Emprego Escala de trabalho
Flávio Bolsonaro propõe pagamento por hora como alternativa ao fim da escala 6x1
Senador defende flexibilização da CLT com remuneração proporcional às horas trabalhadas, enquanto projeto do governo propõe jornada semanal de 40 horas e dois dias de descanso sem redução salarial
22/05/2026 09h44
Por: João Livi Fonte: EBN
Ato do Dia do Trabalhador no Rio de Janeiro defendeu o fim da escala 6x1 e melhores condições de trabalho e renda. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta alternativa aos projetos que buscam extinguir a jornada de trabalho no modelo 6x1, em que o trabalhador atua seis dias e folga um. A sugestão foi discutida com integrantes do PL durante reunião realizada nesta terça-feira, dia 19, em Brasília.

A proposta defendida pelo parlamentar prevê flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir remuneração por hora trabalhada. Segundo Flávio, o modelo manteria direitos como 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e férias, mas de forma proporcional à quantidade de horas efetivamente trabalhadas.

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A discussão ocorre em meio à tramitação de propostas sobre a jornada 6x1 no Congresso Nacional. Em abril, o governo federal enviou ao Legislativo, em regime de urgência constitucional, um projeto de lei que reduz o limite da jornada de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial.

Proposta alternativa

Flávio Bolsonaro afirmou que a remuneração por hora seria uma alternativa ao fim da escala 6x1. A avaliação do senador é de que a legislação trabalhista precisa acompanhar mudanças no mercado de trabalho e avanços tecnológicos.

“Foi passada para nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria o trabalho remunerado pelas horas de trabalho, com a garantia de todos os direitos trabalhistas, como décimo terceiro, Fundo de Garantia, férias. Obviamente, proporcionais às horas de trabalho”, explicou o senador.

Segundo ele, o modelo daria ao trabalhador maior flexibilidade para definir quanto deseja ou pode trabalhar. Flávio também afirmou que a proposta poderia beneficiar mulheres que enfrentam dificuldades para conciliar jornada profissional e cuidados familiares.

Projeto do governo

A proposta do governo federal segue outra direção. O projeto encaminhado ao Congresso prevê o fim da escala 6x1, a redução da jornada semanal para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

Pelo texto do Executivo, os trabalhadores passariam a atuar, no máximo, cinco dias por semana. O governo afirma que a medida busca melhorar a qualidade de vida, ampliar o tempo de descanso e preservar integralmente a renda dos empregados.

A proposta conta com apoio de entidades sindicais e órgãos de representação de trabalhadores, mas enfrenta resistência de entidades patronais e divide especialistas sobre possíveis efeitos para empresas, produtividade, custos e emprego.

Críticas e divergências

Flávio Bolsonaro classificou a proposta do governo como inoportuna e eleitoreira. Segundo ele, o fim da escala 6x1 nos termos defendidos pelo Executivo poderia gerar desemprego, aumento de custos e efeitos negativos para os próprios trabalhadores.

O governo, por outro lado, sustenta que a mudança pode contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores e para uma divisão mais equilibrada do tempo entre trabalho, descanso, família e cuidados domésticos. A Casa Civil informou que a proposta poderá beneficiar cerca de 14 milhões de brasileiros que trabalham na escala 6x1.

A Agência Brasil também registrou que uma pesquisa da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados apontou apoio de 73% dos brasileiros ao fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial.

Debate sobre mulheres e jornada

Um dos argumentos apresentados por Flávio Bolsonaro é que a remuneração por hora poderia ampliar a inserção de mulheres no mercado de trabalho. O senador citou mulheres que não conseguem trabalhar em razão de jornadas rígidas ou da necessidade de cuidar dos filhos.

O entendimento do governo federal é diferente. Para integrantes da gestão, o fim da escala 6x1 pode aliviar parte da sobrecarga feminina e favorecer a divisão de tarefas domésticas e de cuidado entre homens e mulheres.

Dados da PNAD Contínua de 2022, citados pela Agência Brasil, indicam que mulheres dedicavam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas.

Tema segue no Congresso

A jornada 6x1 tornou-se uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso. Além do projeto do governo, outras propostas sobre redução de jornada e mudanças no regime de trabalho também tramitam no Legislativo.

O debate envolve diferentes visões sobre produtividade, renda, custos empresariais, qualidade de vida, empregabilidade e organização dos setores econômicos que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, serviços, alimentação, saúde, segurança e atividades industriais.

Com a proposta de pagamento por hora apresentada por Flávio Bolsonaro, a discussão ganha nova frente política. A decisão final dependerá da tramitação no Congresso, onde parlamentares deverão avaliar os impactos das alternativas sobre trabalhadores, empresas e a legislação trabalhista brasileira.