O Tesouro Nacional realizou uma série de recompras de títulos públicos que somaram R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, configurando a maior intervenção no mercado em mais de uma década.
A medida foi adotada em meio à alta volatilidade dos juros futuros e ao aumento das incertezas no cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
As operações ocorreram em diferentes momentos ao longo da semana. Apenas nesta terça-feira (17), foram recomprados R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados e outros R$ 7,07 bilhões em papéis atrelados à inflação.
Na véspera, o volume já havia atingido R$ 27,5 bilhões, elevando o total para R$ 43,6 bilhões.
O montante supera, em valores nominais, as ações realizadas durante a pandemia de Covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões em um período de 15 dias.
A recompra de títulos públicos tem como principal objetivo reduzir a volatilidade na curva de juros, indicador que serve de referência para expectativas do mercado em relação à taxa Selic. O movimento busca evitar oscilações bruscas e manter maior estabilidade no sistema financeiro.
A atuação ocorre em um contexto de instabilidade global, influenciado por tensões no Oriente Médio e pela alta do preço do petróleo, fatores que aumentam o risco inflacionário. No cenário interno, também pesam incertezas relacionadas à atividade econômica e à possibilidade de paralisações no setor de transporte.
A intervenção chama atenção por acontecer na mesma semana da decisão do Comitê de Política Monetária, responsável por definir a taxa básica de juros. Tradicionalmente, o Tesouro evita esse tipo de operação nesse período para não gerar interpretações de influência sobre a política monetária.
A continuidade das intervenções dependerá das condições de mercado. Historicamente, o Tesouro atua por períodos curtos em momentos de maior estresse financeiro. Apesar das medidas, o mercado seguiu pressionado, refletindo o cenário de incertezas que ainda influencia as expectativas econômicas.