O quarto episódio do Eleições Sem Dúvidas abordou uma das dúvidas mais recorrentes entre os eleitores: como o voto digitado na urna eletrônica é contabilizado e de que forma ele influencia o resultado final das eleições. A explicação contou novamente com a participação de Fábio Gealh, chefe do Cartório Eleitoral da comarca de Marechal Cândido Rondon.
Durante o programa, Fábio destacou que o sistema eleitoral brasileiro funciona de formas diferentes conforme o cargo em disputa. Para presidente, governador e senador, a eleição ocorre pelo sistema majoritário, em que vence quem recebe mais votos. Já para deputado federal, deputado estadual e vereador, a escolha segue o sistema proporcional, que leva em conta não apenas a votação individual do candidato, mas também o desempenho do partido.
A explicação buscou mostrar que, embora o eleitor escolha um nome na urna, nos cargos proporcionais o voto também fortalece o partido ao qual o candidato pertence. Por isso, compreender o sistema é essencial para que a escolha seja feita de forma consciente.
Fábio Gealh explicou que, nos cargos de presidente, governador e senador, o funcionamento é mais simples. O candidato mais votado é eleito, respeitadas as regras específicas de cada cargo.
No caso de presidente e governador, existe a possibilidade de segundo turno quando nenhum candidato atinge a maioria necessária no primeiro turno. Já para o Senado, os mais votados ocupam as vagas em disputa. Em 2026, serão duas vagas para senador em cada Estado.
Ao digitar o número do candidato na urna, o eleitor visualiza a identificação correspondente e confirma o voto. Para presidente e governador, são dois dígitos, que correspondem ao número do partido. Para senador, são três dígitos, sendo os dois primeiros referentes à legenda partidária e o terceiro destinado à identificação do candidato.
A principal diferença aparece nos cargos de deputado federal, deputado estadual e vereador. Nesses casos, o sistema é proporcional.
Fábio explicou que, nesse modelo, um candidato pode receber votação expressiva e ainda assim não ser eleito, caso o partido dele não alcance votação suficiente para conquistar uma vaga. Da mesma forma, candidatos com menos votos individuais podem ser eleitos quando pertencem a partidos que somaram maior votação no conjunto.
Para deputado federal, o número tem quatro dígitos. Para deputado estadual, são cinco. Em ambos os casos, os dois primeiros dígitos indicam o partido, enquanto os demais identificam o candidato.
Outro ponto abordado no episódio foi o voto de legenda. Para deputado federal, deputado estadual e vereador, o eleitor pode votar apenas no partido, digitando os dois números da legenda e confirmando a escolha.
Esse voto não vai para um candidato específico, mas entra na soma geral do partido. Ele ajuda a definir quantas vagas aquela legenda poderá conquistar dentro da disputa proporcional.
Fábio destacou que esse mecanismo reforça a importância de o eleitor conhecer não apenas o candidato, mas também o partido ao qual ele está vinculado. Segundo ele, o sistema político brasileiro é partidário, e a representação legislativa é organizada a partir das legendas.
O episódio também esclareceu a diferença entre coligações e federações partidárias. Fábio explicou que, atualmente, as coligações são permitidas apenas nas eleições majoritárias.
Nas disputas proporcionais, como para deputado e vereador, não há mais coligação entre partidos, exceto nos casos de federações partidárias, que seguem regras próprias.
A mudança foi apontada como importante para dar mais coerência ao sistema. Segundo Fábio, no modelo antigo, partidos com ideologias diferentes podiam se unir apenas por estratégia eleitoral, o que gerava distorções no voto proporcional.
Fábio também detalhou o funcionamento do quociente eleitoral, mecanismo usado para distribuir vagas nos cargos proporcionais.
Primeiro, são somados os votos válidos destinados aos candidatos e partidos. Depois, esse total é dividido pelo número de vagas em disputa. O resultado ajuda a definir quantos votos são necessários para que um partido conquiste uma cadeira.
A partir daí, são avaliados os votos de cada partido. Se a legenda atinge votação suficiente para conquistar uma ou mais vagas, os candidatos mais votados dentro daquele partido passam a ocupar essas cadeiras.
Essa regra explica por que, em algumas eleições, candidatos com mais votos individuais podem não ser eleitos, enquanto outros com menos votos conseguem uma cadeira.
Fábio explicou que isso ocorre porque, nas eleições proporcionais, o primeiro critério é o desempenho coletivo do partido. O candidato depende não apenas da própria votação, mas também da soma dos votos recebidos pelos demais candidatos da legenda e pelos votos de legenda.
O programa citou exemplos locais de Marechal Cândido Rondon, onde candidatos com votações expressivas ficaram fora da Câmara, enquanto outros, com menos votos individuais, foram eleitos por estarem em partidos que alcançaram melhor desempenho proporcional.
Outro ponto reforçado foi a importância de cada voto. Fábio lembrou que eleições podem ser decididas por diferenças mínimas e que um único voto pode alterar a composição de uma Câmara Municipal ou de uma bancada legislativa.
Ele explicou que, dentro do sistema proporcional, até candidatos com menor votação ajudam a legenda a alcançar o quociente necessário. Por isso, a escolha de cada eleitor impacta o desempenho coletivo do partido.
Essa lógica também mostra por que os partidos buscam formar nominatas com candidatos de diferentes regiões, bairros ou segmentos, para ampliar a soma total de votos.
Ao final do episódio, Fábio apontou um dos erros mais comuns do eleitor: escolher apenas o candidato, sem considerar o partido ao qual ele pertence.
Segundo ele, o eleitor precisa avaliar o histórico pessoal e profissional do candidato, mas também deve observar a legenda, suas ideias, seus princípios e sua forma de atuação política. Isso é ainda mais importante nos cargos legislativos, onde muitas votações são organizadas por blocos ou orientações partidárias.
Fábio também alertou que a polarização nacional pode desviar a atenção do eleitor dos cargos legislativos, embora deputados, senadores e vereadores tenham papel decisivo na criação, discussão e aprovação de leis.
O episódio reforçou que votar de forma consciente exige mais do que memorizar números. O eleitor precisa compreender o sistema, conhecer os candidatos, avaliar partidos e entender como cada voto influencia a formação dos poderes Executivo e Legislativo.
A mensagem central foi a de que o voto para cargos proporcionais tem efeito coletivo. Ao escolher um candidato a deputado ou vereador, o eleitor também fortalece uma legenda e contribui para a definição das vagas daquele grupo político.
Com linguagem simples e didática, o quarto episódio do Eleições Sem Dúvidas mostrou que entender a contagem dos votos é parte essencial da participação democrática e ajuda o eleitor a fazer escolhas mais responsáveis nas urnas.