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Educação Financeira Aplicada ao Empresário
Kelin Daiane Gottardo Welter
16/02/2026 11h21
Por: João Livi

Falar em educação financeira para empresários não é falar de teori\a, planilhas complexas ou termos técnicos difíceis, é falar do básico bem feito todos os dias. É falar de sobrevivência, crescimento e previsibilidade.

A verdade é que muitos negócios não fecham por falta de venda. Fecham por falta de gestão.  A realidade do empresário é de muito trabalho, pouco tempo, muitas decisões e pouco controle financeiro.

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No dia a dia da empresa, algumas confusões são comuns  e perigosas. Vamos falar sobre as principais.

Caixa positivo ≠ empresa lucrativa. Por que lucro não é dinheiro em caixa?

Essa é uma das maiores armadilhas da gestão. O empresário olha o DRE, vê que teve lucro e respira aliviado. Mas quando abre o aplicativo do banco, o saldo não acompanha o resultado. E aí começa o desespero.

Lucro é um conceito contábil. Caixa é realidade financeira. E para ter clareza o empresário precisa entender a diferença entre: Resultado financeiro (caixa) x resultado contábil;  Resultado operacional x Lucro real do negócio.

Você pode vender muito, ter lucro no papel e mesmo assim estar sem dinheiro disponível porque:

                    vendeu a prazo e ainda não recebeu;

                    parcelou no cartão e o dinheiro entra em 30, 60 ou 90 dias;

                    tem estoques altos parados;

                    precificou sem olhar os custos e despesas;

                    assumiu financiamentos ou antecipações para honrar com suas obrigações até receber suas vendas.

Empresa quebra não por falta de lucro, mas por falta de caixa.

Sem caixa, não se paga fornecedor, folha ou imposto - mesmo sendo “lucrativa”.

Para saber se sua empresa está sendo lucrativa é necessário calcular a sua Receita Bruta, conforme abaixo:

Receita Bruta

(-) Custos

= Margem de Contribuição

(-) Despesas Fixas

= Resultado Operacional

(-) Impostos / Financeiro

= Lucro ou Prejuízo

Vamos exemplificar para ficar mais visível:

Venda de produtos/serviços no mês = R$ 100.000,00 (Receita Bruta)

Custos totais = R$ 55.000,00

R$ 100.000,00 – R$ 55.000,00 = R$ 45.000,00 (margem de contribuição)

Despesas fixas = R$ 30.000,00

R$ 45.000,00 – R$ 30.000,00 = R$ 15.000,00 (Resultado operacional)

Impostos e financeiro = R$ 5.000,00

R$ 15.000,00 – R$ 5.000,00 = R$10.000,00 (LUCRO)

Essa é a estrutura básica para decisões que dependem da lucratividade como: investir, contratar, expandir, fazer promoção e até mesmo se a empresa pode ou não distribuir lucros.

 

Erros financeiros que quebram empresas lucrativas

Existem erros clássicos que se repetem em negócios de todos os tamanhos:

1. Misturar dinheiro da empresa com o pessoal

Quando não existe pró-labore definido, o caixa vira extensão da conta pessoal. O empresário sem controle, não sabe quanto lucrou e nem se lucrou, já que mistura os gastos pessoais com os da empresa. Isso tira previsibilidade e desorganiza tudo. O pró labore serve justamente pra isso, ele é o salário do empresário e é com ele que ele paga seus gastos pessoais.

2. Não ter controle real de fluxo de caixa

Saber quanto vendeu não é o mesmo que saber quanto entra e sai todos os dias. Seu caixa precisa estar estruturado, ou seja, as receitas das vendas e pagamentos de obrigações precisam “andar” juntas. Pra isso ocorrer de uma melhor forma o empresário precisa ter uma rotina financeira bem definida. Abaixo modelo básico de rotinas financeiras:

Diárias:            

             Registrar entradas e saídas;

             Conferir vendas;

Semanais:

             Conciliação bancária;

             Contas a pagar e receber;

Mensais:         

             Fechamento financeiro;

             Análise de despesas;

             Apuração de resultado.

 

3. Crescer sem estrutura financeira

Aumentar vendas nem sempre exige mais estoque, mais equipe, mais investimento, na maioria das vezes exige algo simples, GESTÃO, e é importante que para isso o empresário tenha dados que o auxiliem na tomada de decisão. Hoje no mercado existem inúmeros softwares de fácil utilização que podem auxiliar no dia dia do empresário. Afinal crescer sem planejamento pode gerar rombo.

4. Não acompanhar margem de lucro por produto ou serviço

Às vezes o que mais vende é o que menos dá resultado. Por isso é de suma importância que o empresário saiba seus custos fixos e variáveis, quanto sobra por venda e quanto cada produto ajuda a pagar a estrutura. Outro ponto importante é saber qual é o ponto de equilíbrio, ou seja, quanto preciso faturar para não ter prejuízo. Aqui temos uma base para tomada de decisões.

5. Ignorar impostos e obrigações

Imposto não pago não desaparece - ele acumula. E quando acumula, vira problema sério. Sem provisão mensal, o empresário usa o caixa para outras despesas e deixa o imposto para depois. O resultado? Multas, juros e um efeito dominó que compromete fluxo de caixa, crédito e até a regularidade da empresa.

Muitas empresas faturam bem e têm agenda cheia, mas quebram porque não organizam o básico: provisão de impostos, controle de obrigações e alinhamento com a contabilidade.

Imposto não é surpresa. É custo previsível - e precisa estar no planejamento financeiro todos os meses. O imposto é algo que precisa estar incluso na sua precificação, afinal ele é uma despesa decorrente das vendas de seus produtos ou serviços.

 

Como organizar o financeiro sem virar contador

O empresário não precisa dominar contabilidade. Ele precisa dominar números estratégicos. Organizar o financeiro começa pelos 3 pilares da saúde financeira:

1. Fluxo de caixa estruturado.

2. Rotinas financeiras. Pode ser planilha, sistema ou BPO. O importante é ter registro e conferência.

3. Análise de resultados.

                    Fluxo realizado → controle                   

                    Fluxo projetado → decisão

Não basta olhar o hoje. É preciso enxergar os próximos 30, 60 e 90 dias. Só assim saberá se seu negócio é sustentável no longo prazo.

Organização financeira não é burocracia. É clareza.

Quando o empresário entende seus números, ele toma decisões com segurança - e não no impulso, afinal o chute pode dar certo uma vez, mas no longo prazo custa caro.

 

O que o empresário precisa acompanhar todo mês (e o que pode ignorar)

Nem tudo merece sua energia. O empresário precisa focar no que impacta resultado.

O que acompanhar mensalmente:

                             Receita total e por produto/serviço

                             Margem de contribuição

                             Despesas fixas e variáveis

                             Resultado operacional

                             Fluxo de caixa projetado

                             Endividamento

                             Impostos a pagar

 

Esses números mostram se o negócio está saudável ou apenas “girando”.

O que pode delegar ou não precisa acompanhar no detalhe:

                             Lançamentos contábeis técnicos

                             Classificações fiscais complexas

                             Rotinas burocráticas que não impactam decisão

O papel do empresário é estratégico, não operacional. Se o financeiro da sua empresa depende do seu tempo livre, tem algo errado.

Quando o empresário faz o financeiro à noite, no fim de semana ou quando sobra tempo, ele deixa de ser estrategista  e vira funcionário do próprio negócio.

A empresa até cresce, mas cresce cansada, sem controle e sem clareza. Sem rotina financeira, você perde:

• controle de entradas e saídas

• previsibilidade

• foco em vendas e estratégia

Financeiro não é tarefa de sobra de tempo. É rotina. É processo. É responsabilidade.

Empresa organizada funciona todos os dias, independente da agenda do dono.

A educação financeira aplicada ao empresário não é sobre fórmulas mágicas — é sobre entender o que realmente sustenta o negócio: caixa, margem e planejamento. Empreender exige coragem. Mas permanecer no mercado exige controle.

Quando o dono entende seus números, ele deixa de apagar incêndios e começa a construir crescimento.

E isso muda tudo.