Não andem ansiosos! As riquezas parecem dar segurança e conforto ao coração humano, mas na verdade são a causa da ansiedade. O coração que se apega às riquezas recebe com elas o pesado fardo da ansiedade. A ansiedade acumula tesouros, e os tesouros produzem a ansiedade.
Queremos assegurar a vida por meio de riquezas; queremos tranquilidade por meio das preocupações; na verdade, porém, ocorre justamente o contrário. As correntes que nos prendem às riquezas, que seguram as riquezas, são elas próprias ansiedade.
A má utilização das riquezas consiste na tentativa de garantirmos, por meio delas mesmas, o amanhã. A ansiedade está sempre voltada para o futuro. Os bens materiais, porém, no sentido mais estrito, são destinados ao hoje.
É a própria tentativa de garantir o amanhã que torna o hoje tão intranquilo. Basta ao dia o seu próprio mal. Aquele que deposita o amanhã totalmente nas mãos de Deus e recebe, hoje, o que precisa para viver é o que está realmente tranquilo.
O que recebo diariamente me livra do amanhã. A preocupação com o futuro é o que me traz o desassossego sem fim. Não é a ansiedade que livra o discípulo da ansiedade, mas a fé em Jesus Cristo!
[...] “Não vos inquieteis com o dia de amanhã” [...] Só o discípulo que reconheceu a Jesus pode receber nessa palavra e por meio dela a garantia do amor do Pai de Jesus Cristo e a liberdade de todas as coisas.
(Adaptado por T. H. Vanderlinde da obra “Discipulado” do teólogo Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Bonhoeffer foi martirizado pelo regime nazista alemão em 1945. O livro foi inspirado no sermão que Jesus proferiu no Monte das Bem-Aventuranças).
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e
não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial da Revista Especiais.