Geral Nova sede do BPFron
Sede administrativa do BPFron será transferida de Marechal Cândido Rondon para Guaíra
Mudança é anunciada como temporária, mas gera preocupação política e mobiliza vereadores por esclarecimentos do Governo do Estado
09/02/2026 11h50
Por: João Livi Fonte: Assessoria
A construção da sede do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) em Marechal Cândido Rondon está paralisada há meses e segue sem previsão de retomada; com isso, o município perde a sede administrativa do batalhão. (Foto: Divulgação)

A sede administrativa do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) será transferida de Marechal Cândido Rondon para Guaíra. A informação foi confirmada durante a sessão desta segunda-feira (9) da Câmara de Vereadores rondonense, pelo presidente do Legislativo, Valdir Sachser (Valdirzinho).

Segundo o parlamentar, a mudança foi comunicada pelo comandante do BPFron, major Eldison Martins do Prado, em reunião realizada na última quinta-feira (5), na Câmara Municipal, com a presença do vereador e primeiro-secretário da Casa, Coronel Welyngton. Conforme relatado, a transferência foi apresentada como temporária, até que haja definição sobre a situação da sede definitiva em Marechal Cândido Rondon.

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Apesar disso, a notícia acendeu um alerta entre lideranças locais. Em pronunciamento na tribuna, Valdirzinho demonstrou preocupação com a possibilidade de a mudança se tornar definitiva. “Quem está há muitos anos na vida pública sabe que o ‘temporário’, muitas vezes, acaba sem retorno”, afirmou, defendendo a mobilização da comunidade e das autoridades para garantir a permanência do comando do BPFron no município.

Obra paralisada e histórico da sede

O BPFron está sediado em Marechal Cândido Rondon desde 2012, funcionando até hoje em um imóvel alugado, um antigo salão de baile. Ao lado dessa estrutura provisória, encontram-se as obras da sede definitiva do batalhão, paralisadas há vários meses.

A ordem de serviço para a construção foi assinada em janeiro de 2022 pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, com investimento previsto de R$ 32,4 milhões e prazo de execução de 720 dias. O projeto contempla uma área construída de aproximadamente 6 mil metros quadrados, em um terreno de 10 mil metros quadrados.

No entanto, a presença de formações rochosas no solo, não previstas no projeto original, teria inviabilizado a continuidade da obra, resultando na paralisação dos trabalhos e atrasando a entrega da estrutura.

Legislativo cobra esclarecimentos

Diante do anúncio da transferência, os vereadores Sargento Spohr, Coronel Welyngton e Policial Fabio apresentaram requerimento aprovado em plenário. O documento será encaminhado ao governador Ratinho Junior; ao secretário estadual de Segurança Pública, Hudson Leônidas Teixeira; ao comandante do Policiamento Especializado da Polícia Militar, coronel Emídio Angelotti; e ao prefeito Adriano Backes.

No requerimento, os parlamentares solicitam informações oficiais sobre a permanência ou não da sede administrativa do BPFron em Marechal Cândido Rondon, os motivos da paralisação da obra, as medidas previstas para retomada e o cronograma para conclusão da sede definitiva.

Os vereadores ressaltam que, por lei, o comando do BPFron tem sede em Marechal Cândido Rondon e que a unidade desempenha papel estratégico na segurança pública estadual, especialmente na faixa de fronteira, marcada por ações de contrabando, tráfico e organizações criminosas.

Estrutura de Guaíra pesa na decisão

Diferentemente da realidade rondonense, a estrutura do BPFron em Guaíra - atual sede da 2ª Companhia - é considerada completa e moderna. O complexo está instalado em um terreno de 65,5 mil metros quadrados, com mais de 5,5 mil metros quadrados de área construída.

Com investimentos que somam R$ 27,8 milhões, a unidade conta com oito edificações, incluindo prédios operacionais e educacional, alojamentos, refeitório, canil, academia, piscina, oficina, pista de rolamento em concreto, entre outras estruturas. Do total aplicado, mais de R$ 22 milhões foram viabilizados pela Itaipu Binacional, cerca de R$ 5 milhões pela Prefeitura de Guaíra e R$ 500 mil pelo Governo do Estado.

A robustez da estrutura guairense é apontada como um dos fatores que influenciaram a decisão pela transferência administrativa, ainda que, oficialmente, ela seja tratada como provisória.

Enquanto isso, em Marechal Cândido Rondon, cresce a expectativa por respostas concretas do Governo do Paraná e pela retomada das obras, consideradas essenciais para manter o protagonismo do município na segurança da fronteira oeste do Estado.