A greve de servidores técnico-administrativos já atinge pelo menos 53 universidades federais em todo o Brasil, com paralisações totais ou parciais que afetam serviços essenciais nas instituições. O movimento envolve universidades de grande porte, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), embora a adesão varie conforme a região.
Enquanto algumas instituições registram paralisação significativa, outras apresentam adesão parcial ou não participam do movimento. No Ceará, por exemplo, não houve adesão às greves. Já na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, cerca de 10% dos servidores aderiram.
O levantamento mais recente foi divulgado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).
Apesar da continuidade das aulas, a greve tem impactado diretamente os serviços de apoio. Entre os principais efeitos estão atrasos na emissão de documentos, dificuldades no processamento de matrículas e restrições no atendimento administrativo.
Bibliotecas também enfrentam limitações, com funcionamento reduzido ou suspensão de empréstimos. Em algumas instituições, laboratórios e rádios universitárias operam parcialmente.
Em determinados casos, a paralisação atinge serviços assistenciais. No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), técnicos administrativos trabalham com apenas 30% da capacidade, o que levou ao adiamento de consultas e exames eletivos, além da suspensão temporária de cirurgias não emergenciais.
No Paraná, hospitais universitários também registram reflexos da paralisação, com impactos nas atividades assistenciais.
Outras universidades relatam suspensão de processos seletivos e serviços internos. Na Universidade Federal de Ouro Preto, por exemplo, foram interrompidas atividades como contratação de professores e manutenção de sistemas de tecnologia da informação.
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde a greve começou em fevereiro, serviços como atendimento ao público, tramitação de processos e funcionamento de bibliotecas estão comprometidos.
Os servidores apontam o descumprimento de pontos acordados com o governo federal em 2024 como principal motivo da paralisação.
“A gente tem vários itens da nossa pauta que não foram cumpridos. E o principal, nesse momento, é que a gente não tem uma mesa de negociação”, afirmou a coordenadora geral da Fasubra, Ivanilda Reis.
Entre as reivindicações estão a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), a redução da jornada para 30 horas semanais e a revisão da estrutura de cargos.
O Ministério da Educação (MEC) informou que os compromissos assumidos estão sendo cumpridos ou estão em fase de implementação. Já o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirmou que mantém diálogo com a categoria e que parte das demandas já foi incorporada à legislação.
Sobre o RSC, o governo destacou que o projeto foi sancionado e que a regulamentação segue em andamento.
A Fasubra prevê a realização de atos em Brasília para pressionar pela retomada das negociações. O movimento continua sem definição de prazo para encerramento, enquanto universidades lidam com os impactos nos serviços internos e no atendimento à comunidade acadêmica.