Paraná Suporte energético
Copel apresenta no Senado plano de suporte energético ao setor produtivo do Paraná
Em audiência pública da Comissão de Serviços de Infraestrutura, companhia detalhou o Copel Agro, investimentos bilionários na rede elétrica e desafios para atender produtores rurais com mais estabilidade
05/05/2026 14h03
Por: João Livi Fonte: Assessoria
Copel apresentou no Senado estratégias de suporte energético ao setor produtivo paranaense e investimentos previstos para a rede elétrica. (Foto: Claudio Castro/Senado)

A Copel apresentou, nesta terça-feira (5), no Senado Federal, em Brasília, um conjunto de ações voltadas ao suporte energético do setor produtivo paranaense. A exposição ocorreu durante audiência pública da Comissão de Serviços de Infraestrutura, realizada para tratar de questões relacionadas ao fornecimento de energia no Paraná.

A reunião atendeu a requerimento do senador Sérgio Moro e contou com a participação de representantes da Copel, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Ministério da Justiça e Segurança Pública e de entidades do setor produtivo paranaense.

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Durante a audiência, o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu, detalhou investimentos, indicadores de qualidade e estratégias da companhia para ampliar a segurança no fornecimento de energia, especialmente ao agronegócio e à agroindústria.

Copel Agro mira demandas do campo

Entre as principais iniciativas apresentadas está o Copel Agro, programa criado para oferecer atendimento exclusivo e dedicado aos produtores rurais, com prioridade para a cadeia de proteína, incluindo frango, leite e peixe.

Segundo Villela, o programa nasceu de um alinhamento com as entidades do G7, que representam o setor produtivo paranaense, com o objetivo de responder de forma mais rápida às demandas por energia no campo.

“O Copel Agro nasceu de um alinhamento conjunto com as entidades do G7, que representam o setor produtivo paranaense. O programa foi criado para dar respostas rápidas com foco nas demandas por energia e necessidades do agro apresentadas pelos produtores rurais”, afirmou.

O programa está em operação desde 6 de abril e é direcionado a cerca de 76 mil clientes com perfil rural atendidos pela Copel, com atividade registrada no Cadastro do Produtor Rural (CAD/PRO) do Estado do Paraná.

Atendimento funciona 24 horas

O Copel Agro conta com linha direta exclusiva pelo telefone 0800 643 76 76. O atendimento é realizado por teleatendentes 24 horas por dia, sete dias por semana, para encaminhamento de demandas relacionadas à energia elétrica.

No primeiro mês de funcionamento, foram registrados mais de 25 mil atendimentos a produtores por telefone e aplicativo de WhatsApp, além de 6,5 mil ligações de retorno com previsão de restabelecimento da energia.

Nesse início de operação, o serviço alcançou índice de satisfação CSAT de 95,4%.

Ao acionar o programa, o produtor rural tem a solicitação acompanhada de ponta a ponta, desde a recepção até o direcionamento à área responsável, encaminhamento da solução e devolutiva ao cliente.

Equipes dedicadas reforçam operação

A consolidação do Copel Agro envolve a atuação de uma equipe dedicada no Centro de Operações, com 70 profissionais em escala permanente, operando 24 horas por dia.

A companhia também informou a ampliação do quadro de eletricistas para regiões de maior produção agrícola, a implantação de uma escola de eletricistas para reforçar o quadro próprio e o uso de tecnologia para conectividade das equipes de campo, incluindo Starlink.

Todos os pedidos recebidos são registrados e passam a compor um banco de dados com perfil dos clientes, tipos de demanda e informações que deverão orientar o aprimoramento do programa.

Indicadores atendem limites da Aneel

Na audiência, a Copel Distribuição também apresentou indicadores de qualidade no fornecimento de energia. Conforme a companhia, os resultados atendem aos limites regulatórios definidos pela Aneel em duração e frequência de interrupções.

Em 2025, a meta do DEC, indicador que mede a duração equivalente de interrupção por unidade consumidora, era de 8,15 horas. A Copel encerrou o ano com 7,17 horas, resultado que colocou o Paraná na quarta posição nacional com menor tempo de interrupções de energia e a Copel na décima segunda colocação entre as concessionárias do país.

A companhia também informou que cumpriu as metas definidas pela Aneel para os conjuntos elétricos, atingindo 78% do DEC, diante de meta de 77%, e 81% do FEC, dentro do limite de 80% estabelecido pela agência reguladora.

Temporais pressionaram a rede elétrica

Marco Antônio Villela de Abreu também apontou desafios enfrentados pela Copel para manter a qualidade no fornecimento de energia. Entre eles estão eventos climáticos severos, contato da vegetação com a rede elétrica, expansão da geração distribuída e aumento de carga não informado pelos consumidores.

“O ano de 2025 foi um dos mais desafiadores da história recente da Copel em relação à intensidade e frequência de temporais”, destacou Villela.

Entre junho e dezembro do ano passado, eventos climáticos danificaram 21 torres de transmissão e 2,8 mil postes no Paraná.

O tornado de categoria F4 que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, em 7 de novembro, foi citado como o evento climático de maior intensidade registrado nos últimos anos no Estado. Na ocasião, a Copel mobilizou equipes de todo o Paraná para recompor a rede elétrica e apoiar a comunidade local.

Geração distribuída exige atualização de projetos

Outro ponto tratado na audiência foi o crescimento da geração distribuída, especialmente por placas solares. Segundo a Copel, o número de conexões desse tipo no Paraná chegou a 304,1 mil em 2025, conforme registros da Aneel. Antes de 2020, eram 14,7 mil ligações.

Villela explicou que projetos de geração distribuída instalados sem atualização junto à companhia podem provocar sobrecarga, oscilações e desligamentos.

A Copel também destacou que o aumento de carga com máquinas e motores sem comunicação prévia pode comprometer a rede. Durante o dia, parte dessa demanda pode ser sustentada pela geração solar; à noite, sem sol, a carga é transferida para a rede da Copel, que precisa estar dimensionada para suportar a operação.

“A implantação à revelia prejudica a todos os clientes, porque sobrecarrega o sistema e gera oscilações. Por isso, a Copel está atuando fortemente na orientação dos produtores rurais”, observou Villela.

Companhia prevê R$ 13,4 bilhões em novos investimentos

A Copel também apresentou a evolução dos ciclos de investimentos na rede elétrica. Entre 2016 e 2020, foram aplicados R$ 4,3 bilhões em melhorias. No ciclo seguinte, entre 2021 e 2025, o valor cresceu 2,5 vezes, chegando a R$ 10,5 bilhões.

Entre 2024 e 2025, foram entregues 19 novas subestações, 95 ampliações e 503 quilômetros de linhas de Alta Tensão, beneficiando 1,8 milhão de clientes.

Para o ciclo 2026-2030, a Copel prevê R$ 13,4 bilhões em obras de distribuição de energia. A programação inclui 50 novas subestações, 88 ampliações, 30 obras de modernização de subestações e mais 1.200 quilômetros de novas redes de alta tensão.

Segundo a companhia, a prioridade do novo ciclo será dar maior robustez à rede elétrica em todo o Paraná.

Entidades do Paraná participaram da audiência

A audiência foi conduzida pelo senador Sérgio Moro e contou com a presença dos deputados federais paranaenses Sérgio Souza e Tião Medeiros.

Também participaram representantes das entidades de classe do Paraná, entre eles o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette; o coordenador técnico e de desenvolvimento do Sistema Ocepar, Silvio Krinski; e o superintendente do Sistema Fiep, João Arthur Mohr.

A audiência reuniu ainda a superintendente adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços da Aneel, Ana Claudia Cirino dos Santos, e o secretário Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Morishita.

Com a apresentação no Senado, a Copel buscou demonstrar as ações em andamento para reforçar o fornecimento de energia ao setor produtivo, ampliar o atendimento ao campo e preparar a rede elétrica para a expansão das demandas do Paraná.