Levantamento do Ipardes aponta que comércio interestadual passou de R$ 314 bilhões em 2018 para R$ 978 bilhões em 2025, impulsionado por infraestrutura, logística, ambiente tributário e atração de investimentos.
As empresas instaladas no Paraná ampliaram em 211% as vendas de mercadorias para outros estados brasileiros em sete anos. O volume passou de R$ 314 bilhões em 2018 para R$ 978 bilhões em 2025, conforme análise do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base em dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do Ministério da Fazenda.
O avanço coloca o comércio interestadual paranaense próximo da marca de R$ 1 trilhão e reflete a ampliação da atividade econômica, a melhoria da infraestrutura logística e o fortalecimento da conexão do Estado com outros mercados. Os dados consideram estatísticas geradas a partir da emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-es).
São Paulo foi o principal destino das mercadorias produzidas por empresas paranaenses em 2025, com R$ 322 bilhões em compras. Na sequência aparecem Santa Catarina, com R$ 197 bilhões, e Rio Grande do Sul, com R$ 82 bilhões.
Segundo a análise do Ipardes, os investimentos em infraestrutura foram determinantes para o crescimento das vendas para outras unidades da Federação. Nos últimos anos, o Paraná avançou na duplicação e modernização de rodovias estratégicas com recursos próprios.
Além disso, o Estado estruturou o maior pacote de concessões rodoviárias da América Latina, medida que integra a estratégia de ampliar a capacidade logística e melhorar o transporte de mercadorias.
Outros modais também passaram por mudanças estruturais. Os aeroportos de Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu foram concedidos à iniciativa privada, ampliando a capacidade e a eficiência do transporte aéreo.
O desempenho também é atribuído a fatores tributários. Empresas paranaenses enquadradas no Simples Nacional têm a menor carga tributária do Brasil, com alíquota efetiva média de ICMS de 2,39%, abaixo da média nacional de 2,81%.
A Secretaria da Fazenda também mantém regras que modificam a base de cálculo para apoiar negócios em operações interestaduais.
No agronegócio, o Paraná possui isenção total para carnes bovina, suína, peixe, frango e ovos, medida que contribui para a competitividade de preços. Em 2025, a produção de queijos, requeijão e doce de leite também foi incluída no rol de isenções, com foco no fomento à produção artesanal.
Com estrutura mais eficiente, o Paraná também ampliou sua atratividade para novos negócios. Desde 2019, o Estado registrou atração recorde de investimentos privados, que somam quase R$ 400 bilhões.
Os recursos contemplam tanto a instalação de novas empresas quanto a expansão de operações já existentes, o que fortalece a produção, amplia a capacidade industrial e contribui para maior circulação de mercadorias.
Para o presidente do Ipardes, Jorge Callado, a combinação entre produção, investimentos e logística criou condições mais favoráveis ao comércio interestadual. “O Paraná produziu mais, atraiu investimentos e passou a ter uma estrutura melhor para transportar mercadorias. Isso torna as entregas mais rápidas, reduz custos e facilita a venda para outros estados”, afirmou.
O fluxo de entrada de mercadorias no Paraná também avançou no período. As compras de produtos de outros estados passaram de R$ 304 bilhões em 2018 para R$ 906 bilhões em 2025.
Em 2025, os principais estados de origem das mercadorias adquiridas pelo Paraná foram São Paulo, com R$ 346 bilhões, Santa Catarina, com R$ 179 bilhões, e Rio Grande do Sul, com R$ 76 bilhões.
O resultado mostra ampliação do intercâmbio comercial do Paraná com outras unidades da Federação, em um movimento que envolve expansão produtiva, maior integração logística e crescimento das operações empresariais no Estado.