No cotidiano dos colégios cívico-militares do Paraná, a atuação feminina tem demonstrado que disciplina e acolhimento podem caminhar juntos. A sargento Irene de Lourdes Galvão e a sargento Mariangela Candeo Correa são exemplos de como a experiência policial pode contribuir para a formação de estudantes com diálogo, sensibilidade e orientação.
Ambas atuam como monitoras militares nos Colégios Cívico-Militares (CCMs) e integram o Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV), programa que permite que policiais aposentados continuem colaborando com a rede estadual de ensino.
Com 35 anos de serviço na Polícia Militar, Irene atua no Colégio Cívico-Militar Senhorinha Sarmento. Ela ingressou na corporação aos 17 anos e, hoje, aos 64, encontrou no ambiente escolar uma nova missão.
Segundo a sargento, o trabalho vai além da organização e da disciplina.
“Antes de cobrar, a gente precisa entender a história daquele aluno. Muitos vivem situações difíceis fora da escola. A gente orienta, conversa e tenta mostrar caminhos”, afirmou.
Irene ressalta que parte dos estudantes enfrenta vulnerabilidades sociais e familiares, o que exige sensibilidade e atenção por parte das monitoras.
Já a sargento Mariangela, de 59 anos, atua no Colégio Cívico-Militar João Loyola. Com 30 anos de carreira na Polícia Militar, ela desempenha a função de monitora desde 2020.
Para ela, o papel dos monitores é complementar ao trabalho pedagógico realizado pelos professores.
“Quem manda na sala de aula é o professor. Nós só entramos quando somos chamados. Nosso foco é ajudar na orientação sobre comportamento, disciplina e organização para que o professor consiga dar aula com tranquilidade”, explicou.
A monitora também observa que muitos estudantes procuram diálogo e aconselhamento.
“Hoje os adolescentes estão sobrecarregados. É importante ter alguém para conversar, orientar e até brincar um pouco dentro do respeito”, disse.
A presença feminina nas funções de monitoria também tem impacto direto entre as estudantes. Segundo Mariangela, muitas alunas procuram as monitoras para conversar sobre questões pessoais.
“Principalmente para temas que envolvem o universo feminino, elas se sentem mais à vontade para conversar com a gente”, relatou.
Para Irene, essa proximidade ajuda a construir um ambiente de confiança dentro da escola.
“Eu me vejo muitas vezes como uma mãezona ali dentro. A gente cobra o que está no regulamento, mas sempre com diálogo e escuta”, afirmou.
O secretário estadual da Educação do Paraná, Roni Miranda, destacou que a presença feminina nos colégios cívico-militares contribui para fortalecer o ambiente educacional.
Segundo ele, as monitoras demonstram que disciplina pode ser construída com empatia e orientação.
“Essa atuação amplia as referências dentro da escola e contribui para que os estudantes se sintam acolhidos e respeitados. Ter mulheres nesses espaços de liderança traz representatividade e diferentes perspectivas para a formação dos alunos”, afirmou.
Para muitas monitoras militares, atuar nos colégios cívico-militares também representa a oportunidade de continuar contribuindo com a sociedade após a aposentadoria.
Segundo Mariangela, permanecer ativa faz diferença.
“É importante continuar trabalhando a mente e se sentindo útil. Aqui encontramos novamente um propósito, ajudando na formação desses jovens”, destacou.
No dia a dia escolar, além de organizar filas e zelar pelo cumprimento das normas, as monitoras acabam se tornando pontos de apoio emocional para muitos estudantes, reforçando valores como respeito, responsabilidade e convivência em sociedade.