A rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado, por 6 votos a 4, nesta terça-feira (14), evidenciou a divisão entre os senadores e encerrou os trabalhos da comissão sem a aprovação de um documento conclusivo.
O parecer, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), previa o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, mas foi derrotado após mudanças na composição da CPI às vésperas da votação.
A votação foi nominal e revelou o posicionamento de cada parlamentar:
Votaram contra o relatório:
Fabiano Contarato (PT-ES)
Jaques Wagner (PT-BA)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Humberto Costa (PT-PE)
Teresa Leitão (PT-PE)
Beto Faro (PT-PA)
Votaram a favor do relatório:
Alessandro Vieira (MDB-SE)
Eduardo Girão (Novo-CE)
Marcio Bittar (PL-AC)
Magno Malta (PL-ES)
O placar de 6 a 4 consolidou a rejeição e impediu qualquer encaminhamento formal das propostas.
Nos bastidores, o governo federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e ministros do STF articularam trocas nos membros da comissão para blindar os magistrados.
A movimentação ocorreu às vésperas da votação e alterou o equilíbrio político dentro da CPI.
Entre as alterações, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) deixaram a comissão e foram substituídos por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA).
Além disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que atuava como suplente, assumiu como titular no lugar de Jorge Kajuru (PSB-GO), que passou à suplência.
As mudanças foram consideradas decisivas para o resultado final da votação.
O texto atribuía crimes de responsabilidade aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
As acusações estavam relacionadas à atuação dessas autoridades em decisões envolvendo o caso Banco Master.
Durante a sessão, senadores contrários ao relatório criticaram o foco do documento, afirmando que ele não priorizava diretamente o combate ao crime organizado.
Também houve questionamentos sobre a ausência de indiciamentos de pessoas ligadas às organizações criminosas investigadas.
Instalada em novembro de 2025, a comissão investigou a atuação de facções, crimes financeiros e infiltração no poder público.
Apesar dos trabalhos realizados, a rejeição do relatório encerra a CPI sem um documento final aprovado, limitando os desdobramentos formais das investigações.