A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná publicou uma portaria que promove uma mudança estrutural na fiscalização do trânsito agropecuário no Estado. A medida incorpora tecnologia às ações de controle nas divisas, amplia a fiscalização volante e desativa postos fixos, com foco em maior eficiência, precisão e modernização do sistema sanitário paranaense.
A principal inovação está na integração da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná aos sistemas de câmeras OCR, voltados à leitura automática de placas, da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, dentro do Programa Olho Vivo. A iniciativa prevê a instalação de 26.500 câmeras nos próximos anos e permitirá um monitoramento mais qualificado do trânsito e do comércio de proteína animal.
Outra frente estratégica é o convênio firmado com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que garante à Adapar acesso a imagens de satélite atualizadas diariamente, com maior resolução, agilidade e alcance visual de até dois quilômetros. O recurso amplia a capacidade de análise e fortalece a precisão das ações de fiscalização.
Paralelamente, está em fase final de desenvolvimento o aplicativo do transportador, ferramenta que vai reforçar os mecanismos de rastreabilidade e a gestão das informações sanitárias no Estado. O Paraná também passará a integrar o programa de identificação individual de bovinos, atualmente em fase piloto na região Sudoeste. A nova estratégia inclui ainda a fiscalização itinerante, que poderá ocorrer em qualquer local, com apoio das forças de segurança.
Com a adoção do novo modelo, 12 Postos de Fiscalização do Trânsito Agropecuário (PFTA) serão desativados a partir do dia 10. Dez deles estão localizados na divisa com Santa Catarina, um na divisa com São Paulo e outro na divisa com Mato Grosso do Sul. Os servidores que atuavam nos postos seguirão desempenhando suas funções nos Escritórios Locais da Adapar.
Entre os dias 3 e 4 de março, será realizado um treinamento específico para a reintrodução dos fiscais às unidades onde foram originalmente lotados, adequando as equipes às novas rotinas operacionais baseadas em análise de risco e tecnologia.
Segundo o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, a modernização mantém o compromisso com a proteção da saúde animal e da sanidade vegetal, ao mesmo tempo em que fortalece a competitividade do agronegócio paranaense. Ele destaca que o Estado ampliará a fiscalização volante, com sistemas mais modernos, uso de drones e instalação de 66 novas câmeras próximas aos postos desativados para complementar o controle do trânsito agropecuário.
O diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Blood, explica que parte dos servidores será direcionada para compor equipes móveis e ações baseadas em risco. O planejamento considera o cruzamento de dados das câmeras do Programa Olho Vivo, informações do aplicativo dos transportadores e outros bancos de dados internos da agência, ampliando a eficiência da barreira sanitária animal e vegetal do Estado.
Com a nova portaria, o Paraná avança para um modelo de fiscalização mais dinâmico, tecnológico e integrado, alinhado às exigências sanitárias contemporâneas e à necessidade de garantir segurança, rastreabilidade e fluidez ao sistema produtivo agropecuário.