Economia Crime financeiro
Dono do Banco Master volta a ser preso em nova fase da operação Compliance Zero
Decisão do STF aponta suspeitas de organização criminosa, intimidação de jornalistas e corrupção envolvendo servidores do Banco Central
04/03/2026 11h54
Por: João Livi
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O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi novamente preso nesta quarta-feira (4) durante nova fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável atualmente pela condução dos inquéritos relacionados ao caso.

A operação também resultou na prisão de outras pessoas ligadas ao empresário, incluindo um familiar, um policial aposentado e um operador do grupo investigado. Além das detenções, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

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Suspeita de intimidação contra jornalista

Segundo as investigações, novas evidências encontradas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro teria ordenado ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias de seus interesses, entre elas o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

Mensagens localizadas em um aparelho celular atribuído ao empresário apontariam discussões sobre a possibilidade de simular um assalto com o objetivo de agredir o jornalista. Para o ministro André Mendonça, os diálogos reforçam indícios de tentativa de coação e de obstrução das investigações.

Em nota, o jornal O Globo repudiou qualquer tentativa de intimidar profissionais da imprensa e afirmou que continuará acompanhando o caso e divulgando informações de interesse público.

Estrutura de monitoramento e pressão

De acordo com a Polícia Federal, as investigações identificaram a existência de um grupo informal que atuaria na vigilância e intimidação de pessoas consideradas críticas ao conglomerado financeiro. Essa estrutura, apelidada de “A Turma”, teria sido responsável por monitorar empresários, ex-funcionários e jornalistas.

Entre os presos está Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como responsável por administrar pagamentos relacionados ao funcionamento da estrutura. Ele se apresentou voluntariamente às autoridades.

Outro investigado é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, suspeito de atuar na coleta de informações sensíveis e na execução de atividades de monitoramento. Segundo relatórios da investigação, ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados ao grupo.

Também foi preso o policial aposentado Marilson Roseno da Silva, que, segundo as apurações, utilizaria experiência e contatos da carreira policial para obter informações e acompanhar alvos definidos pelo empresário.

Suspeita de ligação com servidores do Banco Central

A investigação também aponta relação próxima entre Vorcaro e dois servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central do Brasil. Eles teriam atuado informalmente como consultores do empresário, fornecendo orientações sobre questões regulatórias envolvendo a instituição financeira.

Os investigados são o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o servidor Belline Santana. Ambos já haviam sido afastados de suas funções e agora também foram alvo de medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

As apurações indicam ainda suspeitas de pagamento de vantagens indevidas, incluindo viagens e outros benefícios.

Possível maior fraude financeira do país

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. Estimativas indicam que o caso pode resultar em perdas superiores a R$ 50 bilhões para diferentes instituições financeiras e fundos de investimento, incluindo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A Polícia Federal também obteve autorização judicial para bloquear e sequestrar até R$ 22 bilhões em bens e ativos ligados aos investigados, com o objetivo de preservar recursos potencialmente associados às irregularidades apuradas.

Entre os crimes investigados estão suspeitas de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, invasão de sistemas informáticos e obstrução da Justiça.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e nega qualquer tentativa de interferir nas investigações ou na atuação da Justiça.

Os advogados de Fabiano Zettel também informaram que ele se colocou à disposição da Polícia Federal e aguardará acesso aos autos para conhecer detalhadamente as acusações.