A pressão de comandar um município em períodos de crise foi um dos pontos mais humanos da manifestação do ex-prefeito Marcio Rauber na tribuna da Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon. Durante a sessão extraordinária que aprovou as contas de 2024 de sua gestão, Rauber recordou os momentos mais duros enfrentados no cargo, especialmente durante a pandemia.
Ao falar sobre as pessoas que estiveram ao seu lado nas crises, o ex-prefeito citou o apoio recebido de integrantes da equipe e fez uma menção especial ao agropecuarista Eno Pedde. Segundo Rauber, em meio ao desgaste físico, emocional e administrativo daquele período, a propriedade de Eno se tornou uma espécie de refúgio.
A lembrança foi feita em tom de agradecimento. Rauber afirmou que, em determinado momento da pandemia, sua fuga era ir sozinho ao sítio de Eno, onde pescava isoladamente, inclusive usando máscara, em uma tentativa de encontrar silêncio e equilíbrio diante da pressão diária imposta ao gestor municipal.
Na tribuna, Rauber associou a administração pública a momentos de guerra, usando a expressão para simbolizar crises enfrentadas durante o mandato. Segundo ele, nesses períodos, o gestor precisa ter ao lado pessoas que ofereçam amparo, apoio, carinho, atenção e segurança para tomar decisões difíceis.
Foi nesse contexto que o ex-prefeito lembrou a pandemia, período em que prefeitos de todo o país precisaram lidar com incertezas, cobranças, riscos sanitários, decisões urgentes e impactos diretos sobre a vida da população.
Rauber também mencionou que, naquele momento, enfrentou uma rotina pesada de cuidados pessoais. Ele afirmou que chegou a tomar quase 10 tipos de medicamento, administrados com acompanhamento e apoio de pessoas próximas e da área médica.
Ao citar Eno Pedde, Rauber revelou um lado pouco visível da função de prefeito. A propriedade, segundo ele, era o local onde conseguia se afastar momentaneamente da tensão acumulada e buscar algum alívio em meio ao isolamento exigido pela pandemia.
“Minha fuga muitas vezes foi no sítio do Eno, sozinho, porque era o que se impunha no momento, pescando isoladamente de máscara”, afirmou.
A fala expôs a dimensão emocional da gestão pública em tempos de crise. O episódio mostra que, além das decisões administrativas, o cargo também impõe ao gestor uma carga pessoal intensa, marcada por responsabilidade permanente e pela necessidade de manter equilíbrio mesmo em situações extremas.
Ao relembrar o período, Rauber não tratou apenas de números ou atos administrativos. A manifestação trouxe à tona o desgaste provocado por decisões tomadas sob pressão, especialmente quando envolvem saúde pública, vidas humanas e funcionamento dos serviços essenciais.
O relato sobre os medicamentos e o refúgio no sítio de Eno Pedde reforçou a face silenciosa da administração municipal: a rotina em que o prefeito precisa responder por problemas imediatos, absorver críticas, tomar decisões difíceis e seguir conduzindo a máquina pública mesmo sob desgaste pessoal.
A fala também serviu como agradecimento às pessoas que permaneceram próximas nos momentos de maior tensão. Para Rauber, a presença de apoio durante as crises foi fundamental para sustentar decisões e atravessar o período mais delicado da gestão.
A lembrança da pandemia surgiu durante a defesa das contas de 2024, mas remeteu a um dos capítulos mais intensos da trajetória administrativa de Marcio Rauber à frente do Executivo rondonense.
Ao trazer o episódio à tribuna, o ex-prefeito evidenciou que a função pública não se limita à execução de obras, programas e orçamentos. Em momentos críticos, ela também cobra resistência emocional, capacidade de decisão e suporte humano.
O agradecimento a Eno Pedde simbolizou esse ponto de apoio fora do ambiente formal da administração. Em meio à pressão do cargo, o sítio citado por Rauber representou o espaço possível de respiro em uma fase em que o município, a equipe de governo e a própria população atravessavam uma crise sem precedentes.