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Intenção de consumo dá sinais de reação no Paraná no início de 2026
Índice avança em janeiro, mas permanece abaixo do nível de satisfação e indica cautela das famílias paranaenses
23/01/2026 13h36
Por: João Livi Fonte: Fecomercio
Índice da Fecomércio PR aponta leve melhora na intenção de consumo das famílias paranaenses no início de 2026. (Foto: Freepik)

Os paranaenses iniciaram 2026 com uma disposição um pouco maior para consumir, embora o cenário ainda inspire prudência. Em janeiro, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 93,1 pontos no Paraná, registrando alta de 0,9% em relação a dezembro. O indicador é elaborado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), e mede a percepção das famílias sobre renda, emprego, crédito e capacidade de consumo.

Apesar da melhora mensal, o índice segue abaixo do patamar de janeiro de 2025, quando marcava 98,3 pontos, acumulando queda anual de 5,3%. Desde abril do ano passado, o ICF permanece abaixo dos 100 pontos - faixa considerada de satisfação - o que evidencia um ambiente ainda desfavorável para o consumo no Estado.

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Um dos piores janeiros da série histórica

O resultado de janeiro de 2026 figura entre os mais baixos da série histórica iniciada em 2012. O desempenho só supera o registrado em janeiro de 2016, quando o índice marcou 91,1 pontos, e ficou abaixo inclusive dos níveis observados durante os anos mais críticos da pandemia. O dado reflete a postura cautelosa das famílias diante de juros elevados e de um crédito ainda restrito.

Sinais positivos nos subindicadores

Apesar do cenário geral contido, alguns subindicadores apresentaram avanços relevantes. A Perspectiva de Consumo chegou a 71,0 pontos, com crescimento de 7,1% na comparação mensal e alta de 3,4% em relação a janeiro do ano passado. Já o Momento para Compra de Bens Duráveis atingiu 62,5 pontos, com elevação de 3,1% frente a dezembro, embora ainda acumule retração de 10,3% no comparativo anual.

O Acesso ao Crédito também apresentou melhora. Com a interrupção do ciclo de alta da taxa básica de juros, os consumidores perceberam menor dificuldade para contratar financiamentos. O subindicador subiu 3,4% no mês, alcançando 63,7 pontos, ainda assim 7,1% abaixo do nível registrado no início de 2025.

Emprego sustenta confiança, mas renda recua

A Segurança do Emprego Atual segue como um dos poucos componentes em zona de satisfação, ao marcar 110,9 pontos. O indicador teve leve alta mensal de 0,9%, mas recuou 4,1% na comparação anual, indicando perda gradual de confiança.

Em contrapartida, outros componentes apresentaram retração. A Renda Atual caiu 1,4% no mês e 4,2% no ano, fechando em 149,3 pontos. O Nível de Consumo Atual recuou 1,4% frente a dezembro e 9,8% em relação a janeiro de 2025, enquanto a Perspectiva Profissional caiu para 93,7 pontos, com retração tanto mensal quanto anual.

Diferença entre faixas de renda

Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o ICF avançou 1,3% em janeiro, alcançando 91,6 pontos. Já no grupo com renda superior a esse patamar, houve queda de 0,7% em relação a dezembro, embora o índice tenha se mantido em nível de satisfação, com 100,1 pontos.