A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) colocou em prática um conjunto de ações estratégicas para evitar a introdução do Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-gigante, no território paranaense. A mobilização ocorre após a confirmação da presença da planta daninha no Estado de São Paulo, na região de São José do Rio Preto, onde vestígios foram encontrados em lavoura de soja e confirmados laboratorialmente no início de fevereiro.
Considerada uma das plantas invasoras mais agressivas do mundo, a espécie representa alto risco para a produção agrícola, especialmente para culturas como soja, milho e algodão. Diante do cenário, a defesa agropecuária do Paraná adotou postura preventiva para impedir que a praga ultrapasse as divisas estaduais.
O caruru-gigante é classificado como praga quarentenária presente no Brasil e possui elevado potencial de dispersão. Reconhecendo esse risco, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri, por meio da Portaria SDA/MAPA nº 1.119/2024, que orienta estados e produtores na adoção de medidas rigorosas de controle.
A planta é altamente competitiva, cresce rapidamente e apresenta resistência a diversos herbicidas, o que dificulta o manejo e amplia os prejuízos econômicos nas áreas afetadas.
Entre as principais ações definidas pela Adapar está o reforço da fiscalização direta. Técnicos da agência realizam vistorias em propriedades rurais e em locais de recebimento de máquinas e implementos agrícolas provenientes de outros estados, buscando identificar precocemente plantas suspeitas ou vestígios da praga.
A vigilância também se estende às divisas do Paraná, que passam a atuar como primeira barreira sanitária, com atenção especial ao trânsito de equipamentos agrícolas.
Outra frente de atuação é a educação sanitária. Durante as inspeções, os servidores orientam produtores, operadores e transportadores sobre a necessidade de limpeza rigorosa de máquinas e implementos agrícolas, principal via de disseminação das sementes do caruru-gigante.
Essas orientações seguem a Portaria nº 129/2024 da Adapar, que estabelece procedimentos específicos para inspeção e higienização de equipamentos, reduzindo o risco de introdução da praga em novas áreas produtivas.
Sempre que há suspeita da presença do caruru-gigante, a Adapar realiza a coleta imediata de amostras, que são encaminhadas ao Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (CDME). No laboratório, são aplicadas técnicas avançadas de biologia molecular, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), capazes de diferenciar com precisão as espécies do gênero Amaranthus.
Esse diagnóstico rápido é essencial para confirmar a praga quarentenária e permitir ações ágeis de contenção.
De acordo com o chefe da Divisão de Sanidade de Cultivos Agrícolas e Florestais da Adapar, Marcílio Martins Araújo, o caruru-gigante reúne características que o tornam extremamente perigoso para a agricultura. Uma única planta fêmea pode produzir entre 600 mil e 1 milhão de sementes, formando um banco de sementes persistente no solo por vários anos.
Além disso, a germinação ocorre de forma escalonada, o que inviabiliza o controle com apenas uma aplicação de herbicida. O crescimento acelerado, de até três centímetros por dia, pode sufocar culturas comerciais e reduzir drasticamente a produtividade.
O caruru-gigante foi identificado oficialmente no Brasil em 2015, inicialmente no estado de Mato Grosso, em áreas de algodão, soja e milho. Posteriormente, houve registros no Mato Grosso do Sul e, mais recentemente, em São Paulo. A espécie é nativa da América do Norte e já chegou ao país com resistência comprovada ao glifosato.
Diante desse histórico, a Adapar reforça que a vigilância constante, aliada à prevenção, é a principal estratégia para proteger a agricultura paranaense e evitar prejuízos econômicos e ambientais de grande escala.