Mundo Guerra
Guerra no Oriente Médio pressiona custos e pode encarecer proteínas no Brasil
Ovos, frango e carne suína devem sofrer impacto com alta do diesel e de embalagens; região Oeste do Paraná, forte produtora, acompanha cenário com atenção
25/03/2026 10h46 Atualizada há 3 horas
Por: João Livi
O setor de proteínas animais já sinaliza pressão nos custos. (Foto: João Livi)

O avanço do conflito envolvendo o Irã começa a gerar reflexos diretos na cadeia de produção de alimentos no Brasil. O setor de proteínas animais já sinaliza pressão nos custos e possibilidade de reajustes nos preços ao consumidor, especialmente para ovos, carne de frango e carne suína.

A avaliação é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que aponta aumento significativo nos custos logísticos e industriais, influenciados pela alta do petróleo e pelas dificuldades no transporte internacional de insumos.

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Alta nos custos já impacta a cadeia produtiva

Segundo a entidade, o diesel mais caro elevou em até 20% o custo do frete rodoviário, fator sensível para toda a cadeia, desde o transporte de ração até a distribuição final dos produtos. Outro ponto de pressão está nas embalagens plásticas, que são derivadas do petróleo. Com os impactos no estreito de Hormuz, rota estratégica global, os custos desse insumo já registram aumento de até 30%.

Com isso, o setor não descarta repasses ao consumidor nos próximos dias, mesmo após um período recente de queda nos preços.

Região Oeste do Paraná sente os efeitos

A situação ganha ainda mais relevância para municípios como Marechal Cândido Rondon e toda a região Oeste do Paraná, que figuram entre os principais polos de produção de proteína animal do país. A região concentra forte presença de cooperativas e agroindústrias ligadas à produção de aves, suínos e ovos, com impacto direto na economia local, geração de empregos e exportações.

Nesse contexto, qualquer elevação nos custos logísticos, de insumos ou de embalagens tende a afetar toda a cadeia produtiva regional, desde o produtor rural até a indústria e o varejo.

Demanda aquecida amplia pressão

O cenário de custos mais altos ocorre em um momento de demanda crescente. O consumo de ovos, por exemplo, atingiu 287 unidades por habitante em 2025, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior e mais de 30% na última década. Além disso, períodos como a Quaresma aumentam ainda mais a procura, já que o alimento substitui a carne vermelha em muitas famílias.

Apesar disso, os preços vinham em trajetória de queda no acumulado de 12 meses, o que pode mudar diante da nova conjuntura internacional. 

Produção forte, mas sensível ao cenário global

Mesmo com avanços tecnológicos que garantem estabilidade na produção, como o controle de luminosidade nas granjas, o setor segue altamente dependente de fatores externos, especialmente energia, transporte e insumos industriais. A possível elevação nos preços não está ligada à falta de produção, mas sim ao encarecimento da cadeia como um todo. 

A combinação entre aumento de custos, demanda aquecida e cenário internacional instável coloca o setor em alerta.