Economia Incertezas globais
Mercado ajusta inflação para 4,36% e mantém alerta sobre cenário externo
Projeção do crescimento segue em 1,85%, enquanto juros e câmbio refletem incertezas globais
07/04/2026 14h45
Por: João Livi
Projeção de inflação segue em alta, mas permanece dentro da meta estabelecida. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil foi novamente revisada para cima. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,31% para 4,36% em 2026.

Apesar da alta ser a quarta consecutiva, o índice ainda permanece dentro da margem de tolerância estabelecida pela meta oficial, definida em 3%, com limite superior de 4,5%.

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Pressões externas influenciam cenário

A elevação das projeções ocorre em um ambiente de instabilidade internacional, especialmente diante das tensões no Oriente Médio, que têm impacto direto sobre preços e expectativas econômicas.

No cenário interno, a inflação de fevereiro registrou alta de 0,7%, impulsionada principalmente pelos setores de transporte e educação. Ainda assim, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Juros seguem como principal instrumento

Para conter a inflação, o Banco Central mantém a taxa Selic como principal ferramenta de controle. Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária.

“O Banco Central não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário".

A expectativa do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 12,5% ao ano, com tendência de redução gradual nos anos seguintes.

Impactos no crédito e na economia

A política de juros elevados tem efeito direto sobre o consumo e os investimentos. Taxas mais altas encarecem o crédito e tendem a conter a demanda, contribuindo para o controle da inflação.

Por outro lado, a redução dos juros estimula a atividade econômica, ampliando o acesso ao crédito, mas exige maior atenção ao comportamento dos preços.

Crescimento mantém ritmo moderado

A projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,85%, indicando um ritmo moderado de expansão.

Para os anos seguintes, as estimativas apontam crescimento de 1,8% em 2027 e de 2% em 2028 e 2029.

Câmbio e expectativas futuras

No câmbio, a previsão é de que o dólar encerre o ano em R$ 5,40, refletindo o cenário global ainda instável.

A combinação de inflação controlada dentro da meta, juros elevados e crescimento moderado desenha um ambiente de cautela, com atenção redobrada aos fatores externos e à condução da política econômica.