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Tecnologia com borracha líquida reduz até 23 °C em armazéns da Conab
Intervenção em Ponta Grossa melhora conforto térmico, segurança e conservação dos grãos já na primeira fase das obras
04/02/2026 09h08
Por: João Livi Fonte: Assessoria
À esquerda, dois armazéns já avançados em impermeabilização, em contraste com os demais ainda sem limpeza na Unidade de Ponta Grossa. (Foto: Divulgação/RenovaTech)

A reforma e modernização da Unidade Armazenadora da Companhia Nacional de Abastecimento em Ponta Grossa, no Paraná, já apresenta resultados expressivos logo na etapa inicial das obras. A aplicação de uma tecnologia avançada de impermeabilização com borracha líquida à base de grafeno provocou uma redução de até 23 °C na temperatura interna dos armazéns, com impacto direto no conforto térmico, na segurança do trabalho e na qualidade dos grãos armazenados.

As intervenções fazem parte de um acordo de cooperação entre a Companhia Nacional de Abastecimento, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos e a Itaipu Binacional, responsável pelo financiamento do projeto. A primeira fase concentra-se na impermeabilização e pintura técnica das estruturas, enfrentando problemas históricos de infiltrações e absorção excessiva de calor.

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Queda expressiva de temperatura

O monitoramento técnico das estruturas evidenciou o impacto imediato da solução adotada. Em um dia com grande variação térmica, enquanto um armazém antigo registrava 42 °C na superfície, a área tratada alcançou apenas 19 °C no mesmo período. O resultado está diretamente ligado ao isolamento térmico proporcionado pela nova tecnologia, que mantém um bolsão de ar mais fresco no interior do silo.

Segundo o associado de Engenharia Civil do Unops, Bruno Ruchinski, a solução vai além de uma pintura convencional. O sistema cria uma camada flexível, capaz de acompanhar a dilatação da estrutura sem fissuras, garantindo vedação total contra água e umidade por pelo menos dez anos.

Segurança e desempenho operacional

A redução do calor também traz reflexos diretos na segurança do trabalho, especialmente em ambientes confinados. De acordo com o associado de HSSE do Unops, Juliano Chandretti, o controle térmico diminui riscos de estresse térmico, fadiga e falhas operacionais, fatores críticos em estruturas de armazenagem.

Para quem atua diariamente na unidade, os efeitos são perceptíveis. O encarregado do setor operacional da unidade de Ponta Grossa, Renato Carneiro de Paula, destaca que a melhoria no ambiente interno refletiu diretamente no rendimento da equipe e na eficiência das operações.

Grãos mais protegidos e economia de energia

Além do conforto e da segurança, a tecnologia adotada gera ganhos financeiros e eleva o padrão de qualidade dos grãos armazenados. A diminuição do aquecimento interno reduz a possibilidade de fermentação, o que minimiza ou até elimina a necessidade do uso de produtos químicos agressivos para controle de pragas, como pastilhas de fosfina.

O gerente da unidade da Conab em Ponta Grossa, João Francisco Slusarz, ressalta ainda a economia operacional. Com menor condensação interna, a demanda por ventilação e aeração dos grãos diminui, resultando em redução significativa no consumo de energia elétrica.

Os resultados iniciais da obra consolidam a modernização da unidade como um marco em eficiência, sustentabilidade e segurança, reforçando o papel da inovação tecnológica na infraestrutura pública de armazenagem.