A atualização do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), implementada em 2025 pelo Banco Central do Brasil, levou instituições financeiras a intensificarem investimentos em tecnologia fiscal, automação contábil e governança regulatória.
O movimento responde à crescente complexidade das normas do sistema financeiro, à digitalização das obrigações fiscais e ao avanço da fiscalização eletrônica no país. Nesse contexto, o Sicredi adotou uma estratégia de modernização fiscal para garantir conformidade regulatória, eficiência operacional e capacidade de adaptação a novas exigências legais.
A iniciativa foi desenvolvida com apoio da All Tax Platform e ocorreu durante a transição para o novo modelo contábil estabelecido pelo Cosif. O projeto envolveu ajustes estruturais nos processos fiscais e contábeis da instituição.
Com as mudanças contábeis, instituições financeiras passaram a lidar com cenários operacionais mais complexos, incluindo a necessidade de trabalhar simultaneamente com diferentes estruturas contábeis e atender a milhares de obrigações fiscais mensais, algumas delas com exigências retroativas.
Esse ambiente ampliou o nível de risco regulatório e exigiu maior integração entre sistemas contábeis e plataformas de gestão tributária.
Segundo Roberto de Lázari, diretor da All Tax, um dos principais desafios foi garantir o atendimento às exigências regulatórias sem comprometer sistemas já consolidados.
“O primeiro ponto foi atender aos requerimentos legais com o mínimo impacto possível nos sistemas e processos da instituição. Como conseguimos realizar a adaptação diretamente na plataforma, sem alterações significativas nos sistemas legados, o projeto acabou sendo mais ágil e eficiente”, explicou.
A solução implementada incluiu uma plataforma fiscal baseada em arquitetura low-code, capaz de automatizar regras tributárias, integrar dados contábeis e garantir rastreabilidade das informações.
A estrutura tecnológica foi organizada em três camadas principais:
integração em tempo real com sistemas internos da instituição;
componentes configuráveis para gestão fiscal;
base tributária atualizada continuamente por especialistas.
Segundo Lázari, essa arquitetura permite que instituições financeiras se adaptem rapidamente a mudanças legais sem depender de processos complexos de programação.
Além de atender às exigências regulatórias, projetos desse tipo também passam a gerar ganhos operacionais relevantes para o setor financeiro.
“A obrigação regulatória é o ponto de partida. O diferencial está em transformar esse esforço em inteligência de gestão. A tecnologia permite cruzar dados, identificar inconsistências e gerar informações estratégicas para a tomada de decisão”, destacou o executivo.
Especialistas apontam que a atualização do Cosif consolidou uma mudança estrutural no setor: a tecnologia fiscal deixou de ser apenas uma ferramenta de compliance e passou a integrar a estratégia operacional das instituições financeiras.
O avanço da digitalização fiscal no Brasil e os desdobramentos da reforma tributária devem ampliar ainda mais a necessidade de investimentos em automação e governança tributária.
Entre as novas exigências está a Declaração Eletrônica de Regimes Específicos (DeRE), obrigação digital que já começa a impactar o setor financeiro.
Segundo Lázari, o cenário indica que os investimentos em tecnologia fiscal devem se tornar cada vez mais relevantes para garantir eficiência operacional, previsibilidade financeira e mitigação de riscos regulatórios.
“A reforma do consumo é apenas uma parte da transformação. Novas obrigações fiscais digitais estão surgindo e isso deve impulsionar investimentos contínuos em tecnologia fiscal”, afirmou.