, a qualidade dos produtos e a confiança nos sistemas produtivos paranaenses.

Paraná lidera produção

A piscicultura nacional produziu 707 mil toneladas de tilápia em 2025. Desse total, o Paraná respondeu por 273 mil toneladas, equivalentes a 38,63% do volume brasileiro, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, elaborado pela Associação Brasileira da Piscicultura.

Na prática, quase 4 em cada 10 tilápias produzidas no Brasil têm origem em águas paranaenses. Entre os municípios que mais contribuem para esse desempenho estão Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon.

O Paraná é seguido por São Paulo, com 88.500 toneladas; Minas Gerais, com 73.500 toneladas; Santa Catarina, com 52.700 toneladas; e Mato Grosso do Sul, com 38.700 toneladas. Nas exportações, o Estado também manteve a liderança nacional em 2025, respondendo por 50% do total exportado pelo Brasil, com US$ 28 milhões.

Com o projeto de biosseguridade, a Adapar busca ampliar a base técnica para proteger uma cadeia que cresce em volume, relevância econômica e participação no mercado nacional e internacional.