A Petrobras iniciou, nesta quinta-feira (30), a produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O marco representa uma nova fase operacional da subsidiária, que estava hibernada desde 2020, e integra o plano da companhia de retorno ao segmento de fertilizantes.
A reativação da fábrica recebeu investimentos da ordem de R$ 870 milhões. A unidade tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, volume equivalente a cerca de 8% do mercado nacional, além de 475 mil toneladas anuais de amônia e 450 mil m³ por ano de ARLA 32, o Agente Redutor Líquido Automotivo utilizado no controle de emissões de veículos a diesel.
O início da produção é considerado estratégico para o país, diante da necessidade de ampliar a capacidade interna de fabricação de fertilizantes nitrogenados e reduzir a dependência de importações.
Desde a decisão de retomada das atividades, anunciada em 2024, a Ansa passou por um amplo ciclo de preparação. O processo envolveu manutenções, inspeções técnicas, testes operacionais, recomposição de equipes e contratação de serviços.
A fase de mobilização gerou mais de 2 mil empregos e garantirá cerca de 700 postos de trabalho diretos na operação regular da fábrica.
Antes da retomada da ureia, a unidade já havia alcançado marcos operacionais importantes com a produção de ARLA 32, por meio de contrato de industrialização, e de amônia.
A retomada da Ansa ocorre de forma gradual, com foco na segurança dos trabalhadores, na confiabilidade dos sistemas industriais e na estabilidade das operações.
De acordo com o diretor industrial e presidente interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, o início da produção marca um momento relevante para a companhia e para o Brasil.
“Estamos retomando uma operação estratégica. A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil”, afirmou.
A retomada da Ansa se soma ao retorno da produção das unidades FAFEN-BA, na Bahia, em janeiro de 2026, e FAFEN-SE, em Sergipe, em dezembro de 2025.
Com a comercialização da produção das três fábricas, a Petrobras estima alcançar aproximadamente 20% de participação no mercado interno de ureia.
A companhia também avança na conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, com previsão de entrada em operação comercial em 2029. Com a nova planta, a expectativa é que a Petrobras passe a atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia nos próximos anos.
Segundo o diretor de Processos Industriais da Petrobras, William França, a retomada representa uma mudança estrutural para o país.
“Com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional. O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras, e estamos retomando investimentos com base em estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirmou.
A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados na agricultura e tem papel relevante no aumento da produtividade das lavouras. Com a retomada da produção em Araucária, o Paraná passa a ocupar posição estratégica na recomposição da capacidade nacional de fabricação desse insumo.
A Araucária Nitrogenados S.A. é uma subsidiária da Petrobras localizada ao lado da Refinaria Getúlio Vargas - Repar, em Araucária.
A posição industrial da unidade reforça sua relevância dentro da cadeia produtiva da companhia e do setor de fertilizantes no país.
Com a retomada da Ansa, a Petrobras amplia sua atuação em fertilizantes nitrogenados e fortalece uma frente considerada essencial para a segurança produtiva do agronegócio e da indústria nacional.