Uma das maiores redes de supermercados do Brasil, o Grupo Pão de Açúcar anunciou nesta terça-feira (10) que protocolou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida faz parte de uma estratégia de reestruturação financeira da companhia, que busca reorganizar seu endividamento sem interromper as atividades comerciais.
Segundo a empresa, o plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com a adesão inicial de credores que representam cerca de 46% dos créditos envolvidos, o equivalente a aproximadamente R$ 2,1 bilhões.
O processo foi protocolado na Justiça e abre um período de 90 dias de negociação com credores, durante o qual os pagamentos das dívidas incluídas no acordo ficam temporariamente suspensos, enquanto a empresa busca condições definitivas para reorganizar seus compromissos financeiros.
A companhia ressaltou que a recuperação extrajudicial não afeta o funcionamento das lojas nem as obrigações correntes da empresa. Dívidas com fornecedores, parceiros comerciais, funcionários e compromissos trabalhistas estão fora do plano e continuarão sendo pagos normalmente.
De acordo com a direção da empresa, o objetivo é melhorar o perfil da dívida e garantir maior sustentabilidade financeira no médio e longo prazo.
O presidente da companhia, Alexandre Santoro, afirmou que a medida marca o início de um processo mais amplo de reorganização financeira da rede varejista.
A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite que empresas em dificuldade negociem diretamente com seus credores um plano de pagamento e reestruturação das dívidas.
Diferentemente da recuperação judicial, mais conhecida no mercado, esse modelo costuma ser mais rápido e menos burocrático. Nele, a empresa negocia previamente com grupos específicos de credores e, posteriormente, solicita a homologação do acordo pela Justiça.
Para que o plano seja aprovado, é necessário o apoio de mais de 50% dos credores incluídos no processo.
Especialistas apontam que empresas recorrem a esse mecanismo quando ainda possuem capacidade de negociação e buscam evitar os custos e o impacto reputacional de uma recuperação judicial tradicional.
Nos últimos anos, o GPA vem enfrentando desafios financeiros ligados ao aumento da concorrência no varejo alimentar, mudanças no consumo e ajustes na estrutura do grupo.
Dados divulgados pela empresa indicam que o grupo registrou prejuízo de cerca de R$ 651 milhões em 2025, resultado que aumentou a pressão para reorganização das dívidas e fortalecimento do balanço financeiro.
O passivo inclui compromissos com vencimentos de curto prazo, como cerca de R$ 500 milhões previstos para maio e valores entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão com vencimento em julho, segundo informações divulgadas pela companhia.
Fundado em 1948, o Grupo Pão de Açúcar está entre os principais conglomerados do varejo alimentar do país. A empresa controla redes como Pão de Açúcar, além de outras operações ligadas ao comércio de alimentos.
Apesar do processo de renegociação de dívidas, a empresa afirma que suas operações comerciais permanecem financeiramente saudáveis e que a medida tem caráter preventivo, voltado a reorganizar o perfil do endividamento e garantir estabilidade para os próximos anos.
Para o mercado, o sucesso da recuperação extrajudicial dependerá principalmente do nível de adesão dos credores e da confiança na capacidade da empresa de recuperar sua rentabilidade.