O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (28) o rumo da taxa Selic na primeira reunião de 2026. Mesmo diante de sinais recentes de desaceleração da inflação e da queda do dólar, a expectativa predominante do mercado financeiro é de manutenção dos juros no atual patamar de 15% ao ano, o mais elevado desde 2006.
A decisão ocorre em um contexto atípico: o colegiado estará com quórum reduzido, já que os mandatos dos diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) se encerraram no fim de 2025. As indicações dos substitutos só devem ser enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.
Desde setembro de 2024, a Selic passou por uma sequência de sete altas consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro últimas reuniões. Na ata divulgada em dezembro, o Copom sinalizou que a taxa deve seguir elevada por um período prolongado, como forma de garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.
Cenário inflacionário ainda inspira cautela
Apesar de a inflação apresentar sinais de arrefecimento, alguns componentes seguem pressionados, especialmente o setor de serviços. Esse quadro reforça a postura cautelosa do Banco Central na condução da política monetária.
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou variação de 0,2% em outubro e acumula alta de 4,5% em 12 meses, exatamente no teto da meta. O índice cheio de novembro será divulgado ainda nesta quarta-feira e deve trazer novos elementos para avaliação do cenário.
De acordo com o boletim Focus, levantamento semanal junto a analistas do mercado financeiro, a projeção para a inflação de 2025 recuou para 4,4%, ligeiramente abaixo do limite máximo da meta contínua, que permite variação entre 1,5% e 4,5%.
Função da Selic na economia
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Quando elevada, encarece o crédito, desestimula o consumo e tende a conter a pressão sobre os preços. Por outro lado, juros altos também dificultam a expansão da economia, afetando investimentos e a geração de empregos.
Já um eventual corte na taxa básica barateia o crédito e estimula a atividade econômica, mas pode reduzir o controle inflacionário se feito de forma prematura. Por isso, além da Selic, as instituições financeiras consideram fatores como risco de inadimplência e custos operacionais na definição das taxas cobradas ao consumidor.
Meta contínua de inflação
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o objetivo central é manter o IPCA em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A apuração passa a ser feita mês a mês, sempre considerando a inflação acumulada em 12 meses, o que torna o acompanhamento mais dinâmico e permanente.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central manteve a projeção de inflação de 3,5% para 2026, embora o cenário ainda esteja sujeito a revisões. O próximo relatório será apresentado no fim de março.